Não podemos mais esperar por programas sérios contra a gravidez na adolescência

Não podemos mais esperar por programas sérios contra a gravidez na adolescência

Entenda por que o projeto da “Semana Escolhi Esperar” é uma tragédia anunciada para crianças e adolescentes

Na próxima quinta-feira, 17/06, acontece em São Paulo a segunda votação do projeto de Lei (PL) 813/2019, “Escolhi Esperar.” Trata-se de uma proposta equivocada para enfrentar o problema da gravidez precoce. A proposição apresenta como solução para a questão a abstinência sexual como política pública.

O vereador que protocolou o PL na casa é Rinaldi Digili, recém-filiado ao PSL, um bolsonarista orgulhoso em suas redes sociais. Como todo falso defensor da família, a visão do proponente e dos que defendem a proposta é de que a sociedade está corrompida pelo feminismo, pelas pessoas LGBTQIA+, o sexo banalizado. Desta forma, crianças e adolescentes acabariam fazendo sexo porque são estimuladas a fazê-lo. Para eles, as diretrizes e políticas existentes para tratar a questão da saúde e sexualidade de adolescentes falham, uma vez que a gravidez precoce ainda ocorre no país.

Você que me lê, deve ter pensado, assim como eu, “Mas e a violência sexual contra crianças e adolescentes?”

Eles ignoram essa realidade. E repetem sem parar que o projeto não é sobre violência sexual. De acordo! Não é mesmo, mas deveria ser.

Entretanto, a moral e visão de mundo desta gente são muito peculiar. Eles se veem como salvadores de uma juventude “perdida” em baile funk mas não estão preocupados com o fato de que a cada uma hora, quatros crianças (meninas e meninos) sejam abusados sexualmente no Brasil. E não se importam em saber que esta violência seja uma das causas da gravidez precoce no país.

O abuso sexual e a pedofilia no Brasil são problemas gravíssimos, esforços para sua mensuração e enfrentamento estão sempre aquém da realidade camuflada e subnotificada. Ainda assim, é possível notar uma correlação entre os abusos e gravidez na adolescência.

De acordo com estudo do Ministério da Saúde, das notificações de estupro praticado contra crianças e adolescentes, entre 2011 e 2016, cerca de 20% resultou em um ou mais nascidos vivos. Em quase 70% dos casos, o agressor era conhecido ou familiar da criança (entre 10 e 14 anos), enquanto entre adolescentes (15 a 19 anos) o mesmo ocorreu em quase 40% dos casos.

Assim como ignoram um dado fundamental da nossa realidade, negam as evidências científicas a respeito da eficácia da abstinência sexual como foco da educação sexual para adolescentes.

A Sociedade Brasileira de Pediatria corrobora a posição da Sociedade de Saúde e Medicina do Adolescente norte-americana sobre a necessidade de se adotar uma abordagem compreensiva da sexualidade adolescente, que inclua respeito à diversidade cultural, sexual e de gênero, ao direito de receber informações seguras sobre sexo, sensibilidade de profissionais de saúde e educadores, oportunidades para o conhecimento de métodos de proteção à saúde e prevenção da gravidez, como nos informam pesquisadoras brasileiras.

Se eles ignoram a ciência o que esperar de diretrizes e políticas já existentes?

No âmbito federal, existem três documentos que fornecem diretrizes para o cuidado da saúde sexual de adolescentes e jovens no Brasil – e em nenhum a educação para abstinência sexual é adotada como política – todos desconhecidos pelo proponente e pelos apoiadores do projeto.

Além disso, na cidade de São Paulo, dois programas no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde abordam a questão. Mas lamentavelmente não é com aperfeiçoar a política, verificar sua eficácia, efetividade ou eficiência que eles estão preocupados.

Quem se beneficiará com esta política?

O nome do projeto é uma alusão explícita a uma campanha de origem religiosa promovida por um casal de pastores que tem como proposito “fortalecer aqueles que escolheram se preservar sexualmente até o casamento e disseminar os princípios eternos nas áreas afetiva e sexual”.

Apesar de negar qualquer relação com a campanha, nas duas audiências públicas realizadas para discutir o projeto, o vereador Digilio convidou para defender a proposta nada menos que um dos consultores científicos da campanha, o senhor Thiago De Melo Costa Pereira.

O projeto de Lei prevê que Unidades Básicas de Saúde, escolas publicas ou privadas possam celebrar parcerias com organizações não governamentais e entidades afins para implementação dos objetivos da proposta. No site da campanha, pode-se facilmente levantar que atualmente 1500 adolescente são atendidos por projetos, mas a meta é chegar em 50.000!

Além de ferir a laicidade do estado, garantida pelo art. 19 da Constituição Federal o projeto, de forma ainda mais evidente, fere o art. 37 que versa sobre a impessoalidade da Administração Pública, como precisamente apontaram o Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulheres – Nudem e o Núcleo Especializada da Infância e Juventude, ambos da Defensoria Pública de São Paulo, em Nota Técnica divulgada na última semana.

Além desta alusão mais do que explícita a uma campanha promovida por entidade de direito privado, merece nota o fato de que o projeto foi protocolado na Câmara Municipal de São Paulo em 2019, mesmo ano em que a ministra Damares propôs uma campanha nacional de promoção da abstinência sexual como forma de enfrentar a gravidez na adolescência e a transmissão de IST/HIV.

Para a ministra Damares, ensinar métodos contraceptivos para essa população “normaliza o sexo adolescente”, tendo em vista que nem todos iniciaram a vida sexual.  De acordo com nota técnica do Ministério da Damares, o sexo na adolescência leva a “comportamentos antissociais ou delinquentes” e “afastamento dos pais, escola e fé”.

Mesmo diante desses fatos, o projeto conta, até o momento, com apoio da maioria dos vereadores de Casa.

Não é difícil entender o cenário, ainda que seja impossível aceitar a realidade.

A Câmara Municipal de São Paulo sempre esteve mais à direita no espectro ideológico. E nesse momento, reflete exatamente a aliança entre liberais e fundamentalistas que levou ao golpe da presidenta Dilma e a eleição de Bolsonaro.

Então, o troca-troca de apoios é explícito. Numa tarde, a base governista aprova a privatização da cidade, na outra, aprova um projeto como o Escolhi Esperar.

Não é novidade que a direita tenha incorporado a disputa em torno de pautas morais, para atrair atenção de eleitores conservadores nos costumes. Tampouco é recente o uso de moral e dogmas religiosos como diretriz para pautar políticas públicas ou negar direitos em nosso país.

Com aproximação das eleições e aumento da rejeição ao governo Bolsonaro, pela condução do país nessa pandemia, resta a ultra direita bolsonarista apostar todas as fichas nesse discurso difuso e confuso sobre defesa da família contra a desintegração do tecido social.

Com a morte de Bruno Covas, a cidade de São Paulo está nas mãos do ultraconservador, Ricardo Nunes, que à época das discussões do Plano Municipal de Educação, em São Paulo, ocupava a tribuna para falar de “ideologia de gênero” e desintegração da família.

Não atoa, o vereador Digilio manifestou com muito orgulho ter apoio da Casa Civil para a proposição desse projeto. Deve ter saído de lá também o apoio financeiro, leia-se dinheiro dos nossos impostos, para a Motociata da Morte, no dia 12 de junho, promovida pelo genocida que nos desgoverna.

A votação deve agitar o centro da cidade, dentro e fora da Câmara. Nós feministas estamos articuladas para não aprovação deste projeto em plenário, enquanto o movimento feminista, organizações sindicais e partidos prometem estar em frente a Câmara manifestando-se contra o projeto.

Ancestralidade de jovens da Chapada Diamantina juntam do-in antropológico de Gil à Lei Aldir Blanc

Ancestralidade de jovens da Chapada Diamantina juntam do-in antropológico de Gil à Lei Aldir Blanc

Por Líllian Pacheco

“Foi muito significativo ter um currículo artístico avaliado e aprovado na Lei Aldir Blanc como jovem, interiorano, gay e negro”, André Fonseca.

A BÊNÇÃO Gilberto Gil, adupé, licença para contar uma história. Gil esteve em Lençóis, na Chapada Diamantina, Bahia, em 2004, falando de uma ideia chamada Ponto de Cultura e de um Do-In Antropológico, uma massagem nos pontos mais energéticos do corpo da cultura do Brasil. Três meninos brincavam nas ruas e rios de Lençóis e o Grãos de Luz e Griô, que já tinha três anos como organização formal premiada nacionalmente pela atuação com a Pedagogia Griô, se tornou um ponto que recebeu essa massagem politicamente revolucionária quando lançou a Ação Griô Nacional.

Dezessete anos depois, as lutas históricas e os ciclos ancestrais reuniram, pela emergência cultural no mundo virtual da pandemia, as diversas lideranças políticas de pontos de cultura da Ação Griô e da Lei Cultura Viva no Brasil para criar a Lei Aldir Blanc.

“A Lei Aldir Blanc foi uma salvação para quem faz arte e cultura. O que falta é incentivo, com ele demos um salto potencial e multiplicamos recursos”, Tainã Pacheco.

Foi assim, que os três meninos lençoenses já crescidos e formados no ponto de cultura em negritude, música, audiovisual, ancestralidade e afetividade também se reuniram para realizarem autônomos o projeto de videoclipe Refugio Particular. E quem é um de seus inspiradores musicais? Gilberto Gil, o ministro do-in.

Esse ciclo de vida e ancestralidade de Gil a Gil também se reflete na música e videoclipe Refugio Particular. Um menino negro músico baiano abre pedindo licença às avós ancestrais, faz uma jornada afetiva musical e audiovisual nos encantados da natureza da Chapada Diamantina e fecha como jovem crescido de volta para sua avó.

Um SALVE aos jovens realizadores – André Fonseca (compositor e intérprete), Tainã Pacheco (músico, produtor musical, escritor do projeto), Uilami Dejan (fotógrafo e produtor audiovisual, atual presidente da Associação Grãos de Luz e Griô).

Saiba mais em Garimpei.com

Líllian Pacheco é educadora e escritora, Grãos de Luz e Griô

Live coding e o mundo do DevRel

Live coding e o mundo do DevRel

Entenda como as pessoas produzem conteúdo gratuito de tecnologia para conquistar vagas na área de TI

O mundo da Live Coding é fantástico e tem muitas comunidades e pessoas envolvidas, por isso será escrita em duas partes.

Se você é uma pessoa que ama desenvolver soluções, quer entrar na área de TI ou quer entender um pouco mais sobre desenvolvimento da carreira, então venha comigo! Quero te mostrar que existe o devrel, o advocate, o tech community manager e especialista dentro da área de TI.

Developer Relations ou DevRel

Algumas empresas produtoras de tecnologia têm uma área focada em todo esse universo de dividir conteúdo e se relacionar com comunidades. Essa área é a de Developer Relations.

Eddie Zaneski, gerente de relações com desenvolvedores da DigitalOcean em um artigo da Forbes cita que os pilares dessa área são os 3 C’s: código, conteúdo e comunidade.

Pois o dia a dia de uma pessoa que atua com DevRel (seja qual for o papel dela) se baseia em entender o que a comunidade fala, produzir conteúdo técnico (tutorial, hands on, webinar ou até mesmo hackathons) e retornar o feedback de forma qualificada da comunidade sobre aquela tecnologia abordada. Porém, para esse profissional ser respeitado e conseguir executar seu trabalho com maestria, ele tem que ser uma pessoa com um profundo conhecimento técnico e também sobre as regras implícitas na comunidade ao qual ele representa e atua.

Trazendo alguns nomenclaturas muito comuns temos:

DevRel: é o nome da área em questão, porém algumas empresas têm usado como cargo, por essa ser uma área ainda pouco conhecida.

Developer Advocate: é normalmente um desenvolvedor experiente que possui um grande conhecimento e relacionamento com comunidades e entra para área com um foco em atuação mais precisas (feedbacks qualificados, organização de grandes eventos e POC com empresas utilizadoras de suas tecnologias). Ele sempre “advoga” em prol de uma tecnologia ou produto.

Tech Community Manager: Normalmente uma pessoa desenvolvedora que estudou sobre marketing digital e entende muito sobre a utilização de redes sociais. Em suas atividades estão criação de conteúdos como Blog Post, interação em fóruns, twitter, linkedin e as redes sociais da empresa.

Encontramos um conteúdo muito amplo e bem esclarecedor sobre essa temática no livro “The Business Value of Developer Relations” escrito por Mary Thengvall, diretora de Developer Relations da Camunda, uma citação muito comum que ela fala é:

“There’s a phrase that I always go back to,” she says, “To the community I represent the company, to the company I represent the community, and I must have both of their interests in mind at all times.”

Traduzido:

“Para a comunidade eu represento a empresa, para a empresa eu represento a comunidade e devo ter os interesses de ambos em mente o tempo todo”

Ao nosso ver, esse é o grande pulo do gato para saber fazer o relacionamento com o desenvolvedor de forma correta. Pois hoje essa área vem crescendo muito e por não ser tão conhecida no Brasil existem várias formas de abordagem, quanto às atividades exercidas. Acreditamos que ela continuará crescendo e se consolidando e auxiliando no caminho de dar mais voz aos desenvolvedores.

Esse ecossistema no Brasil tem se desenvolvido cada dia mais, e é aqui que entra a LIVE CODING. Uma maneira onde as comunidades estão dando “a mão ou o código” para ajudar diversas pessoas a desenvolverem suas habilidades e se conectarem com diversas oportunidades que os DevRels, acabam trazendo. Essa forma é muito diferente de uma seleção de RH e por isso o ecossistema como um todo e todos os envolvidos são importantes no processo.

E é aqui que te apresento histórias de pessoas incríveis.

Uma jornada do herói no desenvolvimento

Daniel Reis ou Danielhe4rt tem 21 anos, veio do interior de São Paulo e iniciou seus estudos de programação aos 11 anos de forma autodidata, mas foi aos 13 anos que, por influência do seu professor e mentor apelidado de “sorriso_srs”, ele começou a estudar a linguagem PHP, linguagem hoje de que se tornou especialista. Com 15 anos, conseguiu o seu primeiro freelancer junto ao seu professor, realizando uma automatização para o jogo de navegador Tribal Wars usando a biblioteca jQuery. Quando estava no ensino técnico, um ano após seu primeiro freelancer, conseguiu mais um, mas agora se tratava de criar programas para realizar operações simples dentro de um sistema para os seus colegas de classe. Foram diversos projetos, visto que a turma estava dividida em grupos e cada um precisava entregar um.

Antes de completar 17 anos, seu mentor e professor faleceu de forma muito precoce, e prometeu para si mesmo que levaria consigo a cultura do ensinar sem cobrar, um dia.  Em 2016, foi convidado a participar de uma startup que deu muito errado por diversos motivos, depois foi convidado para fazer parte de outra, mas em Curitiba, e essa deu mais errado ainda. Por fim, com todos esses problemas, teve que voltar para a casa dos pais e foi fazer faculdade de Análise e Desenvolvimento de Sistemas na FATEC Cruzeiro – SP.

No ano seguinte, recebeu o convite de uma terceira startup (mais tarde se arrependeria muito de ter aceitado), trancou a faculdade para trabalhar com eles. Após uma semana, tendo perdido o semestre e percebido a farsa em que havia se metido, conheceu uma pessoa que o ofereceu uma vaga de emprego em São Paulo, fazendo-o sair do interior do estado e ir para a capital trabalhar como desenvolvedor Full-Stack na empresa W1 Finance por quase 2 anos. Após esse período, mudou de emprego para trabalhar como programador back-end na empresa Fabapp por 11 meses, trocou para a i9XP para trabalhar como full-stack engineer por 10 meses, onde agora, por fim, está trabalhando como programador back-end da Leroy Merlin.

Lives de código com até 5 mil pessoas

https://www.twitch.tv/danielhe4rt

Daniel descobriu o mundo da live coding em julho de 2018, o intuito era estudar mais a fundo alguns temas de programação para implementar um novo ecossistema dentro da empresa onde trabalhava. A partir da live, ele conseguiria ter mais foco e aprender junto com outras pessoas. Os meses se passaram e, em setembro, ele resolveu fundar a He4rt Developers junto de alguns amigos que fez durante as suas lives. A proposta inicial era ter um lugar para que ele pudesse conversar e trocar conhecimento com as pessoas que participavam da sua live. Aos poucos e de forma orgânica, a comunidade foi se desenvolvendo e a proposta dela se tornar um local onde as pessoas poderiam aprender e ensinar foi sendo desenvolvido e tornando-se o que é hoje.

As lives também evoluíram e tiveram diversas modificações em seu conteúdo, apesar do Daniel ainda estudar e usar a live para aprender sobre diversos assuntos, ele também busca criar conteúdos dos mais iniciais aos mais avançados para que as pessoas que o assistem consigam aprender e presenciar como um programador com certa experiência desenvolve programas e sistemas, desmistificando alguns mitos da programação.

Por que não cobrar?

Daniel segue a filosofia do seu mentor, adotou esse modo de pensar e ensinar para si, como se ele tivesse retribuindo o que lhe foi feito.

“Luto por criar um espaço em que possa criar e distribuir conhecimento de qualidade sobre programação para o maior número de pessoas que puder. Demonstrando que todo mundo pode vir a se tornar um desenvolvedor ou desenvolvedora e que não é necessário que as pessoas paguem rios de dinheiro para isso.”

Seu desejo é conseguir fazer parcerias e angariar patrocinadores que façam com que seu canal torne-se autossuficiente monetariamente. Dessa forma, conseguirá se dedicar a ensinar e produzir conteúdo gratuito para a comunidade.

O que é a He4rt Developers?

A He4rt é uma comunidade de programadores criada por Daniel Reis, mais conhecido como Danielhe4rt, que tem como objetivo desenvolver e disponibilizar material gratuito de programação e um espaço para que as pessoas consigam expor as suas dúvidas e elas serem sanadas por outros programadores. A filosofia da comunidade é que tudo ali é feito pela comunidade e para a comunidade, dessa forma, é criado um ambiente na plataforma Discord para que os membros possam aprender uns com os outros, fazer amizades e formar times para desenvolverem juntos projetos para praticar ou para realizar algum trabalho contratado.

Treta, na rede

Daniel é muito conhecido por suas tretas, ele “treta” sobre tudo. Entenda:

Treta 1 – Bolha Dev das redes sociais

“Entendo que as pessoas jogam muitas regras sobre o que um iniciante deve fazer, mesmo sem saber o que a pessoa de fato quer e isso bagunça toda a trajetória do indivíduo iniciante por achismos de rede social. Eu simplesmente NÃO consigo ver essa galerinha ganhar engajamento falando inverdades sobre como é a trilha de um desenvolvedor iniciante, sendo que muitos deles NUNCA tiraram um tempinho para ajudar algum dos que ficam perguntando N vezes nas redes sociais. Ajudo iniciantes praticamente TODO SANTO DIA, então eu entendo qual é a frustração dessa turma. Onde eles sentem que tudo que é mostrado nas redes sociais eles DEVERIAM saber, mesmo sendo coisas ABSURDAS onde nem mesmo quem fala sabe sobre algo.

Algo bem comum é espalhar que linguagem X é melhor que linguagem Y e eu faço questão de pedir argumentos sobre. Toda vez que um iniciante chega falando acerca disso pra mim e vejo que NÃO existe NENHUM tipo de fundamentação em volta dessas falas e isso ecoa muito para as pessoas iniciantes… Eu mesmo já fui uma dessas pessoas que só falava e não sabia argumentar, pois via sempre outras pessoas dando hate sem motivo. É nosso trabalho instruir essas pessoas, fazê-las argumentarem sobre esses assuntos para que elas possam aprimorar e entender por elas mesmas, e não depender do tiozão cansado do Twitter”.

Treta 2 – Cursos com custos abusivos

“Um dos viewers do canal, em certo dia, chegou me perguntando o que eu achava sobre a empresa de cursos que vamos chamar de CodeCode (nome fictício). Eu nunca tinha visto antes, mas abri o site deles em live para ver como era, e eu critiquei algumas grades que não falavam muito sobre o curso e como os layouts do site eram zoados etc. Eis que durante a live, me chega um número desconhecido mandando mensagem no whatsapp comercial falando que queria me processar, tentando ganhar pelo medo e quando viu que não iria rolar, tentou me contratar pra fazer cursos para sua empresa, onde também não rolou”.

Uma ideia muito errada das pessoas é que eu tenho algo contra funcionários dessas empresas que vendem cursos a preços abusivos, mas o problema de fato é com as EMPRESAS. O trabalho exercido pelo criador de conteúdo é um trabalho como qualquer outro, para pagar as contas e dar continuidade a sua carreira. Eu mesmo, utilizo da plataforma Laracasts, que custa U$ 15,00 mensalmente para poder estudar quando preciso e esse preço está ENCAIXADO na minha realidade, que infelizmente não é a de todos os brasileiros.

Hoje, no meu canal, já foram sorteados/resgatados 660 cursos variados da Udemy, que sempre estão num preço acessível de R$ 25,00 ou até menos. A Udemy é uma plataforma que democratiza o conhecimento e deixa a um preço acessível TODA SEMANA e nós damos sempre prioridade a entregar cursos de lá para os nossos viewers e incentivar criadores de conteúdo a continuarem produzindo.

Treta 3 – DanielaHe4rt

Um certo dia, uma pessoa chegou me convidando para participar de um Podcast onde ele queria entender mais sobre minha trajetória, e eu nunca tinha participado de um, mesmo após N convites e decidi ir nesse, já que a pessoa estava começando na Twitch, queria dar essa moral pro nosso amigo. Eis que um dos membros da He4rt viu que ele estava online na Twitch, testando seu Overlay e esqueceu a live ligada e estava passando de live em live comentando sobre outros canais e tirando sarro, ao mesmo tempo, que queria convidá-los para o podcast.

Todo o conteúdo foi clipado e apresentado no canal, porém de um jeito diferenciado. Minutos antes de começar a live, uma pessoa que morava comigo estava se maquiando e testando uma peruca nova que ela tinha comprado. Ela tinha uma reserva e eu pedi para que ela colocasse a peruca em mim e fizesse um delineado. Eu não sei o que se passou na minha cabeça, achei que seria engraçado.

Foi a pior coisa que eu fiz. Não entendia o impacto disso na vida das mulheres e pessoas LGBTQI+. Vi que rolou uma revolta no meio da comunidade tech e fui “cancelado” no meio por uma fala que encaixou muito mal com o contexto, onde encaixei a piadoca padrão dos desenvolvedores, inclusive de muito mal gosto, onde nos assemelhamos a garotes de programa.
Após esse incidente, algumas minas que acompanham o meu canal me chamaram no privado para falar que se sentiram incomodadas e explicaram o motivo e claramente eu entendi e pedi desculpas. Fui atrás de entender um pouco mais sobre o contexto da turma LGBTQI+, onde pessoas me indicaram para conversar com uma psicóloga transexual e ela me deu uma surra de realidade. Depois disso, eu fiquei mais atento para poder educar meu chat nesses pontos de que eu não tinha plena visão anteriormente.

Fuskinha – comunidade DEVHOUSE
Discord

Falamos com o Fuskinha e poucos o conhecem como Pedro Henrique, com 6 anos de experiência, atuou como Dev e como instrutor Java. Para ele fazer live coding guarda o propósito em compartilhar experiência, conhecer as dificuldades de outras pessoas e poder ajudá-las, pois segundo ele uma das melhores formas de se aprender é ensinando. Agora com a DevHouse (um ambiente de compartilhamento de conhecimento das mais variadas stacks) ele pode ajudar de forma mais efetiva a comunidade tirando dúvidas com seu conteúdo além de fortalecer o networking. Consciente do processo evolutivo de carreira, ele espera compartilhar suas experiências, e mostrar que cometemos erros nos mais diversos níveis de senioridade, mas o que aquece mesmo o seu coração é quando ele recebe um feedback de alguma das pessoas que ele ajudou.

Caio Emidio – Em1Dio COMUNIDADE HUB

https://www.twitch.tv/em1dio

Acesse o discord:ahub.tech/discord

Bacharel em Ciência da Computação pela PUC Paraná, esse apaixonado por música e compartilhamento de conhecimento está desde 2019 atuando em Dublin, na Irlanda, e em janeiro deste ano entrou para o mundo da Twitch.

Ele nos contou que foi amor à primeira vista, quando estava no Brasil já era apaixonado por comunidades e por contribuir. Em 2020, em conjunto com amigos, fundou a comunidade Ukecode (www.ukecode.org, que anda meio pausada atualmente, mas promete voltar) onde participavam de muitos hackathons e fizeram projetos maravilhosos juntos, pois para ele a união da comunidade é uma das coisas mais lindas que tem, e como através da comunidade se discutem boas práticas de código, revisão do código, parcerias em projetos e collabs. O grande diferencial do seu canal é que um dos objetivos é retornar para projetos de pessoas da comunidade todo o dinheiro arrecadado. Em 2021 co-fundou a HUB. Uma comunidade que reúne pessoas com vários níveis de conhecimentos em canais únicos, dando mais praticidade e engajamento com a comunidade.

Pokemao

https://www.twitch.tv/pokemaobr

Esse matemático com MBA em SOA é um evangelista de PHP, atuando durante 3 anos como Community Manager se apaixonou cada vez mais por comunidades, tanto que desde agosto de 2019 ser streamer na Twitch, tem sido seu trabalho .

Seus live coding têm foco em conteúdo educativo e de entretenimento, com um conteúdo bem diversificado e diário, ele faz entrevistas (!chamaeu), ensina programar funcionalidades novas para seu bot, e alguns dias até joga com seu público. Sendo sua própria comunidade uma vez que ele tem 5,9 mil seguidores em seu canal na Twitch, 1,43 mil inscritos em seu canal no Youtube e 6,9 seguidores no Twitter, dividir conteúdo não só é seu propósito, mas seu trabalho.

Já apresentou stand-ups em eventos como: Campus Party, Intercon, PHP Experience, JS Experience, Capiconf, PHP Community Summit, TDC,  Full Stack Experience, Internorte, PHPeste, Darkmira Tour, Vus.JS Summit, RubyConf e muitos outros.

Isabella Herman, comunidade He4rt Developers

Isa e Viniccius fazendo ao vivo o “Pair programming” que é quando duas pessoas desenvolvem projetos ao mesmo tempo. https://www.twitch.tv/isabellaherman

Isabella Herman com seus 22 anos já sabe o que quer, desenvolve games e é dona de uma didática maravilhosa, super aberta a entender todos os pontos de vista dentro da comunidade tech, e fazer live coding na Twitch se tornou uma paixão.

Na sua visão live coding é a melhor forma de se conectar com seu público, sem códigos prontos e perfeitos, onde podemos mostrar nossos erros e acertos e contamos muitas vezes com ajuda do público que nos assiste.

Ver como a comunidade é unida, e muitas vezes pegam os seus projetos apoiando como se fossem deles, sem mencionar todas as mensagens que ela recebe sobre como tem inspirado pessoas ao redor do Brasil, a conhecerem e se apaixonarem pela área de jogos tem deixado os dias da Isa muito melhor.

Seu grande foco é inspirar os outros de forma “real”. Sendo um ser humano que erra, que não tem uma realidade ideal como grande parte dos tech influencers tentam vender na internet, para que as pessoas possam ver que independente da realidade delas elas também podem iniciar na área de TI.

Patricia, comunidade Feministech

https://www.twitch.tv/pachicodes

Patricia ou PachiCodes como é conhecida na Twitch é do time de DevRel da Newrelic, como ela conta em no artigo DevRel: O básico. Sua entrada na área foi por acaso mas ela se apaixonou por esse mundo de relacionamento com as Comunidades. Hoje ela está à frente do engajamento pelo Twitter da empresa, fazendo conexões verdadeiras com os desenvolvedores, porém foi em 2020 que ela se deu conta desse mundo relativamente novo de Developer Relations. “Eu já fazia DevRel sem saber o que fazia”, disse.

Ativa na Twitch desde 2019, vem dividindo sua jornada como desenvolvedora e em junho de 2020 formou o Live Coder Girls, que agora Feministech, uma comunidade para mulheres, pessoas que se identificam no feminino e pessoas não-binárias onde dividem conteúdo através das lives

Leona, comunidade Feministech

https://www.twitch.tv/leonadev

Leona é uma desenvolvedora Java Script não-binária e seu início no mundo da Twitch foi com a singela expectativa de compartilhar conhecimento com algumas pessoas conhecidas, porém ela acabou sendo abraçada pelo público de forma tão carinhosa que se surpreendeu.

Foi aí que surgiu o convite para participar do Feministech, como mulheres e pessoas não-binárias sempre foram sua fonte de inspiração, ela topou esse convite com o propósito de ajudar a inspirar as pessoas a se libertarem e viverem como realmente se identificam e lutar pelo espaço, e onde querem estar independente de julgamentos.

Amandita, comunidade Feministech

https://www.twitch.tv/amanditadev

Amanda aos 24 anos é dona de uma experiência muito grande. Desde os 9 anos, ela estuda desenvolvimento focado em games, sua paixão pelo mundo da tecnologia só aumentou conforme ela ia estudando.

Nos últimos dois anos ela migrou para área de design, o que fortaleceu seu desejo por se tornar uma desenvolvedora Front End. Seu início na Twitch foi com o foco em retro games mas sempre trazendo conteúdo e discussões sobre a indústria com o intuito de ajudar outras pessoas  que estejam iniciando na tecnologia.

No início do ano migrou o canal para focar em live coding, contribuindo para comunidade com seu conhecimento em desenvolvimento e jogos .

Como uma mulher trans, bissexual, ela quer ajudar pessoas que estejam se questionando sobre diversidade, sobre seu espaço e possibilidades na indústria, além de poder contribuir de alguma forma com o desenvolvimento delas.

Na próxima coluna na parte 2, você irá conhecer quem está gerando conteúdo gratuito, links e github, muito vídeo, vagas de empresas e mais histórias que poderá te inspirar nessa trilha de dev.

Até mais!

As bombas que não mataram. O que fazer sob regime fascista?

As bombas que não mataram. O que fazer sob regime fascista?

Sobre a Juliana Paes e o que fazer em tempos de fascismo.

Em 1937, como parte da ajuda de Hitler ao conservador Francisco Franco para derrotar o Governo Republicano durante a Guerra Civil Espanhola, a temível equipe de aviação alemã chamada “Lutwaffe” bombardeou várias cidades espanholas.

Andres Delgado escreveu em 2017 para a revista “Ultimo Round” que em uma cidade do País Vasco, houve uma bomba que atingiu a terra, mas nunca explodiu. A bomba foi embutida no meio da praça central da pequena cidade. Os moradores surpresos e assustados não ousaram movê-la, muito menos desarmá-la. Lá permaneceu por anos durante o governo de Franco como um símbolo de morte, do poder do regime e do castigo de quem se revelou.

Um dia de primavera, pela manhã, Julen se cansou dos detalhes da paisagem que arruinava a praça, procurou por ferramentas e decidiu desmontar e remover o dispositivo. Nas primeiras horas trabalhou sozinho, ao meio dia já contava com a ajuda dos amigos. (Porque se há algo pelo que morrer, que seja com os amigos). No meio da tarde, todas as pessoas da cidade já estavam na praça, na expectativa e colaborando como podiam.

Ao anoitecer, eles a desarmaram, entraram em uma carroça e decidiram que iam levá-la para a cidade vizinha, onde ficava a sede municipal da região. Mas o interessante da história foi o que encontraram dentro da ponta da bomba. Lá, junto com cabos e pedaços de metal, eles encontraram um papel manuscrito que continha apenas algumas palavras. Achavam que poderia indicar o local onde foi feito, seus componentes ou algumas instruções de uso, mas mesmo assim despertou a curiosidade das pessoas.

Claramente não estava em vasco, espanhol ou inglês. Aparentemente era alemão. Na aldeia, só havia uma pessoa que conseguia decifrar a escrita: Mirentxu, que quando criança, por causa do trabalho do pai, havia passado alguns anos em Hamburgo. Mirentxu estava como era natural, na praça. Ela foi solicitada e assumiu o papel.  Demorou não mais de meio minuto em ordenar as palavras e a gramática na sua jovem mente. Finalmente, para cortar o suspense, disse olhando para todos os seus vizinhos (que ao mesmo tempo a olhavam em silêncio): “No papel está escrito o seguinte: Saudações de um operário alemão que não mata inocentes”.

Ninguém saiu da praça nas horas seguintes. Eles discutiram, conjeturaram e interpretaram o manuscrito de mil maneiras.

Por fim, antes da meia noite, o povo decidiu por unanimidade que a bomba não iria embora, até mesmo voltaria ao seu lugar.  A partir daquele momento, a bomba na praça passou a simbolizar a resistência, o fim do medo e o poder de um povo com consciência de classe. Tudo isso como um presente de um trabalhador alemão que, em meio à ditadura nazista, arriscou a pele e deixou claro que nem o medo nem o regime seriam capazes de torná-lo um monstro a mais.

Histórias como essa da pequena cidade dentro do país vasco nos ensinam algo bem simples: sob regimes de violência e morte não existe neutralidade, se você faz parte de um regime de morte, você o sabota desde dentro. Não se trata de bandeiras políticas, se trata de empatia com os outros, de leituras sobre o lugar dos outros. Lembre bem disso: se você faz parte de um regime de morte, sabote-o desde dentro, que a história irá lhe retribuir com o melhor prêmio reservado a um ser humano: a imortalidade junto aos que lutaram do lado certo da história.

A mentira como método de (des)construção política

A mentira como método de (des)construção política

Nos governos de Jair Bolsonaro e de Gladson Cameli, a mentira parece ser o método de construção política.

Enquanto o presidente da República segue com sua cruzada negacionista, anti-vacina, pró-cloroquina, atribuindo informações falsas sobre uma suposta super notificação de mortes por covid-19 a um inexistente relatório do TCU, tentando desestimular o uso de máscara e a adoção dos demais cuidados que visam desacelerar o contágio do novo coronavírus, o governador do Acre apronta mais uma da série “tua palavra não vale um risco n’água.”

Dessa vez, Gladson anunciou um tal de “superpacote” com um conjunto de 11 medidas supostamente inovadoras para a Educação. Seria uma tentativa de resposta à greve da categoria, deflagrada há um mês e que ainda persiste.

O problema é que, de todas as medidas anunciadas, apenas duas são, de fato, novidade. E detalhe: uma delas, que é o pagamento do Auxílio Alimentação, exigido na greve, foi prometido somente para 2022.

A outra, o apoio financeiro para que professores e alunos das escolas públicas tenham garantia de acesso à internet durante a pandemia, de modo a viabilizar a interação virtual e suas participações nas aulas on-line e demais atividades remotas, vem com mais de 1 ano e 6 meses de atraso, depois de inúmeras tentativas de deputados oposicionistas da Assembleia Legislativa do Acre, que viram suas propostas idênticas serem rejeitadas pela base Governista na Aleac.

Todas as demais medidas que foram apresentadas já estão garantidas em lei e são obrigações cotidianas da Secretaria de Educação que precisam ser cumpridas: pagamento do Prêmio de Valorização e Desempenho Profissional (VDP), do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), complementações, dobras, salário dos terceirizados, adequação das escolas às normas sanitárias para o retorno às aulas presenciais… Só isso!

O fato é que esse modo de proceder não é novidade nenhuma. De compromisso em compromisso não cumprido, o governo da segurança, do agronegócio e do slogan “dinheiro tem, o que falta é gestão” vai tendo que se apegar a sofismas, na tentativa de dar alguma resposta a população, que aguarda ansiosa pelas mudanças prometidas. Haja maquiagem pra tanta cara de pau.

Democracia e Genocídio

Democracia e Genocídio

Foto: Divulgação / Instagram Kathlen Romeu

Diante dos muitos assassinatos praticados nas operações das forças policiais em quase todo o país, em nome da sociedade, da manutenção da ordem e do combate às dogras, não basta ficar indignado, postar algo na internet condenando esses crimes cada vez que eles acontecem. Eles acontecem quase todos os dias…

A sociedade brasileira, ou melhor, a parcela da sociedade que é respeitada pelas forças policiais, os que moram nos bairros onde as balas não se perdem, não podem continuar indiferentes, encarando como algo distante ou um fato natural essa grande quantidade de pessoas mortas por balas perdidas no Brasil.

Essas pessoas quase sempre são mortas por balas saídas das armas da polícia em operação nos bairros onde moram os trabalhadores pobres, nas periferias e favelas das grandes cidades brasileiras.

É uma constante quase diária nas últimas décadas em quase todas as periferias das capitais do Brasil e já faz parte do cotidiano da vida dos moradores dessas comunidades.

A insegurança nestes territórios é enorme e a polícia é parte do problema. Traficantes, milícias e polícia concorrem na infernização da vida destes brasileiros e brasileiras.

Quase todos os dias, temos pessoas mortas ou feridas gravemente por essas balas. Já são 595 o número de mortos, só no Rio de Janeiro, no ano de 2021, vítimas dessas operações policiais.

Pela escala, constância e abrangência em quase todo o território brasileiro, não pode ser considerada como uma simples arbitrariedade circunstancial ou um erro localizado dos que estão no comando dessas operações.

Muitas dessas vítimas são mortas dentro de casa. Quando não é a polícia que invade esses lares, é a bala que atravessa as paredes. Crianças alvejadas por balas perdidas dentro da sala de aula.

A quase totalidade dessas vítimas são negras. Segundo os registros, 79% das vítimas são negros e negras e algumas são crianças.

Não é possível a convivência de uma democracia minimamente legítima com essa prática e esse extermínio. Não são fatos isolados, com significado trágico apenas para as comunidades vítimas desses crimes. A contaminação de todo o tecido social, a metástase em todo o corpo social do país é evidente.

Trata-se de uma estratégia de controle social. São crimes praticados pelo Estado em nome da sociedade. É o lado avesso da desigualdade social, o complemento, visto como necessário pelas elites econômicas e políticas preocupadas em manter a ordem vigente com suas injustiças e ilegitimidades.

O recado é claro. Não pensem em querer mais, aceitem as condições que a sociedade lhes oferece. Rebelião, nem pensar!

Qualquer estratégia minimamente séria para construir uma democracia entre nós terá que enfrentar esse extermínio de negros pobres, trabalhadores que moram nesses bairros onde a lei e a ordem é ditada pelo tráfico, pelas milícias e a polícia vem com suas operações para corroborar e ampliar com suas ações violentas esse padrão para esses territórios, onde direitos, cidadania, civilidade e o respeito dos direitos mais básicos e elementares desses brasileiros e brasileiras são banidos e desconsiderados.

Não é possível ignorar que a linha do tempo dessa prática genocida tem início na abolição superficial da escravidão, sem incorporar para valer, com direitos e oportunidades iguais, os descendentes dos africanos que para cá vieram escravizados. As primeiras favelas surgiram com a expulsão de um número grande de trabalhadores escravizados das fazendas e casas dos senhores.

Vai ser necessário construirmos um grande, poderoso e amplo movimento social democrático, antirracista, com uma estrutura capaz de produzir informação confiável e resultados capazes de modificar essa realidade e capaz também de sensibilizar a toda a sociedade, incluindo as camadas médias da sociedade, para que se posicionem favoráveis a esse processo de democratização da sociedade brasileira.

Vai ser preciso distribuir renda e aumentar o acesso a bens, serviços e direitos desses cidadãos e cidadãs e, por outro lado, qualificar as relações sociais e isso significa dignidade e respeito para todos. Levar a sério o princípio da democracia como uma sociedade de iguais.

E, principalmente, romper com a natureza do Estado brasileiro herdado da escravidão.

Vai ser preciso, com o objetivo de construir igualdade e dignidade, abrir para todos os brasileiros e brasileiras, como fizemos com as universidades, todos os espaços sociais que hoje signifiquem privilégios de alguns e qualificar a relação do Estado brasileiro com os trabalhadores pobres, deserdados, excluídos e que vivem nas periferias.

Teremos que desenvolver um urbanismo para regenerar e qualificar as periferias e integrar em outras bases esses territórios à dinâmica das nossas cidades e vai ser necessário uma ação intensa para levar políticas sociais e serviços para esses territórios para possibilitar o desenvolvimento em escala desses trabalhadores e suas famílias que aí moram.

Uma mudança significativa será reconhecer e universalizar os direitos e transformar todo o país em um ambiente de oportunidades e direitos iguais para todos.

Se não formos capazes de nos comprometer com essa meta civilizatória e nos diferenciarmos profundamente das forças políticas conservadoras e socialmente reacionárias, seremos vistos, sem maiores diferenciações, como parte do lado opressor e privilegiado.

O descrédito e um certo cansaço da sociedade em relação à democracia e a redução das expectativas na política só serão revertidos se formos capazes de cumprir essa missão e outras, igualmente importantes e centrais para termos uma sociedade civilizada.

Mês do meio ambiente: é hora de garantir nosso futuro

Mês do meio ambiente: é hora de garantir nosso futuro

O mês do meio ambiente finalmente chegou. Não para ser celebrado, mas como um grito de socorro das entranhas do que chamamos natureza. Até quando o meio ambiente será tratado como uma pauta e não como totalidade? Como se nosso presente e futuro não dependessem primordialmente da natureza, não é mesmo?

O mundo enfrenta hoje o que chamamos de mudanças climáticas, ou, indo direto ao ponto, emergência climática, ocasionada pela intervenção humana (leia-se, principalmente, sociedade ocidentalizada e produtivista) através da emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. Os meios são variados: emissão direta de poluentes pela indústria, extração de combustíveis fósseis, desmatamento e expansão da agropecuária, desvalorização da agricultura familiar e agroecológica, matriz de transporte focado no transporte individual, entre outros.

Apesar de as causas parecerem distantes, as consequências do aquecimento global são sentidas todos os dias na pele de todas as pessoas da cidade, especialmente as periféricas. Secas prolongadas e falta de água na torneira, aumento no preço dos alimentos, chuvas torrenciais que alagam cidades em minutos, desabamentos das moradias mais precárias nos morros, doenças respiratórias que afetam diretamente crianças e idosos, temperaturas máximas e mínimas extremas e batendo recordes a todo momento… A lista é grande e só tende a crescer se não começarmos imediatamente a implementar políticas públicas que consigam barrar o aumento da temperatura da terra além de 1,5º C.

Infelizmente, essa não é a realidade de nossos governos. Vivemos sob uma gestão ecocida que foi inaugurada com uma das piores tragédias ecológicas do país – Brumadinho –, que vem sistematicamente desmontando a legislação ambiental, atacando os povos indígenas e tradicionais, além de ter ameaçado deixar o Acordo de Paris. Esse desmonte é liderado pelo antiministro Ricardo Salles, que está sendo acusado após a descoberta de fortes indícios que o ligam a esquemas de favorecimento de madeireiros e por dificultar a fiscalização ambiental. Recentemente a Polícia Federal, após busca e apreensão em dois endereços de escritórios de advocacia de Salles, também alegou que há fortes indicativos de que a empresa seja de fachada, usada para receber pagamentos indevidos.

Quando falamos do município, apesar de o discurso do Executivo não ser negacionista, fica cada vez mais difícil enxergar avanços. Após postergar por seis meses a publicação do Plano de Ação Climática de São Paulo, ele foi lançado no último dia 03 de junho, e o desafio é enorme: neutralizar as emissões de gases de efeito estufa até 2050. Agora a grande dúvida é: como enfrentaremos o maior desafio de nosso século se a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente segue sendo sucateada ano após ano? De 1% em 2010, o orçamento foi reduzido para 0,3% em 2021. Como poderemos dar conta da gestão de nossos parques, praças e áreas verdes, de nossas nascentes e rios, da proteção de nossos animais selvagens e da saúde de nossa população e dos locais onde vivem?

A situação se agravou agora que Ricardo Nunes, prefeito da cidade, nomeou Antonio Fernando Pinheiro Pedro como secretário executivo de mudanças climáticas. Pinheiro Pedro integrou a equipe que ajudou a pensar a política ambiental do governo ecocida de Bolsonaro, apoia Ricardo Salles, e chegou a afirmar ao jornal O GLOBO que havia a necessidade de desmontar medidas relacionadas ao Conama, à política de mudanças climáticas e de fiscalização ambiental. Ele também foi um grande apoiador de legislações que trarão consequências críticas ao meio ambiente, como o Novo Marco de Saneamento e a nova Lei de Licenciamento Ambiental.

A reflexão se aprofunda ao lembrar que na Câmara de Vereadores da maior cidade da América Latina não existe um espaço institucional de diálogo e articulação sobre meio ambiente entre quem faz leis e quem sente na pele o impacto delas. São Paulo carece de uma Frente Parlamentar Ambientalista, e por isso a Bancada Feminista do PSOL protocolou no primeiro dia desse mês um projeto de resolução para criação dessa frente a fim de viabilizar esse espaço e ter mais um instrumento na luta pelo meio ambiente em nossa cidade.

Nesse mês do meio ambiente, que passemos a encarar esse tema com a seriedade de quem precisa lutar pela própria sobrevivência do Planeta Terra. Na entrevista de Ailton Krenak ao Fórum Popular da Natureza, “O fim do capitalismo por Pachamama”, divulgada no último 31 de maio, o líder indígena nos lembra que as pessoas acham mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo, e afirma que precisamos responder à altura do massacre que vivemos. Por isso apostamos no ecossocialismo e na construção da cosmovisão indígena “Bem Viver” como alternativas ao fim do mundo. Vamos construir essa transformação?

Silvia Ferraro, Paula Nunes, Carolina Iara, Dafne Sena e Natália Chaves, covereadoras da Bancada Feminista do PSOL – mandata coletiva na Câmara Municipal de São Paulo

 

A crise institucional do Exército 

A crise institucional do Exército 

Jair Bolsonaro com militares em São Gabriel da Cachoeira (AM), em 27/5/2021. Foto: Marcos Corrêa/PR

As pessoas que, como eu, advogaram, ao longo de anos, em prol da maturidade institucional e democrática das Forças Armadas estão sendo questionadas por familiares, amigos e colegas de trabalho, diante de persistentes sinais de leniência profissional e distorção funcional por parte do Exército, que não envolvem a Marinha e a Aeronáutica.

Há um incômodo generalizado, que também avança entre militares, com a excessiva nomeação dos seus pares para funções de confiança, de caráter técnico, estranhas à sua formação. Não se questiona a legitimidade do exercício, por militares, de funções para as quais disponham da devida formação, mas há abundantes situações inversas. O caso mais evidente é o de Eduardo Pazuello, general da ativa, responsável solidário pelas mortes e sequelas evitáveis da pandemia. Há milhares de distorções desse gênero.

O presidente Jair Bolsonaro, em recente reunião com oficiais do Exército, em São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas, vangloriou-se por comandar um governo mais inchado de militares do que nos tempos de ditadura militar. Um tipo de fisiologismo superlativo que, no caso dos oficiais mais graduados, vai além do inócuo teto salarial constitucional de R$ 40 mil.

É falsa a presunção de que o militar, pelo simples fato de ser militar, aporte vantagem comparativa em relação ao civil. Veja-se o caso dos militares que traficavam cocaína no avião presidencial, cuja audácia criminosa tampouco deveria manchar a imagem da instituição militar. O que deve valer é a competência e não o vínculo corporativo do servidor nomeado.

O proselitismo corporativista do presidente carrega a intenção deliberada de amortecer a corporação, fisiologicamente, para obter lealdade pessoal acima da própria Constituição. Forja uma impressão de força para ameaçar os demais poderes e camuflar a sua perda de popularidade.

Flagrante impunidade

Supostamente, os comandantes militares sempre estiveram incomodados com a presença de um general da ativa num ministério técnico, como o da Saúde. A aplicação do preceito hierárquico de “um manda e o outro obedece”, não é simples assim, em nenhuma hipótese, muito menos no contexto de um governo negacionista, durante uma epidemia catastrófica. Trata-se de cumplicidade genocida.

Fato é que Pazuello não só se lixou para as sinalizações para se transferir para a reserva, como também o Exército se prestou a produzir e a distribuir cloroquina e outras drogas cuja ineficácia contra a Covid-19 ficou comprovada. Admitiu, assim, por outra via, a sua vinculação com a deturpação política da crise sanitária.

Ao contrário, o incômodo resultou na substituição arbitrária e intempestiva do ministro da Defesa e dos comandantes das três armas, com o deslocamento de Braga Neto para a Defesa. O novo ministro, por sua vez, não se constrangeu em perambular alegremente entre manifestantes golpistas na Esplanada dos Ministérios. É claro o intuito presidencial em fragilizar o profissionalismo e infectar a corporação com o vírus do extremismo ideológico.

A atitude de Pazuello de subir no palanque eleitoral de Bolsonaro em outra manifestação extremista no Rio de Janeiro, como um pré-candidato a qualquer cargo, depois de sair queimado do Ministério da Saúde e de mentir em depoimento à CPI do Senado que apura responsabilidades pela tragédia sanitária, foi uma afronta deliberada ao novo comandante do Exército, general Paulo Sérgio de Oliveira.

E o pior foi que o comandante aceitou a humilhante postura de engolir a afronta e de, simplesmente, inocentar Pazuello, aceitando a sua explicação de que não se tratava de um ato político, já que o presidente, assumidamente em campanha pela reeleição, está sem filiação partidária. Paulo Sérgio foi leniente com o uso político do Exército, gerando um péssimo precedente. Na última terça-feira, o Exército atribuiu 100 anos de sigilo ao processo disciplinar que inocentou Pazuello. Assim, reconheceu como impublicável sua decisão.

Omissão amazônica

Além do fisiologismo degradante e da tolerância com a sua utilização política, o Exército tem negligenciado a defesa da Amazônia, sua principal missão em tempos de paz, que sofre com o roubo de ouro por empresas de garimpo, associadas ao crime organizado. Facções criminosas, que disputam o controle dos presídios em Manaus, Boa Vista e outras cidades amazônicas, também  têm se financiado através da mineração predatória. Porém, o Exército tem desativado bases de fiscalização e tolerado atividades ilegais em áreas próximas a batalhões de fronteira.

Foi-se o tempo em que havia garimpo de bateia. Agora ele tem escala empresarial, utiliza enormes dragas e escavadeiras, requer logística aérea, armamentos pesados e pagamento de propinas para políticos, servidores públicos e índios cooptados. A mineração predatória não paga impostos, não respeita leis trabalhistas e deixa um passivo gigantesco de devastação nas áreas em que atua e para o conjunto da população.

O Exército tem negado apoio logístico à Polícia Federal (PF) em operações recentes de destruição de garimpos nas terras indígenas Munduruku (PA) Yanomami (RR) determinadas pelo STF. A sua omissão tem colocado em risco a vida de policiais federais e de lideranças indígenas contrárias à mineração predatória. O Exército alega falta de recursos, mas o Ministério da Defesa foi o único que teve aumento de orçamento e o Congresso aprovou uma Medida Provisória autorizando o repasse de diárias do Ibama para o Exército. Falta o quê?

Nos últimos dois anos, vem sendo cada vez mais frequente a associação da área militar com a economia predatória. A excessiva presença militar em cargos e atribuições diversas num governo que promove essa economia, contribui para essa associação. No contexto amazônico, significa um desastre estratégico diante da ameaça das mudanças climáticas globais.

Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, respondendo a inquérito sobre a sua atuação para liberar a maior carga de madeira ilegal já apreendida pela PF, declarou que foi o chefe da Casa Civil, general Luís Eduardo Ramos, quem lhe encaminhou políticos e madeireiros interessados na liberação da madeira. A operação da PF derivou de uma denúncia do governo dos EUA, que determinou a devolução ao Brasil de uma carga de madeira em toras, sem comprovação de origem.

A extração predatória de madeira não opera com o mesmo grau de ilegalidade da mineração predatória. É feita por empresas formalmente constituídas, que requerem autorização dos órgãos ambientais para o manejo florestal, mas utilizam planos de manejo falsos, não fiscalizados, que “lavam” a madeira extraída ilegalmente de unidades de conservação, terras indígenas e outras áreas públicas.

De qualquer forma, não há como se desenvolver empreendimentos legais e sustentáveis, minerais ou florestais, em regiões dominadas pela produção predatória, com a qual concorrem em franca desvantagem. A predação beneficia poucos, produz miséria e devastação, e impede uma economia compatível com as necessidades do país e os padrões atuais do mercado global.

Além disso, a violência é um elemento intrínseco da produção predatória. As empresas de garimpo, por exemplo, têm promovido ataques armados contra comunidades indígenas e bases operacionais dos órgãos ambientais, queimado casas de lideranças e sedes de associações que a ela se opõem, além de oferecer reação armada às operações policiais desprovidas do apoio logístico do Exército. Destrói a natureza e ameaça a vida alheia.

Desorientação estratégica

O aumento contínuo da temperatura média na superfície da Terra nos leva a um cenário inédito para a humanidade no decorrer deste século. Qualquer instituição estratégica considera os efeitos da mudança do clima, e o seu enfrentamento, como fundamentais para o futuro dos povos e para uma nova conformação das relações entre os países. Esse olhar estratégico fortalece-se na China, Índia, Rússia, União Europeia, Estados Unidos e em instituições como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Não é questão de ideologia, mas de sobrevivência presente e de posicionamento futuro.

Num contexto de escassez crescente de recursos naturais, de água doce, em particular, e de migrações em massa, a devastação da Amazônia, com incentivos à ocupação de terras públicas, mineração e extração madeireira predatórias, é a maior estupidez estratégica da história. Não é um tiro no pé, mas um míssil no coração. É o Brasil jogando fora seu próprio futuro.

O governo tenta negar a contribuição direta do aumento das queimadas e do desmatamento para os desequilíbrios climáticos que estamos vivendo, como a crise hídrica no Sudeste e no Centro-Oeste e as enchentes inéditas no norte da Amazônia, atribuindo-os ao efeito “La Niña” ou à mudança genérica do clima, como se fosse um fenômeno divino. Mas o cerco está se fechando, também, sobre o Brasil.

Estima-se em torno de 50% o aumento da média anual de emissões oriundas de desmatamento e incêndio florestal no biênio do governo Bolsonaro até agora, em relação ao quinquênio anterior. O dano fere o território e o povo brasileiro, mas tem escala para afetar o clima mundial e para prejudicar os esforços diplomáticos visando um novo acordo climático internacional, com metas mais ousadas para reduzir emissões, na COP-26, em novembro próximo, em Glasgow, Escócia.

A retórica nacionalisteira de que o Brasil tem o direito de destruir as florestas para desenvolver sua economia, assim como teriam feito os países mais ricos, não se sustenta. Entre 2006 e 2012, o Brasil promoveu significativa redução no desmatamento na Amazônia, enquanto havia crescimento efetivo do PIB, sendo que, agora, a economia patina enquanto o desmatamento explode.

Do isolamento à retaliação

EUA e China têm as maiores economias e são os maiores emissores de gases-estufa. Ambos mantêm conflitos e disputas geopolíticas, comerciais e tecnológicas, mas investem pesado na mudança das matrizes energéticas e convergem, assim como a União Européia, para um novo acordo climático. O Brasil está na contramão dos seus principais parceiros comerciais.

O governo Bolsonaro alcançou um grau inédito de isolamento, com instabilidade democrática, armamentismo, devastação ambiental, desrespeito aos direitos humanos em geral e gestão catastrófica da pandemia. O isolamento agravou-se com a vitória de Joe Biden, que espera do governo brasileiro resultados ainda este ano na redução do desmatamento, em troca de apoio financeiro dos EUA. Porém, o envolvimento de Salles com a exportação de madeira ilegal e alertas crescentes de desmatamentos na Amazônia minam as conversas bilaterais.

A inadimplência socioambiental está barrando o acesso do Brasil à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o acordo comercial entre o Mercosul e a União Européia. A inadimplência sanitária também não ajuda e o potencial de produção de novas cepas do coronavírus mantém o país isolado, enquanto outros controlam a epidemia e as suas economias recuperam-se.

Ao persistir nas ameaças à democracia, no negacionismo científico e na devastação da Amazônia, o governo Bolsonaro acabará sujeitando o Brasil a sofrer sanções políticas e comerciais por prejudicar os esforços internacionais para enfrentar a pandemia e a mudança do clima. Seria uma situação inédita, impondo um novo grande obstáculo para o país sair do fundo do poço.

Reconstrução institucional

Não há mal que dure para sempre, mas Bolsonaro quer continuar. Percebe a perda de popularidade, mas se mantém em campanha permanente para reter apoio suficiente para disputar a reeleição. Ao mesmo tempo, avança sobre o Exército como o último bastião da sua própria idolatria, para sujar de vez as mãos e a alma na aventura do auto-golpe, caso o povo o rejeite nas urnas. Recorre à Força, para compensar a própria fraqueza.

Pode até ser que alguma facção militar atreva-se a golpear poderes constituídos ou o resultado da eleição, mas enfrentaria rejeição majoritária e imediata dentro e fora do país. Não há nada na conjuntura atual comparável à do golpe militar de 1964. O desastre seria total.

Nem mesmo na decadência da ditadura houve tantas críticas aos militares e ao Exército como nesses dias. Elas não vêm só de políticos, mas de todos os que se sentem traídos e decepcionados com a atuação dos personagens que estão atrelando a imagem da corporação ao pior momento da nossa história recente. Vêm, inclusive, militares das três armas, da ativa e da reserva.

Livrar o Brasil desse presidente, nas urnas de 2022, será apenas um primeiro passo para recuperar o atraso. Sua passagem desastrosa pelo poder deixará sequelas de todas as ordens. Políticas e instituições de Estado terão que ser reconstruídas ou reinventadas, para que o Brasil tenha como encarar os enormes desafios do século.

Nesse contexto, o Exército terá que se rever, ou será revisto. O envolvimento com esse governo e as atitudes e declarações dos seus representantes mais visíveis, aparentes ou efetivos, mostram a necessidade urgente de incorporar conteúdos contemporâneos, estratégicos e civilizatórios à formação dos oficiais, que está substancialmente defasada e tem sido perigosamente manipulada.

De novo a barbárie

De novo a barbárie

Foto: Divulgação

“Neném, já me sinto pronta pra te receber, te amar, cuidar!!! Deus nos abençoe! Minha benção tem nome: Maya ou Zayon”, Kathlen Romeu

De novo a barbárie! Kathlen Romeu, uma jovem negra, de 24 anos, grávida e seu bebê foram mortos por causa de uma ação policial em Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio de Janeiro.

Interromperam duas vidas e destruíram a vida das suas famílias para um “confronto” mequetrefe com traficantes e apreensão de umas poucas armas.

Uma operação que não vai mudar nada no tráfico ou consumo de drogas, apenas reafirma o horror e a barbárie no nosso cotidiano e produz revolta.

Matam inocentes, violam direitos em nome de “confrontos” inúteis e uma política que enxuga gelo.

Matam a população, matam policiais quando o tráfico e o consumo de drogas não acabaram e nem vão acabar em país nenhum do mundo, a não ser com legalização ou regulação.

O problema não é nem o consumo de drogas e nem o tráfico, é a politica de Estado que elegeu a violência e a morte da população como padrão nessas operações.

1. Não é bala perdida, não é acaso, é o procedimento policial nas favelas que mata mulheres grávidas e crianças e o racismo nessas operações que matam prioritariamente jovens negros.

2. Não é guerra as drogas quando decidem que a vida da população das favelas, a vida de jovens negros e negras, vale MENOS e pode ser sacrificada. É uma guerra contra cidadãos.

3. Em que países o consumo de drogas (uma decisão individual e no máximo um problema de saúde pública a ser tratado) é combatido com uma guerra contra a população, que mata inocentes?

4. A política de proibição das drogas e a “guerra as drogas” já fracassaram no mundo todo e se mostrou ineficaz. O consumo de maconha, por exemplo, foi legalizado em vários países, como o Uruguai e em diferentes estados nos EUA, as drogas são totalmente acessíveis sem banhos de sangue.

5. Não são as drogas que matam no Brasil, para isso tem prevenção e educação, tratamento, são sua proibição irracional e a “guerra” contra drogas. Quem mata hoje é o Estado.

6. A proibição das drogas não gera lucros para o pequeno varejista, mas para os grandes empresários de drogas e para o sistema financeiro. A ilegalidade gera mais crime, violência, ilegalidades e mortes.

7. Existe plano, existem estudos, existe tecnologia e inteligência para reduzir a letalidade policial no Estado do Rio e no Brasil e para controlar violações de direitos humanos pelas forças de segurança, deter a morte de pessoas pelo Estado.

8. Mas parte das notícias e parte da sociedade não fala em deter a morte produzida pelo Estado, continuam falando de mortos por “bala perdida” e por “confronto de policias e traficantes”, enquanto matam Kathlen Romeu e seu bebê, cometem genocídio no Jacarezinho e destroem famílias inteiras e nos matam como sociedade.

9. Ah, mas e os traficantes? Nós não esperamos nada dos traficantes, mas deveríamos esperar que a polícia não se comportasse como o tráfico, apostando na morte e na barbárie.

10. Diante da tragédia da violência policial, existe uma segunda ainda mais tenebrosa: armar a população, para que ela se mate entre si! A polícia e a população não podem comprar a barbárie e a promessa estúpida de uma guerra civil como projeto de país.

Um mês da chacina do Jacarezinho — Pelo fim do regime de exceção nas favelas

Um mês da chacina do Jacarezinho — Pelo fim do regime de exceção nas favelas

Neste domingo fez um mês da chacina do Jacarezinho. Essa matança foi uma carta de apresentação deliberadamente escrita a sangue negro pelo novo governador do Rio, Cláudio Castro. Com esse espetáculo mórbido, o político bolsonarista quis satisfazer a sanha de quem aplaude a violência do Estado como suposta forma de obtenção da paz. Nem o antecessor de Castro, Wilson Witzel, autor da expressão “tiro na cabecinha”, protagonizou carnificina semelhante a do Jacarezinho. O governador defendeu o indefensável: respaldou a ação que, em dez horas, matou 28 pessoas e aterrorizou os moradores da favela da Zona Norte.

Na Operação Exceptius, o governo atuou à revelia da Constituição e dos tratados internacionais de direitos humanos. Castro pode vir a ser afastado do cargo por essa escolha pela barbárie racista e genocida. Nosso mandato notificou a ONU e a OEA das atrocidades cometidas no Jacarezinho. À ONU e ao Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) pedimos, por ofício, que venham ao Rio em missão urgente para acompanhar de perto as investigações e garantir que ocorram com lisura. O CNDH não só já respondeu positivamente como vai chegar ao Rio nesta semana para o acompanhamento direto das investigações. Demos também entrada em representação no MP estadual e no STF para a apuração das responsabilidades e para derrubar o sigilo que hoje vigora de cinco anos sobre as investigações referentes ao caso.

A chacina do Jacarezinho foi a maior já ocorrida na história do Rio, mas a matança do povo negro é sistemática. Segundo o Fogo Cruzado, houve 44 chacinas, com 170 mortos, em 2020, ano em que o ISP registrou, ao todo, 1.245 mortes em intervenções policiais. No primeiro trimestre deste ano, houve 453 desses homicídios. Em plena crise sanitária e socioeconômica, e na vigência da decisão do STF que suspendeu incursões em favelas, manteve-se no Rio a média de cinco mortos por dia. Esta é a média desde 1998, quando o Estado matou 20.535 pessoas, das quais 98,3% eram homens, 78,5% negros, 40,4% com 12 a 29 anos.

O derramamento do sangue negro nunca fez cócegas no poderio do crime organizado no Rio. O extermínio de gerações de jovens pobres jamais impediu o avanço do varejo do tráfico e das milícias, que hoje controlam mais da metade do território. Inteligência, investigação e estratégia seriam mais eficazes. Só que o governo insiste na política da morte, que mata também policiais, como o que morreu no Jacarezinho. Segundo o Ministério Público estadual, dos agentes mortos no Brasil em 2018, 26% eram do Rio.

Por tudo isso, precisamos e vamos insistir na cobrança da garantia de direitos e do combate estrutural à miséria como solução muito mais efetiva contra todas as formas de violência, inclusive contra a violência representada pela desigualdade e pela injustiça social. Não será com tiros de fuzil, mas com políticas públicas que se  reduzirá o aliciamento da juventude para o trabalho precarizado e de risco no varejo do tráfico e nas milícias.

Fortalecer a mobilização popular em resposta ao recado sangrento de Castro é uma necessidade. Basta de genocídio negro! Essa não é uma luta só de quem vive na linha de tiro. É dever de toda a sociedade. Não dá para naturalizar o apartheid, o regime de exceção e todas as formas de expressão da necropolítica em nosso estado. Não podemos permitir que o governo patrocine o julgamento, a condenação e a execução sumárias de jovens que sequer conheceram em suas trajetórias direitos básicos como o próprio respeito às suas existências. A tão sonhada paz só será possível no Rio se a população das favelas e periferias for incluída. Ou a exceção permanente seguirá como a regra para os corpos negros.

 

E @ palhaç@ o que é… uma figura que se posiciona! A posição do riso na rede, um manifesto!

E @ palhaç@ o que é… uma figura que se posiciona! A posição do riso na rede, um manifesto!

Falarei… sobre delírios aqui, porém os verdadeiros! Contumaz no início dessa coluna um desabafo à classe artística, que pode fazer parte de uma velha guarda, ou até alguns jovens que não se posicionam mesmo com muito poder de milhões em audiência, que se publicam através das redes, as e os artistas que migraram da televisão, influenciadores digitais, instagramers, comediantes de twitch.tv, Youtubers! Chamo a todes! Uni-vos, pelas redes. Assim como Tiktokers e Kpoppers se movimentaram contra o comício do velho presidente de topete e ex-apresentador de reality show (tomem cuidado com esse perfil, que estes gatunos tão querendo aparecer nas urnas em 2022). PRECISAMOS nos organizar!  O cerco está fechado tal qual a cabeça de agulha, não há mais, mas… temos que nos manifestar na medida do seguro e possível! Do impossível talvez, pois pensem só a condição desta sinopse que segue e vejam se vocês atuariam neste filme…

“… Era uma vez… Em um reino, desolado por uma grade aniquilação, perto do cinto do mundo, nos trópicos, se uniram em uma alucinante peripécia… Uma conselheira real do príncipe que vê símbolos fálicos em instituição de pesquisa sanitária da coroa, um nobre conselheiro do rei em assuntos culturais, que assusta armado, em tom jocoso, pessoas pelo corredor do palácio, um ex-senhor feudal de província, que receita em discurso sem camisa, solda elétrica, contra a Epidemia, que assola os moradores do reino, uma atriz, acompanhada por várias outres da classe artística, representantes da elite feudal, está achando o papo de morrer… pesado demais, e que vive citando puns de palhaços em seus discursos, além de gritar que as flâmulas do castelo nunca serão vermelhas, e balbuciar coisas como ‘pra frente covil, covil, salve a seleção!’ uma família real para lá de controversa, que vai de donos de manufaturas de doces, que recebe saquinhos de ouro rachados entre seus vassalos, e herdeiros com obsessões sobre armas, e que confabulam teorias sobre sociedades imaginárias de dragões vermelhos e mandam punir quem discorda destes frenesis.

Acompanhados por uma legião de lemingues de bigodes suntuosos, com motos e capacetes pontudos, conduzindo uma caravana delirante para o abismo, espalhando deliberadamente a ideia que um elixir mágico que vai protegê-los do Surto Epidêmico que assola o reino, baseados nas palavras de um conselheiro extravagante escondido em um bunker em outro reinado, e embalado por ritos de guerra como ‘É só uma Pestezinha’, e ‘Não somos Maricas!’ E tudo termina num dilúvio, de onde descerá a pouco um cara vestido de presidente, em cima de uma Banana Boat e jogará bananas em alguns jornalistas, e uma claquete pada dará risada deste show de horrores, dentro de um cercadinho  e de um picadeiro com bufões nada engraçados.”

… Essa trupe do barulho promete altas aventuras na condução do reino na Sessão da Tarde de hoje!

Enfim… não sei se vocês compartilham deste mesmo sentimento, mas eu queria que isso, que parece um roteiro muito ruim de comédia, nunca tivesse saído do papel, que estivesse em uma pilha empoeirada de um produtor de filmes de baixo orçamento em Hollywood, mas excepcionalmente, diante de muitas figurinhas fatalistas do ZAPI, de gatinhos com cara de choro, e frases como “daqui pra frente só pra trás”. Os algoritmos nos levam apenas a notícias de que as coisas estão indo para uma condução pior, como se diz por ai “Estamos Lascados”! Lógicos, os algoritmos só serão lúcidos em relação à lógica de novidades, se você partilhar de ideias que no mínimo entendem que a circunferência da terra vai para todos os lados e é esférica, caso contrário você partilha de pensamentos anacrônicos e está sendo conduzido em uma onda de notícias fraudulentas. Me desculpe, talvez, você esteja em um mundo paralelo dentro da Matrix (ou melhor na matrix mesmo sendo enganade).

Para quem entendeu o que está acontecendo, estamos vivendo um réquiem dos anos 90, somado à réquiem da ditadura, somado a costumes pudicos dos anos 40, em um anúncio de cigarro de Marlboro falso… e o Bufão de péssima qualidade que estava apenas nos churrascos e na TV, arquitetando o caos de referências ruins e estereótipos, está com o nosso leme nas mãos. Lembro que o nosso humor como nação, no geral, era bem peculiar quando eu era criança nos anos 80. Ríamos sob anestesia, nas novelas, programas da tarde, tínhamos figuras estereotipadas, que reforçam violências e preconceitos, lá no tempo do sushi erótico, nas banheiras dos domingos na TV, no tempo em que não se discutiam direitos na grande mídia, quando se construía um humor muito prejudicial que escancarou os anos noventa, e que reflete nos memes, e figurinhas na lógica atual da “zueira never end”, inclusive refletiu nas urnas de 2018.

Afinal a nova vibe “atitude coringa” é mais sobre dor, ódio contido, do que sobre ser palhaço. É uma onda angustiante, nonsense, estilo piscinas de Nutella, cenas esvaziadas, deste plano moderno volátil. O riso está ficando escasso e, junto a eles, os palhaços reais estão indo.

Porém, dentre alguns alívios cômicos e conscientes que podemos desfrutar em pequenos relâmpagos de prazer nas redes, temos a categoria das/ dos artistas de humor, que trafegam nos trazendo momentos de refresco nesta tragédia sem graça que se vive hoje, ou seja a estética “memeira” pode ser muito bem usada.

Tenho quase certeza que estes artistas, nessa vivência virtual, fizeram você dar tanta, mas tanta risada, que lhe faltou o ar. E que em pausa pensamos, é sobre exatamente o direito a dar risada, até esse ponto, do que estamos falando… nos roubam muito mais a cada dia, vidas, direito a respirar, direito ao pão, direto ao sustento, direito ao riso. Por isso, ao resistir com nosso riso, falamos também sobre a falta de ar que estamos vendo acontecer diante de nossos olhos a cada leito fechado e descaso, a cada remendo que se faz, em cada LIVE caçoando de forma necrófila de pessoas morrendo sem ar. Estamos em um embate estético, tanto numa crise artística, como da qualidade do riso do público. O problema aqui não é como se ri mais do que se ri, e é essa a batalha.

Além disso, é sobre o investimento de oxigênio para Manaus vir de doações de artistas, e de muitos humoristas, esses sim se posicionando com este ato. É sobre estarmos entre, entender o que é sério e correto pelo humor, e repelir o absurdo do discurso oficial. Estamos falando de uma mãe que vem até o jornal falar para todo o país sobre conhecer a cara de quem matou seu filho, e que não devemos sofrer com sua morte e que sim, que ele queria que resistíssemos com nosso sorriso. Estamos falando de respeito a muitas mães e parentes, de todas as pessoas que devem ser lembradas, com vidas ceifadas de uma hora para outra.

Perdemos quase 500 mil pessoas sem ar, sem riso, como um sopro venenoso, de 15 a 15 dias, nesta chiste nada engraçada que se tornou o país, estamos AGORA, nos compêndios do humor mundial, em uma página bem empoeirada, naquelas revistas de anedotas sexistas, preconceituosas de posto de estrada, só que ela é binária… só que a piada ruim corre rápido, mais rápido pelas redes, que a piada que precisa parar para entender, corre com a perna de um meme, se espalha como brincadeira e vira veneno. Precisamos começar a entender dessas coisas de construir um teatro de arena no espaço virtual, de espalhar memes e figurinhas com nossas caras, de se tornar novamente maiores que uma piada muito ruim, tomar conta da tecnologia de redes, com a tecnologia de riso! Gerar conteúdo sobre o riso também é se posicionar, sabemos que a maioria de nós não pode doar muitos bens ou quantias, mas temos uma tecnologia escassa e linda nas mãos, a capacidade de fazer rir, e isso espalhado nas redes também é uma posição, precisamos trocar o KKK, por o rsrsrsr o hahahaha o quaquaquaquaqua, na esfera semântica! Urgente!

Afinal, a profissão do humor e o resgate da sanidade através do legitimo sorriso, que faz pensar, está em perigo. Temos que armar uma arena de manifestos para salvar o que nos restou de sã no nosso ridículo de ser palhaços, uma comitiva de circo que corre de comunidade virtual a comunidade virtual avisando sobre a nudez do rei! Sabemos como sabemos, do desmonte que se há… que às vezes não temos como clowns, artistas, músicos, tirar dinheiro para o sustento, porém tiramos leite de pedra, força de levantar-se novamente, pois o ódio e as piadas que davam “vergonha alheia” estão tomando conta de tudo, conta de nossas vidas, deixando isso virar instituição! Independente das camadas jurídicas e de crime que envolvem, pois envolvem e muito, estou falando aqui de algo muito mais sutil, estou falando da coisa que se tornou grande da reviravolta, onde a galera do fundão, os trolls dos memes viraram, REIS, e suas bundas estão sob a nossa cabeça, momento do qual, a cada dia se faz a certeza do Greg: Estamos diante de um bufão! Montado em um unicórnio inflável feito de saquinho de ódio e fake news. Estamos diante do tipo de persona do humor que de longe se assemelha ao elenco do filme Pink Flamingo, mas que contribui com o humor escatológico, harmonizado com delírios narcísicos sem graça de homens frustrados, que gastam mais tempo com problemas para eles “essenciais” de cunho erétil, do que com saúde pública… e o que se faz com isso?

Abraçando árvores virtuais? Em uma seita de positividade tóxica, vomitando – Gratiluz, profetizando “e tudo bem também”? Sabemos que está tudo pesado, e que a prática da violência não é o caminho, mas precisamos agir de forma a se orientar a criar grupos de ajuda a entender melhor como uma, um, ume artista, pode usar melhor as plataformas, para burlar os algoritmos, criar sistemas de proteção que caminhem de forma paralela com ele, criando uma rede de proteção de conteúdos bons, de humor que traz ao menos respeito.

A capacidade de rir é uma tecnologia que pode ser adaptada pelo corpo e pelo tempo histórico, em 40 ríamos de filmes de palhaço com Fellini, e Charlie Chaplin, com sua escancarada esquete “O Grande Ditador” (totalmente recente) em meio aos absurdos da violência nazista. Na década de 60 riamos das paródias acidas construídas pelas Drags de Dzi Croquetes em plena linha dura militar do golpe. Nos anos 70 tínhamos o começo da Grande Família, parodiando a própria vida, mais pra frente com as grandes sacadas da saudosa Fernanda Young e seu incríveis roteiros. Ademais, hoje temos inúmeras e muito grandes iniciativas de humor, muitas mesmos, mas precisamos ajudar as menores, as que não têm facilidades com plataformas. Não vou citar aqui nomes, quero que vocês citem nos comentários, com qual artistas ativista você dá risada? O que posso afirmar é que temos muitos recursos do riso, e formas de se fazer rir, boas e vigentes no mundo de bits, e esses não estão escassos como a capacidade de gerir um país em estado de calamidade.

Temos que resgatar a tecnologia do riso, e sua capacidade de manifesto! Podemos notar a capacidade tecnológica do riso, o ato de rir libera serotonina neurotransmissor relacionado ao bem viver, protege o coração contra infarto, trombose e acidente vascular. Podemos de forma lúdica ou não, estender aos profissionais de saúde mental os chamados Doutores da Alegria, projeto de 1991, e que deve ser defendido e apoiado, e muitas vezes não é enxergado.

Eu tenho formação em Clown pela Oficina do Riso. Ao fazer rir, nós apenas assumimos o nosso ridículo, revelamos a parte que ninguém quer ver da pífia e volátil concretude do normal. Porém, aqui na peça: “a piada que parece pronta que também é um país”… Sabemos que tudo pode ter começado com o respaldo dos intelectuais conservadores, jogam um livrinho sem graça nenhuma, falando que o politicamente correto está afetando a construção social ( não adianta vir se redimir agora não, você sabe quem você é e o que o seu discurso provocou), dando voz a lunáticos, que depois sustentam chamadas sérias do tipo “uma decisão difícil”. O tirar barato aqui saiu muito caro… porque os bebezões da quinta série de adultos se sentiram ameaçados em suas redomas de privilégios, pela sociedade que, diferente deles, evoluiu no panteão dos direitos humanos, e juntos … tomados, digamos …. pelo palco de Pânico, se põe em uma situação de “vítima”. Eo que se dá, temos que impor incisivamente, nosso parecer técnico no quesito humor. Precisamos nos manifestar, vir a público e colocar um crivo, um limite nesses maiores abandonados que correm de moto em um sonho infantil Easy Rider, fazendo cosplay de besta do apocalipse conduzidos pelo mestre do terror, falta equipe técnica também no quesito limites do humor, neste executivo.

Para nossa sorte, existem ainda ótimos palhaços ( e por favor, campo progressista não usem nossas personas e nem nossos narizes de forma leviana). Os bons palhaços usam o riso de forma resistente, mostram a felicidade de se estar de pé, sendo o acalanto, nos stories e feeds, e junto a estes que estão aqui lá do lado dos que partiram, que está agora junto com Piolin, e muitos outras potências do humor que percorreram o país, está nesse panteão dos deuses do riso. Nosso grande Paulo Gustavo, um representante de muitas pautas, se foi iluminar o Orum, com todas suas personas, com sua Dona Hermínia, falando para a gente que é sim possível fazer um humor com qualidade, incluindo e unindo pautas importantes. Mesmo assim fazendo todes rirem, ele se vai deixa um companheiro, dois filhos, e uma família chamada Brasil … muda e por instantes da notícia… sem sorriso!

Mas sempre a resistir! Não podemos sucumbir a certas dores, temos muito a honrar quando viramos para a plateia e arrumamos nossos narizes. Honrar os que já nos deixaram, garantir que o texto da Mãe ser uma Peça nunca pode ser um drama e sempre uma comédia. Prometam para Ele, também prometo a meu avô Nardão, que fazia peças de palhaço no púlpito da igreja para as crianças da comunidade da zona norte, quando não havia missas. Prometemos, para todes que estão e já se foram, vamos usar nosso gás de riso para provocar uma revolução! Eu clamo pelo Manifesto do Riso consciente nas redes, usem suas plataformas de audiência para tornar as pessoas lúcidas, esta é a hora, precisamos criar esta onda de risos! Gratidão, respeitável público! E para você que ainda quer atuar no filme da sinopse acima, só te falo uma coisa… não passarão!

E nesse info-inferno de Dante, nós aqui da COLUNINJASTECH, não queimaremos na parte mais quente do hardware, reservada aos que optam pela neutralidade em tempos de crise, vemos aqui a reação, do 29M, provando que, se saímos nas ruas sem vacinas para protestar, é que alguma coisa está mais perigosa que o próprio vírus. Te dou uma bitoca no seu nariz (depois da pandemia lógico) e  pirulito gigante do seriado Chaves se você acertar, aqui nós temos posições obvias, sem medo! Não sei a data que a coluna será publicada, mas que venha o 19J, pois se posicionar é uma questão de respeito!

 

Contagem no clima: é urgente e necessária a transição ecológica da cidade

Contagem no clima: é urgente e necessária a transição ecológica da cidade

É notável que o ano de 2021 começou com essa mistura de incertezas, expectativas e um forte senso de urgência. 2021 marca o início de uma nova década cheia de grandes desafios como a emergência climática, a necessidade de tornar as economias mais limpas, de mudar a nossa relação com o meio ambiente, o uso da terra, os espaços urbanos, reduzir as desigualdades e o racismo. As cidades têm sentido cada vez mais os efeitos da emergência climática no cotidiano de suas populações. Mudanças no regime das chuvas, intensificação das secas, escassez de água, tempestades, inundações, alterações de ecossistemas, redução da biodiversidade são alguns dos eventos causados pelas alterações no clima.

As cidades são protagonistas na luta contra a emergência climática, o poder público têm uma grande responsabilidade de encontrar alternativas para enfrentar as vulnerabilidades do território e proteger seus cidadãos. A pandemia de Covid-19 acionou o alerta para a forma como a desigualdade estrutural opera em todas as esferas, ditando quem serão suas principais vítimas. Esta realidade é global e deve ser agravada ano após ano com a intensificação da crise climática, que inclui aumento da temperatura atmosférica a índices insalubres, maior incidência de tempestades e enchentes, entre outros fatores.

Celebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é o maior evento anual das Nações Unidas para sensibilizar e promover a ação ambiental e a necessidade de proteger o nosso planeta. Desde que foi comemorado pela primeira vez em 1974, o evento tornou-se uma plataforma global de divulgação sobre o meio ambiente em mais de 100 países. O desenvolvimento sustentável e a emergência climática desponta como dois dos grandes assuntos a serem discutidos durante os próximos dez anos, ainda mais se avaliarmos o impacto dos danos ao meio ambiente sobre a vida dos seres humanos e a pandemia de Covid-19 ainda está aqui para nos lembrar do que seguiremos enfrentando em um futuro muito próximo.

Em 2021, devemos tomar medidas ousadas para passar da crise à cura e ao fazê-lo, devemos reconhecer que a restauração da natureza é imperativa para a sobrevivência de nosso planeta e da humanidade. A qualidade do ar precisa ganhar atenção dos tomadores de decisão aqui em Contagem e em toda a região metropolitana de Belo Horizonte. Um problema “invisível” que torna as pessoas mais vulneráveis à doenças respiratórias como a própria Covid-19. A poluição do ar é um problema crônico brasileiro e um desafio ambiental que traz consequências diretas para a saúde, a economia e o clima. A nossa legislação atual é insuficiente e poucos são os municípios que realizam o monitoramento dos níveis de poluentes no ar, comprometendo a gestão do problema. Além do mais, o Brasil adota padrões muito permissivos do que os recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

É urgente e imprescindível que sejam restabelecidos os reservatórios naturais de carbono tais como as florestas e os bosques. Estes esforços poderão ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 25% até 2030. O plantio de espécies de árvores nativas também pode ajudar a amortecer alguns dos efeitos devastadores esperados em um planeta em aquecimento, tais como o aumento do risco de incêndios. Atualmente, 3,2 bilhões de pessoas, isto é, 40% da população mundial sofrem com a contínua degradação dos ecossistemas, perdendo, por exemplo, o acesso a solos férteis ou água potável.

Com o país ainda sob o comando de Jair Bolsonaro, teremos o biênio mais difícil para o meio ambiente, em uma luta para conseguirmos proteger minimamente nossos biomas contra madeireiros e garimpeiros ilegais, contra incendiários e aqueles que desrespeitam os regulamentos ambientais. O mundo mantém seus olhos bem abertos sobre a Amazônia, pulmão do planeta, as novas formas de consumo prosseguirão no centro dos debates, assim como a economia verde, as cidades sustentáveis e as discussões científicas sobre o possível surgimento de novas doenças a partir da destruição da natureza.

A negligência com o meio ambiente e o racismo ambiental penalizam comunidades negras e periféricas, sendo estas comunidades e sua população excluídas dos processos de participação política e da resolução dos seus problemas. A agenda ambiental é fundamental para lembramos no poder público quais são os territórios empobrecidos e comunidades vulnerabilizadas com a falta de saneamento básico, com o não reconhecimento e a não efetivação de seus direitos, com a marginalização, com a contaminação e a destruição de seus territórios, do seu solo e da sua água. Nossa luta é para que as pessoas deixem de ser expulsas de seus territórios por empreendimentos como hidrelétricas, mineração e rodoanéis ou mesmo quando elas não são expulsas, mas precisam lidar com os impactos sociais e ambientais desses projetos de “desenvolvimento”. Com muitas aspas nesse ‘desenvolvimento’. É um desenvolvimento para quem? De que tipo de desenvolvimento a gente está falando?

Por isso, é mais que necessário o debate ambiental nas esferas urbanas e para fomentar a discussão acerca deste assunto, iniciei uma série de ações e propostas intituladas “Contagem no Clima”, onde protocolei na Câmara Municipal três projetos de lei – PL e uma indicação que instituem a política de sustentabilidade e enfrentamento das mudanças climáticas; política de incentivo à prática de compostagem de resíduos orgânicos na cidade; implementação do programa de Hortas Comunitárias em Terrenos Sustentáveis e Quintais Produtivos Agroecológicos no município de Contagem; coleta seletiva em todos os territórios da cidade. E ainda, no intuito de educar e informar a população acerca das questões ambientais, realizaremos toda sexta-feira, cinco cursos online, gratuitos e com emissão de certificado, que abordam as temáticas do meio ambiente, por meio do Mandato Formativo, são eles: Limpeza urbana e coleta seletiva; Que educação ambiental queremos; Cidades Sustentáveis; Redes agroecológicos em MG e no Brasil; Revisão do Plano Diretor.

Defender e lutar por uma transição ecológica nos permitirá transformar a crise ambiental em uma oportunidade para o bem viver do povo de Contagem. Os investimentos em agroecologia, a criação de hortas comunitárias a ampliação de quintais produtivos, a implementação de uma política de compostagem e um programa sólido de mitigações climáticas impactarão na mudança da estrutura produtiva em nosso município e vai garantir um futuro sustentável em que todos possam respirar ar limpo, beber água potável, comer alimentos saudáveis, usufruir de rios salubres, viver com saúde, ter empregos dignos e se orgulhar de nossas comunidade. Os investimentos de baixo carbono ajudarão a modernizar e a dinamizar a economia local. A Câmara Municipal de Contagem precisa aprovar leis que contribuirão para construir novas capacidades tecnológicas e inovação, agregando valor à nossa sociobiodiversidade, tornando a economia da cidade mais competitiva, garantindo a renda da nossa gente e promovendo a inclusão social.

O golpe tava aí. Caiu quem quis…

O golpe tava aí. Caiu quem quis…

O Brasil acima de tudo. Deus acima de todos. O slogan é praticamente infalível. Apesar de vivermos sob a égide de um Estado laico, quem em um país de maioria cristã, a não ser os ateus convictos, poderia questioná-lo com maior veemência? Que brasileiro, de direita ou de esquerda, seria contra a sua própria pátria?

Apropriar-se, em discurso, dos valores morais que são mais caros a maioria absoluta das pessoas (a crença em sua divindade, o amor à sua família e o respeito à sua pátria), bem como usurpar os símbolos nacionais é uma receita de sucesso. Funcionou no nazismo de Hitler, no fascismo de Mussolini e continua funcionando em todos os regimes totalitário-nacionalistas e/ou fundamentalista-religiosos.

Porém, trata-se apenas de charlatanismo político. Afinal, não há respeito à família por parte daquele que já se casou três vezes, abandonando as esposas para trocá-las por novinhas, tão logo a idade lhes roube a jovialidade.

Da mesma forma, não há respeito a Deus por parte daquele que desdenha e debocha do sofrimento alheio, que se omitiu em adotar as providências adequadas para evitar a morte de, ao menos, parte das mais de 470 mil vítimas da pandemia de covid-19.

Não há respeito à pátria por quem desrespeita a Constituição da República, incitando a população a atentar contra os membros das instituições democráticas ou tentando apoderar-se das Forças Armadas como se fossem suas. É como na conhecida e multicitada frase do literato inglês Samuel Johnson: “o patriotismo é o último refúgio do canalha.”

Além de apropriar-se de valores universais, o bolsonarismo finge, diuturnamente, se importar com a corrupção. Balela: o envolvimento do presidente e de sua matilha com milicianos e suas milícias, os funcionários fantasmas, as rachadinhas, os milhões de reais lavados com a compra de imóveis e em lojas de chocolate, a nova regra do teto salarial, o orçamento paralelo e as emendas parlamentares extra-orçamentárias provam que a corrupção só incomoda se for aquela praticada por seus adversários. Se for praticada por aliados, pode.

O charlatanismo político e o estelionato eleitoral, ambos praticados por Bolsonaro, apenas comprovam o que, de há muito, já se sabe: não se governa apenas com discursos, bravatas ou contendas. É necessário competência político-administrativa e técnico-gerencial para produzir bons resultados de governo.

Infelizmente, parte significativa da população ainda escolhe seus candidatos por critérios que não dizem respeito, diretamente, àquilo que de fato importa. Acabam escolhendo o mais bonito, o mais charmoso, o mais simpático, o amigão, o “100% popular”, com maior estrutura de campanha, mais dinheiro… Esquecem que eleições para cargos político-eletivos não são concurso para Miss Simpatia.

Popularidade, charme, simpatia e sucesso eleitoral nunca foram sinônimos de sucesso na gestão. O presidente Jair Bolsonaro, o governador Gladson Cameli e o prefeito Tião Bocalom são a prova disso: apesar de fenômenos nas urnas, nenhum dos três consegue apresentar resultados minimamente decentes de gestão. Isso porque nenhum dos três tem capacidade para tal. Não se prepararam para isso, nem sob o ponto de vista acadêmico e nem sob o prisma da experiência de vida. Sem querer ofender, mas, são apenas boçais, ignorantes, carentes de qualquer habilidade ou competência que lhes credencie a atuar como bons gestores. O golpe tava aí, caiu quem quis…

Como uma lei matemática pode ajudar a descobrir robôs bolsonaristas?

Como uma lei matemática pode ajudar a descobrir robôs bolsonaristas?

Uma simples regra de estatística, muito utilizada pelos governos do mundo para desvendar fraudes e até pela ciência para prever erupções de vulcões, a lei de Benford é um método rápido e fácil para determinar se um conjunto de dados é suspeito de ter sido manipulado.

Ela surgiu por acaso, há aproximadamente 133 anos pelo astrônomo Simon Newcomb (Nova Escócia, 1835  – 1909).

Simon estava despretensiosamente folheando um livro antigo de logaritmos numa biblioteca quando notou um certo padrão nos exemplares ali presentes. No começo todos tinham páginas desgastadas e as últimas folhas super conservadas.

Dessa observação ele deu início aos estudos. No começo não ganhou notoriedade, até que em 1938, o engenheiro e físico americano Frank Benford (Pensilvânia, 1883 –  1948)  provou que a teoria de Newcomb fazia muito sentido e prosseguiu com as pesquisas.

Mas o que seria a lei de Newcomb Benford, afinal?

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LEI DE NEWCOMB BENFORD

Imagine que você tem um monte de números aleatórios entre 1 e 999.999.

A lei diz que, em uma lista de números, existe um padrão de ocorrência dos primeiros dígitos, ou seja, nos números antes da vírgula.

Se analisarmos esses dados numéricos, provavelmente, segundo a lei de Benford, serão encontrados cerca de 30% de números que começam com 117% que começam com 2, 12% que começam com 3, e assim por diante, sempre diminuindo até o 9.

Incrível, não?

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Como nessa tabela:

Esse padrão vai formar um gráfico, com uma curva decrescente de forma logarítmica!

Como uma cientista norte-americana encontrou bots russos no Twitter com essa ferramenta?

Foto: Canal YouTube Jen Golbeck

A cientista da computação e pesquisadora de mídias sociais Jennifer Golbeck (Crystal Lake, IIIinois, 1976) teve a brilhante  ideia de aplicar essa ferramenta nas redes sociais.

Ela diz que dá para detectar irregularidades nas finanças com essa regra, mas também é possível encontrar fraudes nas redes sociais.

Ele fez uma correlação com os dados dos usuários analisados e seus seguidores. Os resultados foram surpreendentes! 

Você pode ler o artigo completo da Jennifer nesse link

Jennifer aplicou a lei matemática nas principais mídias sociais: Twitter, Pinterest, Facebook e a extinta Google +.

Mas a que mais chamou a atenção foi o Twitter:

Dentro dos 50 mil dados de usuários, apenas 170 não seguiam a lei de Benford.

“Como tínhamos dados públicos para o Twitter, pudemos investigar essas contas com baixas correlações. Quase todas as 170 pareciam estar envolvidas em atividades suspeitas. Algumas contas eram spam, mas a maioria fazia parte de uma rede de bots russos que postavam trechos aleatórios de obras literárias”.

Sim, ela conseguiu identificar Bots com essa ferramenta, isso é muito importante!

Para quem não sabe, bots são aplicações autônomas que rodam na Internet enquanto desempenham algum tipo de tarefa pré-determinada. Eles podem ser inofensivos para os usuários em geral, mas também podem ser usados de forma abusiva por criminosos, como propagar fake news.

Como essa ferramenta pode nos ajudar

Como muitos sabem, aqui no Brasil bots são utilizados de forma criminosa pela milícia.

Após 2018, ficou claro que as redes sociais exercem grande influência no cenário político brasileiro.

Podemos citar os bots Bolsonaristas que propagam fake news e sempre colocam em evidência alguma hashtag absurda, desde as eleições de 2018 até os dias de hoje.

Muitas vezes até com erros de português.

Um levantamento feito pela plataforma Bot Sentinel, que analisa publicações nas redes feitas por robôs, apontou um aumento de 3.441% nas interações em favor do presidente no mês de março de 2021.

Não é difícil encontrar matérias comprovando que a maioria dos seguidores desse genocida são fakes.

E eles continuam muito ativos. Recentemente robôs bolsonaristas tentaram derrubar um discurso feito pelo ex-presidente Lula.

MAS NEM TUDO SÃO FLORES…

A lei Benford não é muito eficaz em alguns casos, como por exemplo, desvendar fraudes nas eleições, como diz o estudos de Michelle Brown (Reino Unido, 1969), da Universidade Georgetown. Ao aplicar a ferramenta nos dados de votos de uma assembleia nos EUA, ela notou dados inconsistentes, pois as distribuições de números são mais complexas. Você pode ler os estudos da Michelle aqui.

Outro estudo feito por professores da Universidade de Oregon e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA , disponível nesse link, reforça os estudos de Brown.

No Brasil, pelo menos quatro pesquisadores demonstraram que essa teoria se torna inútil para desvendar fraudes nas eleições. 

Importante ressaltar isso, pois em 2018 durante as eleições, houve uma  “Operação Antifraude” feita pelo bolsonarista Hugo César Hoeschl. Ele queria provar a todo custo que o primeiro turno foi fraudado na época, como você pode ler nessa matéria.

Nada surpreendente! Como grande maioria dos admiradores do mito, ele não preza muito pela ciência, mas quando utilizam de alguma ferramenta, agem de má fé. Aqui no Brasil ou você defende a ciência ou o Bolsonaro, os dois não dá!

via GIFER

A ciência pode ser uma grande aliada para derrubar esse crime cibernético cometido pelos milicianos, que infelizmente estão no poder.

Nós sabemos onde isso nos levou, por isso é de extrema importância utilizar todas as formas possíveis e imagináveis para derrotar a milícia e o Bolsonaro que faz parte dela, com toda sua família.

Estamos pagando muito caro, fake news fez a cabeça de muita gente, algumas foram convencidas pelo desespero, pela falta de informação, é muito triste ver para onde tudo isso nos levou.

Agora não dá mais, precisamos mudar esse cenário apocalíptico, lutar com todas as forças e utilizar todas as armas disponíveis, a ciência é uma delas. E #forabolsonarogenocida.

Foi lindo ver o Brasil todo se manifestando no dia 29, encheu nosso coração de esperança novamente. Seguimos lutando.

“Nem de esquerda, nem de direita”. Se isentar é delirante!

“Nem de esquerda, nem de direita”. Se isentar é delirante!

Imagem-meme / Divulgação

Se isentar é delirante! A cultura do cancelamento não basta em uma democracia, mas as redes e as polêmicas envolvendo celebridades ajudam a entender que ficar “em silêncio” hoje em meio a uma catástrofe política e humanitária é socialmente inaceitável.

“Não sou bolsominon, não apoio os ideais arrogantes de extrema direita e nem apoio os delírios comunistas da extrema esquerda”.

A atriz Juliana Paes lançou um “movimento” inusitado: a manifestação pelo direito à não manifestação! O protesto pelo direito ao não protesto e a omissão.

Um vídeo-manifesto que toma partido para não tomar partido em um país que não está “dividido” ou polarizado simplesmente, está estraçalhado.

Quando milhares de brasileiros têm que se manifestar para defender a vida, a vacina, o auxílio emergencial, as universidades públicas, os povos indígenas, a juventude negra, a cultura, o meio ambiente, etc se isentar é que é delirante!

A omissão e isenção nesse momento são um real extremismo, sempre foram. Quando não são um bolsonarismo enrustido ou envergonhado.

E esses “comunistas delirantes”? Onde vivem? O que comem? Quem explica pra ela que o “comunismo brasileiro” é um delírio da extrema direita?

Quem explica pra ela que nós não conseguimos nem ser capitalistas direito? Temos um capitalismo mafioso/miliciano e neoescravocrata.

Mas Juliana Paes tem razão em uma coisa, não é só ela que pensa assim! “Eu estou no lugar do desamparo”.

“Quero respeito, acolhimento a todas as causas minoritárias, mas quero que isso aconteça independentemente de ideologia política. Eu quero respeito, equidade, empatia entre as mulheres”, etc

Quem explica pra ela que isso tudo não é uma operação mágica “independentemente” de política? E quanto mais Julianas e artistas e todos e todas se manifestarem, se posicionarem mais chances dessas mudanças acontecerem. Porque 460 mil brasileiros mortos estes sim não podem mais falar.

A cultura do cancelamento é muito cruel e fulminante, mas também é pedagógica. Em uma democracia em agonia quem não se posicionar já se posicionou!