O objetivo da PF é identificar todos os manifestantes e eventuais financiadores dos atentados terroristas em Brasília

Bolsonaristas praticaram atos de terrorismo na região central de Brasília. Foto: Reprodução/Twitter

A Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil do Distrito Federal iniciaram a Operação Nero para prender suspeitos de envolvimento em atentados terroristas em Brasília no último dia 12 de dezembro. As ordens de prisão foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao todo, são cumpridos 32 mandados de prisão e de busca e apreensão. A operação acontece simultaneamente em Rondônia, Pará, Mato Grosso, Tocantins, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

A investigação foi aberta depois que extremistas tentaram invadir a sede da Polícia Federal no DF diante da prisão do indígena bolsonarista José Acácio Serere Xavante. O grupo também incendiou carros e ônibus, depredou a 5ª Delegacia de Polícia da capital federal e fechou vias.

O objetivo da PF é identificar todos os manifestantes e eventuais financiadores.

“O conjunto da investigação buscou identificar e individualizar as condutas dos suspeitos de depredar bens públicos e particulares, fornecer recursos para os atos criminosos ou, ainda, incitar a prática de vandalismo”, informou a PF.

Segundo os representantes das polícias, mais de 40 pessoas que participaram desses atos já foram identificadas. Foi destacado, ainda, que os suspeitos podem estar ligados à tentativa de explodir uma bomba no Aeroporto de Brasília na véspera do Natal, já que as pessoas envolvidas no atentado frequentavam manifestações em frente ao QG do Exército na cidade.

Até o momento, a investigação encontrou indícios de crimes de dano qualificado, incêndio majorado, associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Em caso de condenação, as penas podem chegar a 34 anos de prisão.

O futuro ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou que as ações policiais deflagradas na manhã desta quinta-feira, 29, para prender suspeitos de envolvimento em atos antidemocráticos pretendem garantir o Estado de Direito e que liberdade de expressão não abrange terrorismo.

“As ações policiais em curso visam a garantir o Estado de Direito, na dimensão fundamental da proteção à vida e ao patrimônio. Motivos políticos não legitimam incêndios criminosos, ataques à sede da Polícia Federal, depredações, bombas. Liberdade de expressão não abrange terrorismo”, escreveu Dino nas redes sociais.

Terrorismo em Brasília

A noite do dia 12 de dezembro foi marcada por um conjunto de atos de vandalismo em Brasília. Manifestantes inconformados com a vitória e a posse iminente do presidente eleito da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incendiaram ônibus e carros, depredaram prédios públicos e privados, tentaram invadir sede da Polícia Federal e cercar o hotel em que o petista estava hospedado, após sua diplomação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O estopim para os atos de violência foi a prisão temporária, por dez dias, do líder indígena José Acácio Serere Xavante, apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL). A ordem foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), por suspeita de insuflar manifestações antidemocráticas em vários pontos de Brasília.

Na época, o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Júlio Danilo, afirmou que uma parcela dos autores dos atos também fazia parte de um acampamento que se alojou em frente ao Quartel General do Exército.

Desde a divulgação, no início de novembro, do resultado do segundo turno, eleitores do presidente Bolsonaro montaram uma espécie de vigília aos arredores dos prédios das forças militares de diversos Estados.

Com a bandeira do Brasil nas costas, esses apoiadores têm pedido por intervenção militar para reverter o cenário das votações para a Presidência da República, o que é inconstitucional.

Com informações da Agência Estado

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