Foto: Rovena Rosa / Ag Brasil

Vez ou outra quando há alguma decisão polêmica do Supremo Tribunal Federal (STF) que interfira em interesses das elites poderosas do Brasil logo aparece na imprensa notícias como: “Ibovespa cai 4% após anulação de condenações de Lula”, ou “Intervenção de Bolsonaro na Petrobras derruba Bolsa e faz estatais perderem R$ 113,2 bilhões”.

Da esquerda à direita esse mesmo “humor” é estratégia recorrente para manipular sentimentos e projetos econômicos. Essa volatilidade quase sempre não se sustenta e o valor de mercado é retomado logo depois.

Mas aí fica um questionamento legítimo: representa quem na sociedade brasileira atual se não os empresários bilionários com ações na Bolsa? E quem, de fato, é esse “mercado” que aparece normalmente oculto como personagem nas matérias, mas presente com força de lobby na defesa dos seus interesses, por vezes contrários a de 99% da população brasileira?

Essas provocações internalizadas me incitaram no Twitter a recomendar à Bolsa de Valores, seus respectivos colaboradores e parte da imprensa brasileira um FODA-SE. Em caixa alta mesmo. Não me regozijo dessa manifestação desbocada à la Ciro Gomes. Se minha mãe a ouvisse dizê-lo acho que me repreenderia, justificando que cristãos não devem falar palavrão.

Mas é igualmente cristão um mercado que trata a morte de 265.411 brasileiros como apenas mais um número?

De uma imprensa que contabiliza friamente os números diários de mortes pela Covid-19, a média hoje passa de mil, como apenas um mero dado estatístico?

De uma gasolina a R$ 6 reais, o gás de cozinha a R$ 105, arroz, feijão, carne e ovo com preço nas alturas. Quem desse “mercado” se manifestou contra o brasileiro pobre em sua defesa mais legítima, a sobrevivência digna, o direito a comer?

É esse mesmo “mercado” que vocaliza suas supostas preocupações, mas se cala diante da ameaça de um Bolsonaro que sugere um golpe militar no país? Que nem piscou quando o anti-ministro Eduardo Pesadelo não planejou adequadamente a compra de vacinas a fim de acelerar a saída do Brasil da crise econômica?

É essa mesma Bolsa que não decaiu um mísero ponto sequer nas reiteradas campanhas do presidente contra a vacina? Provocando aglomeração? Fazendo propaganda de remédio ineficaz?

Quando esse mesmo mercado esteve aí para o dólar a R$ 6 reais? A Libra a R$ 8,12 reais? O Euro a R$ 6,96? Nunca esteve, pois isso é bom para a rentabilidade. A deles. Esse sobe e desce na bolsa por especuladores e “especialistas” objetiva unicamente manipular sentimentos e projetos econômicos.

Por fim, a decisão do ministro Edson Fachin deste 8 de março teve como finalidade o restabelecimento do Estado Democrático de Direito e do devido processo legal. Que assim seja seguido pelo restante do plenário assim que a decisão for remetida à Corte.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Renata Souza

Parlamentares na luta contra a LGBTIfobia

Juca Ferreira

Democracia no Chile e no Brasil

Colunista NINJA

Abolição inconclusa

Juca Ferreira

As ruas vida e morte

Márcio Santilli

A disputa pelo “Centro” e a chance da “terceira via”

Laryssa Sampaio

O medo de sentir medo da Chapeuzinho Amarelo de Chico Buarque

Álamo Facó

Marielle Franco e Paulo Gustavo vão derrubar Bolsonaro

Moara Saboia

Racistas e machistas não passarão!

Ana Claudino

Lésbicas também são mães

Márcio Santilli

Carta aberta ao Almir Suruí

Colunista NINJA

O nosso tempo é o tempo maré

Biamichelle

Gestão da diversidade feito por diversidades

Daniele Apone

Por que é importante entendermos o que é ESG e IDHP?

Renata Frade

Design e Tecnologia. Estudos de casos de "role models" femininos brasileiros

Carol Façanha

Mais que um símbolo