Por Maria dos Santos – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Pela primeira vez na história, a Copa do Mundo foi disputada com 48 seleções. A ampliação do torneio, aprovada pela FIFA ainda em 2017, transformou o principal campeonato do futebol em diferentes aspectos: aumentou o número de países participantes, mudou o formato da competição e trouxe novos desafios para quem organiza e disputa o Mundial.

Agora, com a Copa de 2026 chegando às quartas de final, já é possível observar como essas mudanças influenciaram o torneio dentro e fora de campo. Ao mesmo tempo em que o novo modelo ampliou oportunidades para seleções que raramente disputavam o Mundial, também reacendeu debates sobre calendário, equilíbrio técnico e logística.

Por que a FIFA decidiu ampliar a Copa?

A decisão de expandir o torneio de 32 para 48 seleções foi apresentada pela FIFA como uma forma de tornar a Copa do Mundo mais representativa. A entidade defendia que o futebol havia crescido em diferentes regiões e que mais países deveriam ter a oportunidade de disputar o principal campeonato da modalidade.

Outro argumento era aumentar a competitividade durante as Eliminatórias, especialmente em continentes que tradicionalmente contavam com poucas vagas, como África, Ásia, América do Norte e Oceania.

A mudança também ampliou o alcance comercial do Mundial. Com mais seleções classificadas, novos mercados passaram a acompanhar a competição de forma mais intensa, atraindo patrocinadores, audiência e investimentos em países que antes dificilmente conseguiam uma vaga.

Mais países vivendo a experiência da Copa

Um dos efeitos mais evidentes da expansão foi o aumento da diversidade de participantes.

Países que historicamente encontravam dificuldades para superar as Eliminatórias conseguiram disputar o Mundial pela primeira vez, enquanto outras seleções retornaram após longos períodos de ausência.

Essa presença representa mais do que um resultado esportivo. Participar da Copa costuma acelerar investimentos em infraestrutura, categorias de base e desenvolvimento do futebol local, além de ampliar a visibilidade internacional dessas federações.

Para muitos atletas, a mudança também significou a oportunidade de disputar um Mundial sem precisar trocar de nacionalidade esportiva ou depender de campanhas consideradas históricas para conquistar uma vaga.

A competitividade aumentou?

Quando a FIFA anunciou que a Copa do Mundo passaria a reunir 48 seleções, uma das principais críticas ao novo formato dizia respeito ao nível técnico da competição. O receio era de que o aumento no número de participantes tornasse o torneio mais desequilibrado, com goleadas frequentes e uma diferença ainda maior entre as principais potências e as seleções estreantes.

A primeira edição do novo modelo, no entanto, tem mostrado um cenário mais complexo. Embora algumas equipes tenham confirmado o favoritismo, a Copa também abriu espaço para campanhas que dificilmente seriam vistas no formato anterior.

A principal delas foi a de Cabo Verde. Estreante em Mundiais, a seleção africana transformou a primeira participação em uma campanha histórica. Depois de avançar ao mata-mata, vendeu caro a classificação diante da Argentina. Atual campeã do mundo, a equipe sul-americana precisou da prorrogação para vencer por 3 a 2, em um duelo que evidenciou como seleções sem tradição no torneio também conseguiram competir em alto nível.

Outra surpresa veio da Noruega. Liderada por uma geração que tem nomes como Erling Haaland e Martin Ødegaard, a equipe alcançou, pela primeira vez, as quartas de final da Copa do Mundo. A campanha confirma a evolução da seleção nos últimos anos e mostra como o novo formato também ampliou as possibilidades para equipes que vinham crescendo no cenário internacional.

A Suíça também escreveu um capítulo importante em sua história. Após eliminar a Colômbia nos pênaltis, os suíços voltaram às quartas de final do Mundial pela primeira vez desde 1954, encerrando um jejum de 72 anos e reforçando a presença de seleções que tradicionalmente ficavam pelo caminho nas fases anteriores.

Os exemplos não encerram o debate sobre o equilíbrio técnico da competição. Ainda houve partidas em que a diferença entre as equipes ficou evidente. Mesmo assim, a edição de 2026 tem mostrado que ampliar o número de vagas não significou apenas aumentar a quantidade de jogos. A mudança também criou oportunidades para novas histórias, deu visibilidade a seleções emergentes e tornou a Copa do Mundo mais imprevisível.

Um Mundial maior também exige uma operação maior

Se dentro de campo a mudança trouxe novas possibilidades, fora dele os desafios cresceram na mesma proporção.

Com 104 partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México, a logística da Copa tornou-se uma das mais complexas da história. Seleções precisaram lidar com deslocamentos longos entre cidades, diferenças de clima, mudanças de fuso horário e períodos menores para recuperação física.

Para a organização, o aumento do número de jogos significou maior demanda por estádios, equipes de operação, segurança, transporte e hospedagem.

O calendário também passou a ser observado com mais atenção por clubes e jogadores, já que uma campanha até a final representa mais desgaste físico do que nas edições anteriores.

A expansão atingiu seu principal objetivo?

Ainda é cedo para uma avaliação definitiva, mas a edição de 2026 já oferece elementos importantes para esse debate.

A ampliação abriu espaço para que mais países participassem da Copa do Mundo e fortaleceu a presença do torneio em mercados que antes tinham pouca representatividade. Também proporcionou novas histórias, ampliou o interesse de diferentes torcidas e reforçou o caráter global da competição.

Por outro lado, o novo formato impôs desafios inéditos à organização e mantém aberta a discussão sobre o equilíbrio técnico entre todas as seleções participantes.

Com a Copa entrando em sua fase decisiva, uma conclusão parece inevitável: o Mundial mudou de escala. A competição ficou maior, mais diversa e mais complexa. Agora, caberá às próximas edições mostrar se esse modelo conseguirá consolidar o equilíbrio entre expansão, qualidade técnica e experiência esportiva que a FIFA buscava ao promover a maior transformação da história do torneio.