Foto: Reprodução

Todas as mulheres do mundo! Lembram da “legitima defesa da honra” base de inúmeros casos que inocentaram homens acusados de feminicídio? Está de volta com o nome de “crime contra a dignidade sexual”, proposta de um deputado oportunista que surfa no caso Neymar/Najila que protocolou um projeto de lei batizado de “Neymar da Penha”! Como se pudesse haver simetria ou comparação entre as violências estruturantes e seculares cometidas pelos homens contra as mulheres e vice-versa! Não há!

Independente dos fatos e do que se possa concluir do caso Neymar/Najila os comentários nas redes e na mídia fazem emergir todo o machismo, o preconceito e visões de mundo assustadoras em torno da machocracia. Não custa lembrar que, independente do caso:

1. Se o homem pagou (a passagem para Paris, o jantar, o motel, o Uber ou a cerveja) não ganha direito a sexo, ainda mais sem consentimento!

2. Se a mulher aceitou um encontro sexual, pago ou não, não tem que se submeter a qualquer humilhação ou violência. Pode ser a namorada, esposa, a amante, a ficante, o crush, a tinder, a puta. Pode mudar de ideia e dizer simplesmente: não!

3. “A mulher que acusa Neymar de estupro” tem nome Najila Trindade, o nome não aparece nas manchetes e muito menos nos comentários em que vira: “a mulher que acusa Neymar”, a vadia, a oportunista, a vagabunda, a puta, etc,

4. Divulgar imagens íntimas de alguém nas redes é crime! Não tem justificativa.

5. O corporativismo masculino (e a machocracia de mães, irmãs, amigas e outras mulheres) não admite que um cara rico, famoso e mimando pela mídia possa ser colocado em questão ou suspeição nem por um minuto.

6. Na dúvida, a mulher é a culpada! Pouco importa seu desfecho, o mais terrível é o estrago no imaginário, quando se abre o esgoto público de discursos odiosos e assimétricos contra todas as mulheres do mundo!

A violência simbólica e real nas redes é maior e mais assustadora que qualquer coisa! Ultrapassa e extrapola o próprio caso em questão. Uma turba que quer uma válvula de escape para uma regressão vingativa diante da relativização de um poder que os homens sempre detiveram: dispor dos corpos e da reputação das mulheres.

Narciso acha feio o espelho!

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