Foto: Reprodução / Juruá Em Tempo

Os governos de Jair Bolsonaro (PSL) e Gladson Cameli (PROGRESSISTAS), apesar de eleitos pela via democrática, com o discurso da mudança, são extremamente autoritários: não conseguem realizar as mudanças prometidas e fazem de tudo para calar e manchar a honra daqueles que os criticam.

Os recentes episódios envolvendo o youtuber Felipe Neto, o jornalista Guga Chacra e tantos outros casos anteriores são a prova cabal de que a máquina de moer reputações, comandada pelo “heichmarshall digital”, Carlos Bolsonaro, não parou desde as eleições e não poupa ninguém que a eles se opõe.

Aqui no Acre não é diferente: a forma como o governo Cameli enfrentou a recém decretada greve dos trabalhadores em Saúde foi de muita truculência. Olha que os governos da Frente Popular do Acre – FPA, liderados pelo Partido dos Trabalhadores – PT, também tiveram os seus momentos de duro acirramento com grevistas. Mas, nada comparado ao comportamento da atual equipe gestora da Secretaria de Estado de Saúde – SESACRE.

As declarações do secretário adjunto de Saúde do Acre, Cel. Jorge Resende, chamando os servidores da pasta de “vagabundos”, bem como a sua postura de agressão frente a um parlamentar que, além de médico e servidor público da área, é o vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Acre – ALEAC, demonstram a pouca disposição do governo para com o diálogo fraterno e democrático.

A seguir assim, mais preocupados em fazer de tudo para desacreditar aqueles que deles discordam do que fazer com que seus governos dêem certo, não tarda e a paciência do povo, seus eleitores, acaba.

O que pesa contra Bolsonaro, porém, não é apenas o seu autoritarismo e sua disposição para destruir seus opositores. Também não é somente a sua falta de capacidade e habilidade para lidar com os problemas brasileiros. Também não é, sozinha, a autoria do desmanche dos sistemas de políticas públicas de áreas sensíveis, como Cultura e Meio Ambiente, tão arduamente construídos ao longo de décadas e desconstruídos com meia dúzia de canetadas. Tampouco é a sua tara por travar guerras ideológicas contra todos aqueles que pensem diferente dele. E também não são as bobagens proferidas diariamente, por ele ou por membros do governo, ou mesmo os fortes indícios de envolvimento, dele e de toda a sua família, com milícias, milicianos e com a prática de crimes diversos.

É tudo isso, mas, tem algo a mais. É a quebra de um padrão civilizatório que todos os outros ex-presidentes, anteriores a ele, mantinham e com o qual ele rompeu. Independente de partido, o fato é que do pior ao melhor dos nossos ex-Chefes de Estado e de Governo, todos reuniam as condições mínimas para exercer o múnus público presidencial, obedecendo aos protocolos e à liturgia do cargo.

Diferente disso, Bolsonaro é o tiozão do churrasco: ogro, tosco, que fala merda e acha isso bonito. Só que o tiozão do churrasco, apesar de engraçado e divertido, não serve para governar um país. Só serve mesmo para fazer rir, ser desagradável e comprar briga com os outros membros da família. Por mais que você ache “bacana” ter um presidente que é a sua imagem e semelhança, a ode ao grotesco, a apologia à ignorância não podem preponderar.

O governador do Acre, Gladson Cameli, não chega a ser tão ogro e tão tosco quanto Bolsonaro. Mas, em 9 meses de governo, já demonstrou ser igualmente despreparado e incapaz de gerir a complexa máquina administrativa de um estado federado. Ele acredita, piamente, que o seu carisma e simpatia durarão para sempre. Porém, simpatia e carisma, apesar de atributos essenciais a um político (sobretudo para vencer uma eleição), têm prazo de validade: não são suficientes para o sucesso de uma gestão. Para isso, é preciso conhecimento, capacidade técnica e política, sagacidade, perseverança e liderança. Coisas que o nosso charmoso e sempre sorridente governador aparenta não ter.

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