Homão da Porra: O mito.

Arte: Mídia NINJA

Poderia dizer que ele é uma espécie de Ofélia que surfa nas horas vagas (provavelmente uma Ofélia que se encarregou de construir a própria prancha). Hilbert é o cara que emparedou toda a categoria masculina que cresceu jogando Super Mario Bros e comendo cheetos na Sessão da Tarde. O ator, modelo, apresentador, carpinteiro, costureiro e cozinheiro emplacou o hit “homão da porra” nos subconscientes masculinos atrofiados pela década de 90 e espalhou medo nas fraquezas angustiantes de caras que, como eu, arremessavam durante a juventude o prato de comida na pia ao terminar o almoço. Hilbert é uma ameaça, dizem meus amigos. Uma arma nuclear em ação. “Cortem-lhe a cabeça!”.

Têm as polêmicas, né? Tem gente que afiou as garras quando Hilbert abateu uma ovelha na televisão e exibiu isso como um troféu do almoço, e tem gente que detesta o corte de cabelo dele (não acredito muito nessa última opção, mas tudo bem). Além dos julgamentos ideológicos que rondam suas ações no programa Tempero de Família, da GNT, Hilbert está mesmo esfregando na cara de todo homem brasileiro que é absolutamente normal cuidar dos afazeres domésticos dentro do seio familiar e mandar pra longe os conceitos pré-estabelecidos que a mulher é que tem que se virar em limpar, cozinhar, lavar e tudo o mais que for necessário. O cara está fazendo o recalque dos machos aflorar como se não houvesse amanhã.

Antes que você arremesse seu Playstation contra mim, é importante saber que Rodrigo nunca exaltou essa imagem de super-herói. As redes sociais se apoderaram da mensagem e o transformaram num símbolo, dentro do humor que é característico da internet. O próprio rapaz deu uma declaração recente negando que “homão da porra” seja um estereótipo que lhe agrada ou que procure enfatizar no programa. Para ele, coisas como cozinhar e costurar foram passadas a ele pela família durante sua infância e incorporadas por ele como ações do dia a dia. Fofo.

Sabe, eu até prefiro que o Rodrigo Hilbert seja um exemplo a ser seguido num país que símbolos de retrocesso comportamental dançam Ragatanga na velocidade nível 5 para jovens e adultos. Homofobia, racismo e diversos crimes de ódio são aceitos e praticados como se vivêssemos num filme de terror sem fim. E ainda têm aquelas almas penadas que regozijam-se em hashtags do deputado de franja para 2018. Os minions o chamam de mito. Pffff, tadinhos.

Hilbert, continue seu trabalho.

Você, sim, é um mito.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Cleidiana Ramos

Com inserção na literatura, ialorixás ensinam caminhos de resistência

Fátima Lacerda

Os Deuses estão em festa: Gilberto Gil em Berlim!

Daniel Zen

De aerolula a aeroína: as falhas na segurança institucional do presidente da República

Tainá de Paula

Não há mídia isenta, meus caros

Juan Manuel P. Domínguez

Ave Terrena: “a cultura enriquece debates quando as instituições os empobrecem”

Sâmia Bomfim

Reforma da Previdência: a luta não acabou

Jorgetânia Ferreira

Tenho depressão, quem não?

Daniel Zen

As mensagens secretas da Lava-jato: medidas antidemocráticas pairam no ar

Colunista NINJA

'A única coisa que salva um país é a cultura', afirma Moacyr Luz

Mônica Horta

Moda autoral brasileira presente!

Mônica Horta




Criadores autorais do Brasil... cadê vocês?

Fátima Lacerda

Milton e Gil fazem do verão berlinense, uma Delicatessen musical

Dríade Aguiar

Amarelo como o futuro que nós construímos pra nós mesmos

Fátima Lacerda

Por que, Berlim?

André Barros

Aperta a pauta, Toffoli