O Brasil perdeu para a Noruega muito antes de entrar em campo
Enquanto o futebol mundial evolui, a Seleção Brasileira ainda parece acreditar que sua história basta para vencer partidas decisivas
Por Giovanna Azevêdo – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Cinco estrelas deveriam representar orgulho. No futebol brasileiro, porém, elas parecem ter se transformado em um confortável lembrete de um passado que já não vence partidas.
A eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo expôs muito mais do que uma derrota. Escancarou uma Seleção que, em diversos momentos, pareceu jogar sem a intensidade, a fome e a urgência que uma Copa exige. Enquanto o adversário corria cada metro como se fosse o último, o Brasil voltou a dar a impressão de acreditar que a qualidade individual resolveria tudo.
Não se trata de falta de talento. Pelo contrário. O país continua formando alguns dos melhores jogadores do mundo. Nomes como Endrick e Rayan seguem sendo ovacionados. O problema está na postura de uma equipe que, muitas vezes, parece confortável demais, conformada demais e distante da identidade que fez o Brasil ser temido durante décadas.
Durante muito tempo, vestir a camisa amarela bastava para intimidar qualquer rival. Hoje, acontece o contrário. As outras seleções entram em campo convencidas de que podem vencer, e vencem. Porque evoluíram. Estudam mais, competem mais, jogam com mais intensidade e entendem que, em uma Copa do Mundo, tradição não marca gols. Levantar a mão e mostrar os cinco dedos, dizendo “nós temos cinco”, não garante, e nunca garantirá, a sexta, a sétima ou a oitava estrela na camisa da Seleção.
A Seleção Brasileira parece carregar o peso de viver da própria história. As cinco estrelas continuam sendo motivo de orgulho, mas também alimentam uma falsa sensação de superioridade. O futebol mudou. O passado não entra em campo. Nenhuma Copa conquistada em 1958, 1962, 1970, 1994 ou 2002 ajuda a recuperar uma bola perdida ou decidir um jogo eliminatório em 2026.
Talvez o maior adversário do Brasil não seja um país europeu, sul-americano ou africano. Talvez seja o comodismo de acreditar que a camisa ainda vence sozinha. Que o talento basta. Que a tradição resolve. O maior esquecimento da Seleção talvez seja não manter viva a consciência do que diz o Hino Nacional: “Entre outras mil, és tu, Brasil, ó Pátria amada!”
As cinco estrelas nunca foram o problema. O problema começa quando elas deixam de ser inspiração e passam a ser uma zona de conforto. Porque, enquanto o Brasil continua olhando para o peito e se apoiando no próprio ego, o resto do mundo olha para o campo. E é lá que as Copas são conquistadas.



