Por Layslla Cibelly – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Fomos eliminados mais uma vez da Copa do Mundo. Essa é mais uma geração que não ganha e que não vê o Brasil ser campeão. Hoje, o hexa está ainda mais distante. Acordamos do sonho, sonho que lutamos tanto pra não sonhar, mas somos brasileiros e não desistimos nunca.

Depois da derrota, procuramos ver os defeitos nos jogadores, na comissão técnica, na CBF e, às vezes, ainda sobra pra torcida. Nessas últimas semanas, vimos brasileiros torcendo para outras seleções, porque, segundo eles, a equipe nacional não tem mais garra. Nisso, não podemos discordar.

Derrotas como a do último domingo (5), contra a Noruega, por mais previsíveis, ainda machucam. Passamos a Copa inteira na corda bamba das vitórias, ficávamos felizes, mas a maior certeza era que o próximo jogo seria ainda mais difícil.

No primeiro jogo contra o Marrocos, amargamos um empate com gosto de derrota. Depois veio o Haiti, um adversário mais fácil, que poderia nos render uma goleada, para mostrar que estávamos de pé novamente. Erramos, apesar da vitória, não teve uma goleada. Na sequência, foi a vez da Escócia, num duelo um pouco mais difícil que o anterior, porém, não tinha como perder. Passamos tranquilos.

No mata-mata, encontramos o Japão, uma seleção muito organizada e difícil de enfrentar. Passamos, mas não foi nada tranquilo. Vimos a equipe japonesa abrir o placar e segurar de todas as formas o 1 a 0. No final, arrancamos o empate e viramos. Mesmo com a classificação, esse jogo nos deixou com os pés no chão. Ali, percebemos que, por mais que em campo tivessem os melhores jogadores brasileiros em atividade e um técnico multicampeão, não havia o principal: garra.

Nas oitavas de final, a Noruega era vista como uma seleção inferior ao Japão. E talvez fosse, mas nossos jogadores entraram sem garra. Bruno Guimarães, que perdeu um pênalti decisivo, tinha feito uma Copa linda até aquele erro. Líder em assistências, o volante era destaque da equipe, mas seu erro anulou tudo isso. Outro exemplo é Vini Jr., que poderia assumir o protagonismo, porém se apequenou quando o time mais precisou dele. Endrick perdeu um gol que o craque Ronaldo falou certa vez em entrevista: “Cara a cara com o goleiro, quando eu vejo alguém errar um cara a cara com o goleiro, eu fico maluco. Aquilo é uma facada no meu peito”. Apesar da falha, o jovem não deve ser colocado na fogueira, afinal se o “menino de 34 anos” não está, porque colocar o de 19? 

O resultado da série de erros e das decisões tomadas nos últimos 24 anos pelo futebol brasileiro, foi uma eliminação precoce na Copa do Mundo, que começou antes mesmo da estreia. Enquanto outros mercados formam seus jogadores e depois vendem para os grandes clubes, nós estamos vendendo antes mesmo deles jogarem no profissional. Não há um projeto eficaz para nossa seleção, apenas ciclos vazios, que, de quatro em quatro anos, se renovam – sendo o último ciclo um circo patrocinado por bets e grandes marcas.

Se o saudoso Nelson Rodrigues escrevesse uma crônica após essa derrota, ele certamente afirmaria: “Eu sempre digo que sem alma não se chupa nem um Chicabon”. Falta paixão, garra e respeito, entre os jogadores, a comissão técnica e, principalmente, dentro da CBF.

Dias antes desse vexame, o mundo acompanhou a seleção de Cabo Verde, que jogou com toda a vontade que faltou na Seleção Brasileira. Eles não tinham jogadores caros, uniformes de grandes marcas ou uma camisa tão pesada para defender, mas jogaram pelo povo cabo-verdiano. E, há muito tempo, os brasileiros esperam que o Brasil jogue assim. Mas, o que vemos é o distanciamento e falta de compromisso com os torcedores.

Por outro lado, prevalece o legado. Por mais quatro anos, a Seleção Brasileira segue sendo a única pentacampeã do mundo. A partir dessa eliminação trágica, a esperança é de um ciclo melhor, para que o Brasil volte a ser o país do futebol e volte a nos orgulhar. E, agora, viramos a página para a Copa do Mundo 2027 e espero que possamos torcer com o mesmo afinco pelas nossas mulheres.