Com organização e line-up exclusivamente feminino, o ato “Mulheres pelas Diretas e por Direitos” reuniu milhares de pessoas no Largo do Arouche, em São Paulo.

Fotos: Diretas Já

Fotos: Diretas Já

O frio de domingo (11) não foi obstáculo para as 10 mil pessoas, em sua maioria mulheres, que marcaram presença no ato “Mulheres pela Diretas e por Direitos”: a Praça das flores, como é conhecido o Largo do Arouche em São Paulo, foi palco para um line-up marcado exclusivamente por mulheres.

Sob o comando de Clara Averbuck e Mel Duarte, e som da DJ Miria Alves, o ato teve início por volta das 13h com abertura do Slam das Minas e do TranSarau. Na sequência, mais de 15 minas dominaram o palco com muita música e resistência. Isso tudo intercalado com falas dos movimentos e coletivos presentes, totalizando mais de 30 organizações e personalidades que lutam pelos direitos das mulheres e por diretas já.

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O Rap abre mentes!

Mais da metade das apresentações no palco do Arouche foram de rappers mulheres. Foi o que chamou a atenção de Ana Paula, de 28 anos, moradora de Itaquera e que a levou ao evento: “O rap tem uma capacidade de influência enorme para quem está na quebrada. Ter mulheres aqui hoje, cantando rap e reivindicando direitos, é importante pra essa luta”. E complementou:

São essas mulheres no rap que mostram para uma garota de 12 anos que ela está sendo oprimida dentro de casa, pelo pai, pelos irmãos. Ele (o rap) abre a mente delas.

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Mães “no front”

Dentre as milhares de pessoas foi possível ver diversas crianças com suas mães, e não eram poucas. No colo, no sling, correndo ou dançando: os pequenos estavam lá. Lia, de 38 anos, estava acompanhada de seu filho, de 3 anos:

É simbólico trazer ele aqui, por ser menino. Quero que desde sempre ele acompanhe a luta das mulheres. Que ele conheça, se aproxime e apoie. Não costumo levá-lo comigo para manifestações, mas hoje fiz questão.

Lia ainda reforçou a importância de um ato organizado exclusivamente por mulheres: “acho importante ter um ato próprio, pois ele reforça a discussão por Diretas ao mesmo tempo em que chama atenção para os direitos das mulheres que estão sendo comprometidos.” E complementou:

Ter mulheres organizando é uma forma de assumir o protagonismo.

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A rapper Mama Lion também levou seu filho para o ato (na segunda foto horizontal)

A rapper Mama Lion também levou seu filho para o ato (na segunda foto horizontal)

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Mulheres negras: protagonismo e luta!

Elas deram cara e voz para o ato, eram milhares no Largo e a maioria no palco: mulheres negras, que resistem e sofrem diretamente os maiores impactos dos retrocessos e das políticas machistas e racistas. Em sua apresentação, a rapper e professora Preta Rara destacou:

Aqui quem manda é nós! Quem mais sofre são as mulheres pretas. Já ouvi que estamos fadadas a ser empregada doméstica, mas nós estamos aqui para contrariar as estatísticas. Estou aqui pesadona , gorda, de barriga de fora para dizer Diretas Já!

São exatamente essas estatísticas que a Marcha das Mulheres Negras denunciou em sua fala, reforçando o processo histórico de criminalização do povo negro no país, nos últimos 30 anos especialmente através da guerra às drogas “A cracolândia é um exemplo dessa criminalização, o que fizeram e estão fazendo lá é um crime!”.

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União e resistência

O evento desde sua concepção foi totalmente construído pelas “manas”, em suas múltiplas formas de organização: dos diferentes coletivos feministas, passando pelo movimento estudantil, até os sindicatos e circuito cultural feminino. Se fosse possível escolher uma única palavra para sintetizar o ato, a mais adequada seria união, chave para que a mobilização desse tão certo.

Par Ana, imigrante da Guiné e que está no Brasil há dois anos em projetos com refugiadas, o ato é um exemplo da força das mulheres:

“Para mim isso aqui é um exemplo que as mulheres brasileiras dão de resistência e organização. Mostra para as mulheres de outros países que é possível, juntas, se fortalecer”.

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Nicole, do Movimento das Travestis e Transexuais de São Paulo e presidente da ONG AMAPO, reforçou que o golpe é um avanço sobre os Direitos Humanos  e a importância da união:

“Nosso problema é só olhar para as diferenças e esquecer as igualdades. Todos os movimentos precisam estar unidos, isso é um marco para a história da mulher no Brasil.”

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Diretas por Direitos!

Eram (e somos) todas mulheres, em suas singularidades e pluralidades: de identidade, de gênero, de etnia e cor. Todas presentes e unidas por uma questão política que impacta diretamente a vida de todas: o avanço do machismo do governo de Michel Temer e seus retrocessos para os direitos das mulheres.

“Eu não tô aqui só pelo Temer fora, eu tô aqui para parar as reformas”, reforçou Eliane Dias, empresária dos Racionais MC.

Uma tradução do porquê milhares de pessoas estão ocupando as ruas do país na luta por Diretas Já: mais do que apenas retirar Michel Temer do poder, trata-se de dar a oportunidade de que brasileiras e brasileiros possam, de fato, escolher o plano de governo que seja representativo e olhe para os direitos da população, ao invés de avançar sobre eles.

A luta por eleições diretas é uma luta por representatividade e resistência ao retrocesso.

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