Quem é Omar Artan, o árbitro barrado de entrar nos EUA
Omar Artan seria o 1º somali a apitar uma Copa, mas teve a entrada barrada nos EUA e foi retirado da lista da FIFA
Por Rafaela Andrade e Graziela Guedes – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
O que começou com um sonho terminou mais rápido do que Omar Artan esperava. O árbitro que estava prestes a se tornar o primeiro somali a apitar uma Copa teve sua entrada barrada pelos EUA.
Mas afinal, quem é Omar Artan?
Omar Abdulkadir Artan nasceu em Mogadíscio, em 6 de junho de 1992, e integra a lista de árbitros da FIFA desde 2018. Sua carreira teve início nas ligas locais da Somália, tornando-se posteriormente árbitro oficial da Primeira Divisão Somali. Em entrevista recente, Omar falou sobre as dificuldades enfrentadas durante sua trajetória em um país marcado pela instabilidade, relatando as vezes em que precisou alterar suas rotas de treinamento devido a incidentes de segurança em Mogadíscio. Mas isso não o impediu de continuar perseguindo seu sonho.
Na Copa Africana de Nações de 2024, fez história ao se tornar o primeiro somali a arbitrar na competição. Também apitou partidas importantes, como a Liga dos Campeões da CAF, o Mundial Sub-20 de 2025 — sendo o único representante da África Subsaariana a atuar como árbitro no torneio — e as Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2026. Omar não fez história apenas representando a Somália, mas todo o continente africano.
Eleito Árbitro Africano do Ano em 2025, Artan era apontado como símbolo do crescimento da arbitragem somali no cenário internacional, e sua participação na Copa seria histórica para o país.
No entanto, Omar Artan ficou fora da Copa do Mundo de 2026 após ter a entrada negada nos Estados Unidos. Convocado pela FIFA para integrar o quadro de arbitragem do torneio sediado por Estados Unidos, Canadá e México, foi impedido de participar dos treinamentos obrigatórios e acabou retirado da lista oficial.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, o árbitro viajava com visto válido e credenciamento emitido pela FIFA quando foi barrado pelas autoridades norte-americanas e enviado de volta ao exterior. Mesmo sendo posteriormente convidado a arbitrar no Canadá, não pôde participar, pois sua atuação dependia de treinamentos organizados pela FIFA em território norte-americano.
O caso ganhou repercussão internacional. Na Somália, ao desembarcar no aeroporto de Mogadíscio, Artan foi recebido por uma multidão com faixas de apoio, chapéus com sua foto e muito acolhimento.
Em entrevista, o árbitro afirmou: “Essa bandeira é nossa, assim como o passaporte. Vamos defendê-la. Os jovens não deveriam se desmoralizar com seu país. Apesar de isso acontecer comigo, ainda defenderei minha nação. Quero continuar minha jornada a partir daqui e incentivar os jovens a fazerem o mesmo.”
Artan também prometeu estar presente na Copa do Mundo de 2030.



