A vice-presidenta da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, afirmou que está sendo vítima de “uma máfia judicial” que tenta silenciar governos populares, assim como ocorreu no Brasil, com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nesta terça-feira (6), o Tribunal Oral Federal nº 2 condenou a ex-presidenta a seis anos de prisão e perda permanente de direitos políticos, acusada por “administração fraudulenta”. O Tribunal de primeira instância, também condenou a diferentes penas de prisão outros 13 envolvidos no processo conhecido como “Caso Vialidad”.

Desde dezembro de 2019, Cristina vem denunciando irregularidades no processo jurídico contra ela, onde suas garantias constitucionais foram violadas.

A ex-presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, foi uma das lideranças latino-americanas que criticaram a decisão jurídica argentina e lembrou que Cristina já foi julgada e absolvida pela mesma acusação e pelo mesmo juiz. “Mas, agora, sua condenação tornou-se uma necessidade política”.

Após a decisão judicial, Kirchner deu declarações em seu canal no YouTube negando mais uma vez as acusações contra ela e afirmando: “Não se trata apenas de uma lei, trata-se de um Estado paralelo, de uma máfia judicial”.

“Assim como foi o caso de Lula da Silva, esta medida busca silenciar os governos populares”, disse Cristina, comparando o processo a um “pelotão de fuzilamento”.

A condenação de Cristina Kirchner acendeu uma onda de apoio de líderes e autoridades latino-americanas, desde o próprio presidente argentino Alberto Fernández, a autoridades do Brasil, Bolívia, México, Honduras e Cuba. (Leia mais abaixo)

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales Ayma, rejeitou o “golpe judicial e fraudulento” e lembrou da tentativa recente de assassinato da vice-presidenta argentina. “Depois de fracassar na tentativa de assassiná-la, hoje tentam eliminá-la politicamente”, acrescentou.

Condenação cabe recurso

Cristina pode recorrer da decisão na Câmara Federal de Cassação Penal e, em última instância, à Corte Suprema. Além disso, a vice-presidenta pode candidatar-se no ano que vem, dado que a resolução do caso teria de ser firmada pela Corte Suprema em, no mínimo, um ano para que seja barrada do pleito. Ela também não deve ser presa já que tem imunidade garantida por seu cargo.

Nas ruas, militantes peronistas apoiadores da líder política realizam uma vigília em frente aos tribunais para denunciar uma campanha conjunta do judiciário e da imprensa contra Cristina.

Apoio de líderes latino-americanos

Depois que a sentença foi tornada pública pelo Tribunal Oral Federal nº 2 da Argentina contra o vice-presidenta Cristina Kirchner, iniciou uma onda de apoio de líderes e autoridades latino-americanas.

Um dos primeiros a rejeitar o processo contra o vice-presidente foi o presidente argentino Alberto Fernández, que afirmou que foi condenado um inocente, uma pessoa que tentou estigmatizar através da mídia e foi perseguido por juízes que servem aos círculos do poder.

Por sua vez, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, reiterou a rejeição da nação caribenha contra os “processos judiciais de motivação política” e manifestou seu apoio à vice-presidente argentina contra o assédio judicial e midiático que ela sofreu.

“Expresso minha mais ampla solidariedade à vice-presidente da Argentina, Cristina Fernández. Não tenho dúvidas de que ela é vítima de uma vingança política e de uma violência antidemocrática do conservadorismo”, disse o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador.

“Nossa solidariedade e apoio à companheira Cristina Fernández que agora enfrenta uma ‘guerra jurídica’ depois de sobreviver a um ataque fracassado contra ela. A verdade prevalecerá e a vontade do povo argentino que a apoia”, disse o chefe de Estado de Honduras Xiomara Castro de Zelaya.

“Da Bolívia, nossa solidariedade à irmã Cristina Fernández, que se pede para ser banida da vida política com uma sentença injusta. Estamos certos de que a verdade prevalecerá sobre qualquer ataque à dignidade dos povos e à democracia em nossa Pátria Grande”, expressou o presidente da nação andina, Luis Arce.

O ex-segundo vice-presidente do governo espanhol, Pablo Iglesias, por sua vez, afirmou que esta é uma luta entre o jogo judicial e a democracia, e desejou força ao ex-presidente argentino.

Com informações da Telesurtv

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