O Peru realiza neste domingo uma eleição presidencial que pode redefinir os rumos políticos do país. Em um segundo turno marcado pela polarização, o candidato de esquerda Roberto Sánchez busca chegar ao Palácio do Governo impulsionado por duas forças que têm sido determinantes na história política recente do país: o antifujimorismo e o voto das regiões do sul andino.

Do outro lado está Keiko Fujimori, herdeira política do ex-presidente Alberto Fujimori e candidata da Força Popular. Como ocorreu em eleições anteriores, sua candidatura voltou a mobilizar amplos setores da sociedade que rejeitam o legado do fujimorismo, associado a violações de direitos humanos, corrupção e autoritarismo.

Em Lima, o encerramento da campanha de Sánchez reuniu militantes, jovens e eleitores que, em muitos casos, não votaram nele no primeiro turno, mas que agora o veem como a principal alternativa para impedir o retorno do fujimorismo ao poder. “Esta eleição deixou de ser uma disputa entre dois projetos e passou a ser uma decisão contra uma única pessoa”, resumiu uma das participantes do ato.

O chamado antifujimorismo, considerado por analistas uma das correntes políticas mais persistentes do Peru contemporâneo, volta a surgir como um ator decisivo. Embora seja heterogêneo e não possua uma estrutura formal, reúne setores progressistas, liberais e de esquerda que compartilham a rejeição a uma nova presidência de Keiko Fujimori.

Mas a força de Sánchez não se explica apenas por esse fenômeno. Seu principal apoio vem do sul andino, uma região historicamente marginalizada onde o voto costuma expressar demandas por mudanças, descentralização e maior representação política. Em departamentos como Puno, Cusco, Ayacucho, Apurímac e Huancavelica, o candidato do Juntos por el Perú obteve seus melhores resultados no primeiro turno.

Especialistas afirmam que, mais do que um voto ideológico, o apoio do sul expressa a rejeição a um modelo político concentrado em Lima e distante das necessidades das províncias. Em uma das regiões mais empobrecidas do país, as demandas por justiça social, desenvolvimento e reconhecimento territorial tornaram-se elementos centrais desta eleição.

Com um cenário aberto e uma sociedade profundamente dividida, os peruanos chegam às urnas para escolher entre dois projetos antagônicos: o retorno do fujimorismo ou a possibilidade de a esquerda chegar ao governo e impulsionar um novo ciclo político no país. O resultado será acompanhado com atenção em toda a América Latina pelas implicações que poderá ter para o equilíbrio político da região.