Por Leonardo Buitrago – El Ciudadano, especial para Mídia NINJA

Neste domingo, 7 de junho, os peruanos irão às urnas para definir não apenas quem exercerá a presidência no período 2026-2031, mas também o rumo institucional de uma nação marcada por uma década de instabilidade com oito mandatários. A campanha para o segundo turno foi encerrada nesta quinta-feira com duas propostas radicalmente opostas: a do progressista Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, que ratificou sua promessa de submeter a referendo a elaboração de uma nova Constituição, enquanto a direitista Keiko Fujimori, da Fuerza Popular, centrou seu discurso na insegurança cidadã e convocou uma “guerra” contra os criminosos.

Em um comício realizado na cidade de Arequipa, Sánchez lançou uma mensagem direta aos 35 milhões de peruanos. “Faremos um grande referendo e diremos: ‘Querido povo, chegou a hora, vocês querem uma nova Constituição?’”, afirmou o candidato, que busca revogar a Carta Magna promulgada em 1993 durante o governo de Alberto Fujimori, ditador e pai de sua adversária. A proposta implica uma mudança estrutural que, segundo seus defensores, permitiria recuperar a soberania popular e o equilíbrio de poderes, minados por anos de crise política.

Por sua vez, Keiko Fujimori, alinhada com a direita mais radical, apostou em uma mensagem punitiva e de ordem, utilizando o combate à criminalidade como eixo principal de seu discurso de encerramento de campanha. Sem oferecer detalhes concretos sobre um eventual respeito aos resultados eleitorais, a representante da Força Popular recorreu à retórica da “guerra” contra os criminosos, buscando mobilizar o voto do medo em um país onde a insegurança cidadã é uma das principais demandas.

Seu silêncio em relação à transparência do segundo turno acendeu alarmes, lembrando que, em 2021, ela não reconheceu sua derrota para Pedro Castillo por apenas 44 mil votos, alegando então uma suposta manipulação.

Ex-candidatos apoiam Sánchez

As pesquisas indicam que a diferença entre os dois candidatos está dentro da margem de erro estatística, o que antecipa um resultado acirrado, informou a TeleSUR.

Nesse cenário, vários ex-candidatos à presidência de diversas orientações políticas decidiram apoiar publicamente Sánchez para conter o que consideram um risco de concentração de poder caso o fujimorismo vença. Em uma coletiva de imprensa em Lima, os líderes Alfonso López Chau (Agora Nação), Ricardo Belmont, Daniel Barragán e George Forsyth (Somos Peru) expressaram seu apoio, juntamente com Mesías Guevara e Yhony Lescano.

“Se nossa aliança vencer, a Sra. Keiko e seus apoiadores controlarão o Congresso, mas haverá separação de poderes; se Keiko vencer, ela controlará tudo e não haverá separação de poderes”, destacou López Chau, definindo a separação de poderes como “o cerne de toda constituição”. Forsyth, por sua vez, alertou sobre a “tomada das instituições pelo fujimorismo” e lembrou que, desde que a Fuerza Popular obteve a maioria parlamentar em 2016, começou o caos e a instabilidade no país.

Respeito aos resultados eleitorais

Por sua vez, Roberto Sánchez reafirmou que sua coalizão respeitará os resultados de domingo e instou Keiko Fujimori a se pronunciar com clareza, informou o veículo de comunicação citado.

“Estamos dispostos a aceitar os resultados eleitorais. Exortamos Keiko a não enviar mensagens ambíguas”, declarou, alertando que, se a candidata de direita “levantar novamente” a tese da fraude, provocará um cenário de maior instabilidade.

Para garantir a transparência, o candidato de esquerda convocou 90 mil observadores próprios e solicitou formalmente a supervisão internacional da OEA e da União Europeia. “Que este processo seja transparente, fiscalizado e que reafirme a vontade do povo”, afirmou.