Por Thays Silva – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Brasil, Coreia do Sul e outras seleções viveram um roteiro semelhante após a eliminação na Copa do Mundo de 2026: jogadores e treinadores passaram a ser alvos de críticas intensas nas redes sociais e na imprensa. 

Os episódios reacenderam um debate que vem ganhando espaço no esporte: quais são os impactos dessa cobrança constante sobre a saúde mental de atletas e comissões técnicas? 

Quando a paixão ultrapassa os limites 

A paixão pelo futebol sempre foi marcada por comemorações, rivalidades e críticas. No entanto, a popularização das redes sociais modificou profundamente a relação entre torcedores e atletas. 

Se antes a repercussão de uma derrota ficava restrita aos estádios, jornais e programas esportivos, hoje ela acompanha os profissionais 24 horas por dia. Comentários ofensivos, mensagens privadas, campanhas de ataques e até ameaças passaram a integrar a rotina de muitos jogadores e técnicos após eliminações importantes. 

Após a eliminação do Brasil no Mundial, jogadores da Seleção foram alvos de uma enxurrada de críticas nas redes sociais. Na Coreia do Sul, a repercussão também foi intensa. Depois da queda da equipe na fase de grupos, o técnico Hong Myung-bi deixou o comando da seleção em meio a fortes críticas da imprensa e parte da torcida. 

Foto: Divulgação/ Federação Sul-Coreana de Futebol 

O episódio ganhou dimensão nacional e levou o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, a cobrar uma investigação sobre a condução da seleção e o processo de contratação do treinador, evidenciando como os reflexos de uma Copa podem ultrapassar o campo esportivo e alcançar a esfera política. 

Quando a cobrança acaba virando violência 

Um dos casos mais emblemáticos aconteceu após a final da Eurocopa em 2021. Os ingleses Bukayo Saka, Marcus Rashford e Jadon Sancho sofreram ataques racistas nas redes sociais depois de desperdiçaram cobranças de pênalti. O episódio mobilizou clubes, entidades esportivas e autoridades e reacendeu o debate sobre os limites da cobrança e a responsabilidade das plataformas digitais. 

Foto: Divulgação 

Casos semelhantes continuam sendo registrados em diferentes competições, reforçando que a exposição pública dos atletas vai muito além dos 90 minutos de jogo.

Saúde mental também faz parte do jogo 

Nos últimos anos, a saúde mental deixou de ser um tabu no esporte de alto rendimento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde mental como um estado de bem-estar que permite às pessoas lidar com os desafios da vida. No futebol, isso significa reconhecer que fatores emocionais também influenciam o desempenho dentro de campo. 

Entidades como a FIFPRO e a FIFA também passaram a defender iniciativas voltadas ao cuidado psicológico de atletas, considerando a pressão constante, o calendário intenso e a exposição pública como fatores que podem afetar seu bem-estar. 

Atletas quebram o silêncio 

Nos últimos anos, jogadores passaram a falar mais abertamente sobre saúde mental, ajudando a reduzir o estigma em torno do tema. 

O atacante Richarlison revelou que buscou acompanhamento psicológico após a Copa do Mundo de 2022 e destacou a importância de procurar ajuda profissional. Outros nomes também contribuíram para ampliar esse debate. Andrés Iniesta falou sobre a depressão enfrentada ao longo da carreira, enquanto Gianluigi Buffon tornou públicas as crises de ansiedade que viveu como atleta. 

Os relatos reforçam que o sofrimento psicológico pode atingir qualquer pessoa, independente da fama ou do sucesso profissional. 

Foto: Reprodução/Sportv

Um debate que vai além da Copa 

Enquanto seleções e torcedores assimilam os resultados da Copa do Mundo de 2026, os episódios de críticas e ataques direcionados a atletas e treinadores voltam a colocar a saúde mental no centro das discussões sobre o esporte. Em um cenário de exposição permanente e cobrança constante, o tema tem ganhado espaço entre entidades esportivas, especialistas e jogadores, ampliando um debate que segue além dos gramados e das competições internacionais.