No dia 8 de maio, Poços de Caldas foi palco de uma grande mobilização popular contra a exploração de terras raras no Sul de Minas Gerais. A audiência pública e a marcha realizadas no IFSULDEMINAS – Campus Poços de Caldas reuniram centenas de pessoas e lotaram tanto o auditório quanto a área externa da instituição.

A marcha contou com a participação de movimentos sociais, estudantes, pesquisadores, coletivos culturais, ambientalistas e comunidades tradicionais, em um ato que denunciou os impactos ambientais e sociais dos projetos de mineração previstos para o planalto vulcânico de Poços de Caldas.

Estiveram presentes a deputada federal Célia Xakriabá e as deputadas estaduais Bella Gonçalves e Beatriz Cerqueira, mobilizadoras da audiência, que defenderam maior transparência nos processos relacionados aos empreendimentos minerários e a ampliação do debate público sobre os impactos da mineração no Sul de Minas.

Durante a audiência, lideranças indígenas do povo Kiriri denunciaram a forma como as mineradoras chegaram ao território sem apresentar informações claras sobre os projetos de exploração de terras raras. As falas destacaram a ausência de diálogo com as comunidades e os riscos que os empreendimentos representam para os territórios tradicionais e para os recursos naturais da região.

Representantes do setor agrícola cafeeiro também se posicionaram contra os projetos minerários. Lideranças que representam mais de 2.500 produtores de café alertaram para os possíveis impactos da mineração sobre as águas, nascentes e áreas de produção agrícola do Sul de Minas.

Ao longo da atividade, movimentos sociais e organizações populares questionaram o avanço da exploração de minerais críticos e estratégicos no Brasil e defenderam que a chamada transição energética não pode ocorrer às custas da destruição ambiental e do comprometimento dos territórios.

A mobilização terminou com um posicionamento coletivo em defesa da água, da agricultura, dos povos tradicionais e da soberania dos territórios. Entre as principais mensagens do ato, destacou-se a certeza de que o Sul de Minas diz não à exploração de terras raras.