Copa do Mundo de 2026 pode se tornar a mais poluente da história devido ao impacto ambiental
Mundial reacende o debate sobre o gigantismo do futebol e os severos efeitos climáticos das emissões de CO2
Com 48 seleções e três países-sede, a Copa do Mundo de 2026 reacende o debate sobre os impactos climáticos do futebol. O torneio será o maior já realizado pela FIFA, reunindo 104 partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México. No entanto, a ampliação do formato e a logística territorial complexa intensificam as preocupações ambientais, com projeções de que o Mundial registre a maior pegada de carbono da história do esporte.
Dentro da estrutura de relevância dos fatos, pesquisadores estimam que a competição possa gerar mais de 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e). Esse volume expressivo é impulsionado principalmente pelo transporte aéreo, necessário para conectar cidades separadas por milhares de quilômetros, como Vancouver, Toronto, Cidade do México, Los Angeles, Dallas, Atlanta, Miami e Nova York. Diferentemente da edição compacta realizada no Catar, a dimensão territorial de 2026 exigirá uma intensa e constante operação de deslocamento para seleções, equipes técnicas, imprensa e milhões de torcedores, tornando o consumo de combustíveis fósseis o principal ponto crítico do evento.
Esse debate ganha relevância em um contexto global marcado pelo agravamento das mudanças climáticas. O aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor na América do Norte tem levantado alertas severos sobre a saúde e a adaptação de atletas, trabalhadores e espectadores. Paralelamente, a própria FIFA tenta fortalecer sua agenda ambiental ao apresentar uma estratégia de sustentabilidade para o ciclo de 2026, orientando as cidades-sede a desenvolverem planos focados na ampliação do uso de energias renováveis, em programas de eficiência energética, na gestão de resíduos, no incentivo ao transporte público e no monitoramento de emissões.
Apesar dos esforços da entidade máxima do futebol, organizações ambientais e analistas do clima demonstram forte ceticismo. Em linhas gerais, os especialistas argumentam que, embora as ações de mitigação propostas pela FIFA representem avanços institucionais, elas se tornam paliativas e insuficientes diante da magnitude real do torneio. Para os analistas, a expansão física do evento anula os ganhos ecológicos superficiais, evidenciando o dilema moderno entre crescimento econômico e responsabilidade ambiental efetiva.
A avaliação do cenário reforça que o maior desafio do esporte internacional hoje é compatibilizar o alcance global com a sobrevivência climática. Como destacado em recentes debates sobre o tema, mais do que definir um campeão em campo, a competição de 2026 servirá como um teste definitivo para a capacidade do esporte de incorporar práticas genuinamente sustentáveis em um mundo cada vez mais pressionado pelas questões ambientais.



