Bárbara Banida abre sua primeira exposição individual na Cave
Após mais de dez anos investigando as relações entre arte, ecologia e existências dissidentes, a artista Bárbara Banida apresenta sua primeira exposição individual, “Erotar”, na Cave
No sábado, 25 de julho, a Cave se transforma em Erotar, planeta em regeneração criado pela artista Bárbara Banida para imaginar um mundo possível diante do colapso climático. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra transforma a galeria em um ecossistema ficcional e imersivo, habitado por esculturas de criaturas recém-nascidas, pinturas de paisagens em mutação e formas híbridas que atravessam a cerâmica esmaltada, a pintura, o desenho, a instalação, a experimentação sonora e ambientes 3D imersivos.
A exposição é fruto de uma pesquisa de mais de dez anos da artista, que acumula prêmios como o LabVerde, foi finalista do Selo Mandacaru e, neste ano, foi indicada ao Prêmio PIPA — o maior prêmio de arte contemporânea do Brasil —, além de integrar o grupo de artistas selecionados para o 39º Panorama da Arte Brasileira, considerada a exposição bienal mais importante do país.
Erotar é a invenção de um planeta íntimo e regenerativo, um mundo que não se organiza a partir do medo do fim, mas da possibilidade de renascimento — experiência também vivida por Bárbara. A proposta nasce do diálogo entre a artista e o curador Lucas Dilacerda, parceria iniciada em 2020 e aprofundada nos últimos anos no Doutorado em Artes da UFC e no Laboratório de Artes Visuais da Porto Iracema das Artes, resultando em uma exposição que assume a ficção ecológica como estratégia de cuidado, imaginação e criação de futuros.




“Em Erotar, o público se torna testemunha do nascimento de um planeta misterioso, que evoca a espiritualidade no encontro entre arte, ecologia e ficção. É a esperança de um mundo possível para habitar, repleto de criaturas recém-nascidas”, afirma Banida.
A exposição reúne cerca de 26 obras de diferentes escalas e linguagens, incluindo pinturas a óleo e com óxidos de ferro inspiradas na residência artística realizada pela artista na Serra da Capivara (PI), experimentos sonoros, fotoperformances e ambientes 3D imersivos desenvolvidos em parceria com o artista Mateus Falcão, instalações site specific com carvão e uma ampla investigação sobre as possibilidades da cerâmica contemporânea. Totens, peças suspensas, obras pictóricas, trabalhos figurativos e não figurativos, além de combinações entre barro, ouro, madrepérola, fotografia e vídeo, compõem o universo de Erotar.
As experiências vividas em residências artísticas em Fortaleza e Quixadá (CE), Serra da Capivara (PI) e Olhos D’Água (GO) também atravessam a mostra, aproximando paisagens, materiais e memórias de diferentes ecossistemas brasileiros.
“Uma exposição individual é um parto, sobretudo de si mesma. Mas gosto de pensar que esta é também uma exposição coletiva, porque nasce do encontro: entre corpo e barro, entre artista e curadoria, entre uma equipe ampla que torna esse mundo possível”, diz a artista.
Para Bárbara Banida, a Cave foi um território decisivo nesse processo. Segundo ela, a parceria com Lucas Dilacerda, o galerista Pedro Diógenes e toda a equipe da galeria permitiu que Erotar fosse construída como um espaço de experimentação radical, deslocando para dentro de uma galeria cearense linguagens normalmente associadas a museus e espaços independentes.
No centro dessa investigação está a cerâmica, material que a artista reconhece como sua principal força criativa. Com Erotar, Bárbara Banida inaugura um novo capítulo de sua trajetória e convida o público a atravessar um planeta em formação, onde arte, ecologia, espiritualidade e ficção se encontram para imaginar outras formas de existir.
Serviço
Exposição: Erotar, de Bárbara Banida
Curadoria: Lucas Dilacerda
Local: Cave – Rua Pereira Valente, 757, Meireles
Abertura: 25 de julho (sábado), das 16h às 21h



