A CAIXA Cultural Rio de Janeiro recebe, nos dias 11 e 12 de julho (sábado e domingo), o espetáculo intimista do cantor, compositor e pesquisador da musicalidade ritualística afro-brasileira, Mateus Aleluia. Em duas apresentações em formato voz e violão, o artista revisita canções que atravessam mais de cinco décadas de trajetória. Com duração de 60 minutos, o espetáculo acontece no Teatro Nelson Rodrigues, sempre às 18h, e a sessão de sábado contará com tradução em Libras.

Os ingressos, disponibilizados para venda online no dia 24 de junho, se esgotaram em poucos minutos, refletindo o interesse do público em reencontrar uma das vozes mais singulares da música brasileira.

Em cena, Mateus Aleluia percorre diferentes momentos de sua trajetória, do período à frente do trio vocal Os Tincoãs — referência na incorporação das matrizes afro-brasileiras à música popular — às composições de seus trabalhos mais recentes, que lhe renderam reconhecimento na cena contemporânea da world music e uma indicação ao Latin Grammy Awards. Acompanhado apenas de seu violão, o artista convida o público a uma escuta atenta de uma obra que permanece viva, espiritual e profundamente atual.

Mateus Aleluia

Natural de Cachoeira, Mateus Aleluia é cantor, compositor e pesquisador da musicalidade ritualística afro-brasileira. Sua trajetória artística começou na década de 1970 com Os Tincoãs, trio que introduziu, de forma pioneira e sofisticada, a poética das religiões de matriz africana na música brasileira. O trabalho do grupo permanece como um marco estético e segue influenciando diferentes gerações de artistas.

Entre as décadas de 1980 e 2000, viveu em Angola, onde aprofundou pesquisas sobre culturas tradicionais e consolidou sua atuação como artista e pesquisador. Dessa experiência nasceram projetos como O Afrobarroco, Nações do Candomblé e Baía Profunda. Sua obra conquistou reconhecimento internacional e passou a integrar o circuito da world music, com destaque em publicações da Inglaterra, França e Estados Unidos.

Nos últimos anos, Mateus Aleluia recebeu importantes reconhecimentos por sua contribuição à cultura brasileira. Tornou-se Comendador da Bahia, em 2019; recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em 2022; teve o álbum Afrocanto das Nações – Jêje indicado ao Latin Grammy Awards; e, em 2025, foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, no grau Grã-Cruz, a mais alta distinção concedida pelo Estado brasileiro a personalidades da arte e da cultura. Em 2020, sua trajetória também foi retratada no documentário Aleluia, o canto infinito do Tincoã.