Quem são as mulheres que estão na equipe de arbitragem da Copa do Mundo de 2026?
Entenda a trajetória das seis representantes femininas na arbitragem do Mundial disputado na América do Norte
Por Maria dos Santos – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
No futebol, a equipe de arbitragem costuma ocupar os holofotes apenas em momentos essenciais das partidas, que é quando uma decisão tomada gera debate. Mas, na Copa do Mundo de 2026, algumas das histórias mais relevantes do torneio chamam atenção antes mesmo do apito inicial. Entre os profissionais selecionados pela FIFA para atuar no Mundial estão seis mulheres que representam diferentes países, trajetórias e caminhos dentro do futebol, em uma função que durante décadas permaneceu praticamente inacessível para elas.
A presença feminina na arbitragem do principal torneio do futebol masculino ainda é recente. Até poucos anos atrás, a possibilidade de ver mulheres comandando partidas em grandes competições internacionais parecia distante. Hoje, embora os números ainda estejam longe da igualdade, a realidade é diferente. A edição de 2026 dá sequência a um movimento que vem ganhando força no cenário global e que passa pelo reconhecimento técnico de árbitras e assistentes que construíram suas carreiras em competições nacionais e internacionais.
Mais do que uma conquista individual, a participação destas profissionais ajuda a contar uma história de transformação dentro do esporte.
Mas afinal, quem são as árbitras escolhidas?
Katia Itzel García (México)

Katia Itzel García desenvolveu sua trajetória em um dos cenários mais exigentes da CONCACAF. Com atuação frequente em competições masculinas no México e em torneios internacionais, a árbitra se destacou pela segurança na condução de partidas intensas e pela capacidade de administrar jogos com elevado nível de competitividade.
Desde 2019, ela faz parte do quadro de árbitras da FIFA, acumulando experiência em competições de seleções e confrontos de grande relevância. Sua participação recorrente em partidas decisivas contribuiu para fortalecer sua reputação no cenário internacional e consolidá-la como um dos principais nomes da arbitragem mexicana. O reconhecimento também veio por meio da Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), que a classificou como a sexta melhor árbitra do mundo em 2024 e 2025.
Tori Penso (Estados Unidos)

Tori Penso consolidou seu nome como uma das principais árbitras dos Estados Unidos ao acumular experiências em competições de alto nível, tanto no cenário nacional quanto internacional. Sua atuação na Major League Soccer e em torneios organizados por entidades internacionais a levou a participar de partidas de grande destaque. Em 2020, marcou a história da arbitragem ao se tornar a primeira mulher em mais de 20 anos a apitar uma partida da MLS. Já em 2021, alcançou novos marcos ao comandar um confronto das Eliminatórias da Copa do Mundo masculina e liderar a primeira equipe de arbitragem composta exclusivamente por mulheres em uma competição masculina da Concacaf.
Ainda em 2021 passou a integrar a Lista Internacional de Árbitros da FIFA, no qual demonstrou regularidade em cenários de alta tensão. A evolução dentro da carreira a colocou entre as principais árbitras do quadro internacional nas últimas temporadas.
Brooke Mayo (Estados Unidos)

Com atuação consolidada como assistente, Brooke Mayo construiu sua carreira a partir de competições organizadas pela confederação norte-americana e chegou a FIFA em 2018. Seu trabalho se destaca na precisão em decisões de linha e presença constante em jogos de alto nível técnico.
Sua trajetória é marcada pela presença em grandes competições internacionais, como a Copa do Mundo Feminina de 2023, os Jogos Olímpicos de Paris 2024 e o Mundial de Clubes de 2025. O destaque de suas atuações lhe rendeu o prêmio de Árbitra Feminina do Ano nos Estados Unidos em 2025. A experiência em diferentes contextos competitivos foi determinante para sua presença no grupo selecionado para o Mundial.
Kathryn Nesbitt (Estados Unidos)

Kathryn Nesbitt possui uma das trajetórias mais sólidas entre as assistentes convocadas. Antes de alcançar o mais alto nível da arbitragem internacional, passou por diversas etapas da profissão até chegar na FIFA em 2016. Em sua carreira, também entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a atuar em uma final de liga profissional masculina na América do Norte, na decisão da MLS Cup entre o Columbus Crew e o Seattle Sounders.
Com participações em torneios globais e jogos de grande visibilidade, construiu reputação baseada em regularidade e leitura de jogo. Sua experiência acumulada em competições de elite fez dela uma presença recorrente em escalas internacionais nos últimos anos.
Sandra Ramírez (México)

Sandra Ramírez é um dos nomes da arbitragem assistente mexicana com presença frequente em competições internacionais. Ao longo de sua carreira, acumulou experiências em torneios da CONCACAF e se destacou pela atuação consistente em partidas de diferentes níveis e contextos.
Sua projeção ganhou força em 2019, ano em que fez sua estreia na Ascenso MX, competição que reunia clubes da segunda divisão do futebol mexicano. Também naquele ano, conquistou o escudo FIFA, passo importante para ampliar sua participação em torneios internacionais e fortalecer sua trajetória na arbitragem.
Tatiana Guzmán (Nicarágua)

Tatiana Guzmán integra a equipe de arbitragem de vídeo da Copa do Mundo de 2026, desempenhando um papel fundamental na operação do VAR. Sua função exige conhecimento aprofundado das regras do jogo, atenção aos detalhes e rapidez na avaliação de lances que podem influenciar diretamente o resultado das partidas.
Ao longo da carreira, acumulou marcos importantes para a arbitragem da Nicarágua. Foi a primeira mulher a apitar um jogo da primeira divisão masculina do país e também a primeira nicaraguense a comandar a final do Torneio Classificatório Olímpico Feminino da Concacaf. Sua trajetória ganhou ainda mais destaque ao se tornar a primeira árbitra de seu país escolhida para participar de uma Copa do Mundo.
Com experiência em estruturas de apoio à arbitragem internacional, ela passou a integrar a Lista Internacional de Árbitros da FIFA em 2014. O trabalho na sala de VAR se tornou parte central da arbitragem moderna, com impacto direto no andamento das partidas.
O que a presença destas profissionais representa?
Embora a participação de mulheres em grandes torneios internacionais tenha aumentado nos últimos anos, a arbitragem ainda é um dos setores mais desiguais do futebol. Durante muito tempo, oportunidades em competições masculinas foram limitadas, o que reduziu a visibilidade e as possibilidades de crescimento profissional para árbitras.
A escolha das seis profissionais para a Copa do Mundo de 2026 não elimina esse cenário, mas sinaliza uma mudança importante. A presença delas no torneio é resultado de anos de preparação, avaliações constantes e desempenho em competições de alto nível.
Também representa um avanço simbólico para futuras gerações. Quanto mais mulheres ocupam espaços de destaque em eventos globais, maior se torna a percepção de que a arbitragem pode ser uma carreira possível para meninas interessadas em permanecer no futebol.
Um caminho que ainda está em construção
A Copa do Mundo de 2026 ficará marcada por diferentes transformações, principalmente o novo formato da competição com o aumento do número de seleções participantes. Porém, o que pode ser mais importante entre essas mudanças é a presença das seis mulheres na equipe de arbitragem, que ajuda a registrar outro movimento relevante: a ampliação gradual dos espaços femininos dentro das estruturas do futebol internacional.
Ainda que os desafios permaneçam, a convocação destas profissionais mostra que a discussão sobre participação feminina no esporte já não se limita às quatro linhas. Ela também passa por quem interpreta as regras, toma decisões sob pressão e ajuda a conduzir os jogos mais importantes do planeta. Afinal, quando o apito soar nos gramados do Mundial, elas estarão ali não para representar uma exceção, mas para exercer uma função para a qual se prepararam durante toda a carreira.



