Por Rodrígo Olivêira – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Todo apaixonado por futebol já está acostumado em ver seu time do coração trocar o design do uniforme todos os anos antes de começar o Campeonato Brasileiro. No entanto, mesmo que isso ocorra anualmente também com as seleções, no período de Copa do Mundo os preços das camisas ficam exponencialmente mais caras que nos anos anteriores nos sites brasileiros.

Adidas, Nike e Puma são, novamente, as principais fornecedoras de equipamentos esportivos neste Mundial, e com isso, milhares de apaixonados correm para garantir o manto da sua seleção favorita.

VERSÕES DE TORCEDOR x JOGADOR

Nos últimos anos, as fornecedoras de equipamentos esportivos decidiram incluir um novo tipo de linha para as camisas de times e seleções: a versão jogador. Antes disso, esse tipo de venda não era muito praticado, apesar de sempre existirem diferenças sutis entre os produtos comercializados em lojas e sites oficiais em relação aos uniformes utilizados em campo.

Para diferenciar a camisa da linha “jogador” da versão “torcedor”, que era mais comumente vendida, as fornecedoras passaram a adotar tecidos exclusivos e detalhes personalizados, que não são encontrados nas peças mais populares. Esse foi uma maneira encontrada para aumentar a margem de lucro, uma vez que começaram a perceber que existia público para esse tipo de produto.

Mas, afinal: quanto custa comprar uma camisa de alguma das seleções presentes no Mundial de 2026?

VALORES OFICIAIS

Nos sites oficiais das três marcas citadas, são encontrados variados preços de venda em modelos masculinas e femininas. Na versão torcedor, os valores variam entre R$399,99 (Adidas) a R$449,99 (Nike e Puma) para seleções como: Portugal (Puma), Argentina (Adidas), Alemanha (Adidas), México (Adidas) e o Brasil (Nike).

Porém, os preços quase duplicam quando para a versão jogador. Nesta sessão, os valores variam entre R$549,99 (Puma), R$749,99 (Nike) e R$799,99 (Adidas).

Foto: Divulgação/Nike
Foto: Divulgação/Adidas
Foto: DIvulgação/Puma

Com o salário-mínimo bruto de R$ 1.621,00 no Brasil, comprar uma peça oficial significa para o trabalhador brasileiro comprometer cerca de 24,68% a 27,76% da renda na aquisição de uma camisa versão torcedor e de 33,93% a 49,35% na versão jogador.

Para chegar a esse valor existem muitas variantes, como a cotação do dólar que está a R$5,06 (valor atualizado no dia 13 de junho), inflação, entre outros. Mas o fato inegável é que: está realmente caro vestir a camisa de uma seleção nesta Copa.

A comparação internacional ajuda a dimensionar o impacto desses preços para o torcedor brasileiro. Nos Estados Unidos, a camisa da seleção argentina é anunciada por US$180, a do Brasil por US$175 e a de Portugal por US$150. Apesar dos valores elevados, o custo relativo para o consumidor brasileiro tende a ser maior quando considerado o poder de compra e a renda média de cada país.

MERCADO PARALELO

Do trabalhador CLT (da futura extinta escala 6X1) ao colecionador e amante do futebol, ter uma camisa oficial virou artigo de luxo. Por conta disso, de forma recorrente, quem quer adquirir o item, seja de seleção ou time, acaba recorrendo às famosas “Tailandesas”. 

As camisas foram apelidadas assim por serem as versões paralelas das oficiais, e geralmente são fabricadas (de forma não oficial pelas marcas) em países asiáticos, como a própria Tailândia.

Camisas compradas nessa modalidade chegam a variar entre R$200 a R$300. No entanto, a legislação tributária brasileira, eventualmente, no momento da importação ou em suas fiscalizações aleatórias e rotineiras, acaba por confiscar esses materiais, levando-os para destruição.

De acordo com o artigo do site Destra, baseado em um estudo realizado pela Associação Brasileira de Licenciamento de Marcas e Personagens (Abral) e o Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade, a pirataria no mercado esportivo gerou um prejuízo de R$300 bilhões somente em 2022. Essa estimativa levou em consideração a soma de perdas registradas por 15 setores industriais e o cálculo dos impostos que deixaram de ser arrecadados.

Com os preços exorbitantes e as nunces do mercado de camisas esportivas, é inegável que o cidadão brasileiro não consegue ter o poder de compra para torcer livre e democraticamente pela Seleção Brasileira – ou de outro país.

Isso justifica, em parte, os dados do relatório, já que uma parcela da população recorre às camisas esportivas de sua preferência em mercados paralelos e não-oficiais. O abismo cresce ainda mais quando comparamos em números (sem conversão) que o poder de compra em dólar é maior que em reais.

No fim das contas, o problema não está apenas no preço da camisa, mas no quanto ela representa diante da realidade econômica brasileira. Quando um único uniforme pode consumir até metade de um salário-mínimo, o futebol deixa de ser apenas entretenimento e passa a expor as limitações do poder de compra da população.

Em uma Copa que promete reunir o mundo diante da televisão, muitos brasileiros assistirão aos jogos vestindo suas cores favoritas, mas não necessariamente por meio dos produtos que as marcas oficiais colocam à venda.