Por Fabiana Sabino – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Antes de assumirem a camisa de uma seleção, alguns jogadores tiveram que assumir a dor de uma partida. Nascidos em campos de refugiados ou crescendo com a memória de ter seu país lutando em uma guerra e enfrentando crises humanitárias, essa é a realidade de pelo menos sete jogadores que disputarão a Copa do Mundo 2026. 

A Copa do Mundo tornou-se o palco central dessas histórias e ajudou a reconstruir a vida de vários atletas. Não é só uma modalidade esportiva; o futebol também é símbolo de resistência, identidade e pertencimento e, assim, tem o poder de transformar vidas e construir futuros.

A ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) listou sete jogadores de futebol convocados para a Copa do Mundo de 2026 que tiveram suas vidas marcadas por atos de luta desde a infância.

Precisaram fugir de onde nasceram para campos de refugiados por causa de guerras e enfrentaram um processo difícil de adaptação após o deslocamento forçado. 

A presença desses atletas no Mundial amplia o conceito humanitário da Copa do Mundo, um torneio que, além de jogos e torcidas, também abraça histórias de superação, coragem, acolhimento e recomeço.

Conheça os jogadores refugiados que irão disputar a Copa do Mundo 2026:

Alphonso Davies

Foto: Chris from Brampton, Canada/Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

O jogador mais conhecido dessa lista é o capitão da seleção do Canadá, que atua no Bayern de Munique. Ele nasceu em Gana, em um campo de refugiados, após seus pais precisarem fugir de uma guerra civil na Libéria. Hoje ele representa o país que o reassentou junto com sua família e é um dos nomes mais reconhecidos no futebol mundial.

Em 2026, Davies terá a oportunidade de jogar em casa, mas sua luta começou muito antes da seleção canadense: começou em busca de segurança e sobrevivência.

Antonio Rüdiger

Foto: Granada/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Rüdiger é um dos principais zagueiros do mundo; atua no Real Madrid e, em 2026, vai representar a seleção da Alemanha, país que o acolheu desde a infância. O jogador é filho de mãe de Serra Leoa, que precisou fugir de seu país devido aos conflitos que marcaram os anos 1990.

Ele cresceu em um bairro de Berlim chamado Neukölln, que abrigava várias famílias refugiadas. Entre diferentes línguas, culturas e origens, foi ali que ele encontrou o futebol como uma forma de mudar sua trajetória.

Rüdiger tem sua carreira atrelada a alguns projetos que visam incluir as crianças afetadas pelo deslocamento, além de ajudar no acesso à educação e à saúde. 

Mohamed Touré

(Foto: Supporterhéninois/Wikimedia Commons, CC0 1.0) 

Touré é atacante do Norwich City e da seleção australiana, nascido na Guiné depois que sua família fugiu da guerra em Serra Leoa. Ele foi reassentado na Austrália, onde cresceu e achou no futebol uma ferramenta de reconstrução pessoal.

Hoje ele faz parte de uma geração que faz da seleção australiana uma seleção mais diversa, mostrando que uma seleção nacional não pertence apenas a quem nasce no território, mas a todos que abraçaram e foram abraçados pelo país e que encontraram uma forma de mudar o destino.

Nestory Irankunda

Foto: Reprodução/Instagram

Nestory Irankunda é um dos grandes nomes da seleção australiana. Nascido em 2006 na Tanzânia em um campo de refugiados. Seus pais precisaram deixar a República Democrática do Congo após conflitos políticos e violência. 

Irankunda foi reassentado na Austrália e, através do seu talento no futebol, logo se tornou destaque no país. 

Na Copa de 2026, ele representa uma juventude que desde cedo precisou lutar por sobrevivência.

Awer Mabil

Foto: Pars Media Corporation/Wikimedia Commons, CC BY 4.0.

Awer Mabil nasceu no Quênia, em um campo de refugiados, após sua família ter fugido dos conflitos no Sudão do Sul.

Ainda criança, Mabil já demonstrava interesse pelo futebol; mesmo com quase nenhum recurso, ele já usava o futebol como forma de se conectar ao mundo.

Com 10 anos de idade, Mabil foi reassentado com a família na Austrália. Lá ele pôde construir uma nova vida com novos sonhos e possibilidades. 

Com seu talento, ele chegou ao Adelaide United e, assim, conseguiu construir uma carreira internacional e, em 2026, vai representar a Austrália na Copa do Mundo.

Ermedin Demirović

Foto: Reprodução/Instagram

Ermedin Demirović nasceu na Alemanha, mas sua história familiar começa na Bósnia e Herzegovina. Seu pai precisou reconstruir a vida em terras alemãs, pois seu país de origem enfrentava um período de guerra. 

Demirović atua como atacante no VfB Stuttgart e escolheu defender a Bósnia na Copa do Mundo 2026. Para ele, defender essa seleção não é só vestir a camisa, é representar uma memória de quem precisou partir, mas escolheu honrar o vínculo com o seu país.

Ali Al-Hamadi

Ali Al-Hamadi, jogador da seleção iraquiana, nasceu no Iraque, porém, ainda criança, precisou buscar proteção e segurança no Reino Unido. 

O jogador cresceu na Inglaterra, onde conheceu o futebol e passou por alguns clubes britânicos. Viveu em um país cheio de culturas e origens diferentes, mas nunca perdeu sua identidade. Em 2026, o atleta chega ao mundial vestindo a camisa que representa uma geração que cresceu longe de casa, mas que carrega sua identidade.

Depois de décadas, o Iraque volta a disputar uma Copa do Mundo e Al-Hamadi faz parte desse retorno. 

Esses são alguns exemplos de como o esporte, sobretudo o futebol, é um instrumento que ajuda a salvar vidas e transformar o mundo em um lugar mais acolhedor, onde não existem fronteiras que impeçam a realização de sonhos.