Por Mayara Silva | Copa FemiNINJA

Foto: Reprodução Medio Tiempo

Em 2017 o México voltou os olhos para o futebol feminino com o início da Liga MX Femenil, a divisão mais alta do esporte no país. É composto pelas equipes femininas dos principais times da Liga MX, neste ano com 19 times. E esse foi o ponta pé para esquentar todos os setores do futebol, elevando o nível das jogadoras, das organizações e comissões técnicas e trazendo exposição nacional e mundial aos times femininos mexicanos. Sob criticas positivas e negativas, a Liga vem apresentando contínuas mudanças em suas estatisticas demonstrando seu crescimento e consolidação.

Neste ano comemoram o marco de 500 partidas e o aumento de espectadores de 412 mil, em sua primeira edição, para mais de 800 mil. Como na maioria massiva dos países, o México também sofreu e sofre com a cultura machista do futebol. Os mexicanos são um povo que se considera matriarcal, porém a figura da mãe ocupa o mesmo papel dos países patriarcais, as mulheres são donas de casa e mães leoas, porém, cabe a elas também o título de santa. Com elas ninguém mexe.

As mídias do México, mesmo diante do crescimento e consolidação da Liga MX Femenil, ainda não dão evidência ao futebol feminino, seja em suas mídias sociais, pautas ao vivo ou transmissões abertas. As jogadoras de futebol mexicanas também enfrentam os mesmos problemas que as brasileiras, além da visibilidade midiática e o tradicional “futebol não é coisa de menina”, os recortes de investimentos publicitários e do governo são bem inferiores ao dos homens.

Cerca de 90% das jogadoras mexicanas ganham em torno de 6 mil pesos por mês, equivale-se a R$1205,81.

Há quem defenda que essa diferença de trabalho dá-se por conta da competitividade e rendimento em comparação aos times masculinos, entretanto as estatisticas desmentem, as quantidades de gols, por exemplo, em competições são maiores para os times femininos. Já é sabido, quanto mais se falar, assistir e se investir no futebol feminino, mais aumentarão as jogadoras e equipes. Essa ideia de “jogo de homem” traduz a cultura do esporte e a segregação de gêneros reforçando-os socialmente. No fim, a Liga Feminina é bem parecida com a Masculina. Iniciou-se com 18 times organizados em 2 etapas da competição, “Apertura” e Clasura”.

Também regulado pela Federeção Mexicana de Futebol, a Liga surgiu oficialmente em 5 de dezembro de 2016 , foi definido que as equipes deveriam ter 21 jogadoras da categoria sub-23, quatro da sub-17 e 2 da chama- da categoria livre. Todas as jogadoras deveriam ser de nacionalidade mexicana, assim fortaleceria a seleção Mexicana Feminina. Na “Apertura” os times são organizado por chaves, assim todos os times jogam entre si. Na “Clausura” os oito melhores disputam um mata-mata, ou “liguilla”, como chamam no México.

Para 2019 serão aplicadas algumas mudanças. São 19 times, categoria sub-25 e as jogadoras podem ser mexicoamericanas. O crescimento da Liga é visível, em todas partidas os números de espectadores em estádio excedeu às expectativas. Isso é prova concreta da força do futebol feminino. A criação da Liga MX Femenil é justa e mais do que necessária. Os esportes são importantes para a sociedade e o que acontece nesse meio reflete nas massas. Favorecer e incentivar equipes femininas ou prestigiar reconhecer iniciativas como a Liga Mexicana é inigualável. Envia uma poderosa mensagem: o futebol não tem gênero.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Boaventura de Sousa Santos

Lula da Silva: a democracia entre o passado e o futuro

Renata Mielli

Que manchete um jornalista daria para essa notícia?

Manuela d'Ávila

Joice, eu sou sinceramente solidária a você porque sei o que você está vivendo

Mônica Horta

Moda contemporânea e seus múltiplos caminhos

Dríade Aguiar

Liberdade para todas as pretas

Jean Wyllys

Carta a Dilma: Eu cuspi na cara dele por você, Dilma. Por nós.

André Barros

O fim do Bolsonaro

Renata Mielli

Já dizia minha mãe sobre desculpas, não dá pra atirar e pedir desculpa pro morto

Tainá de Paula

A milícia é a primeira prefeita da cidade do Rio de Janeiro

Daniel Zen

O equívoco liberal chileno

Daniel Zen

O equívoco liberal chileno

Estudantes NINJA

Um (quase) final de ano de tantos retrocessos

Eduardo Sá

“Não colem em mim esse discurso da meritocracia”, diz Conceição Evaristo

Preta Rara

A senzala moderna é o quartinho da empregada

NINJA

A criminalização do aborto e o feminicídio de Estado