Por Gabriella Brizotti | Copa FemiNINJA

Foto: Larissa Zaidan

Infelizmente o futebol ainda é um esporte machista, no qual dentro das quatro linhas, ou mesmo nas arquibancadas, nós mulheres devemos provar que o espaço é nosso também. Em ano de Copa do Mundo feminina, o assunto mulher e futebol fica mais em alta, afinal é a hora das garota ganharem o reconhecimento necessário e merecido, porém sabemos que não é isso que acontece. Uma das grandes conquistas desse torneio é a transmissão em grande rede nacional, fazendo com que mais pessoas acompanhem os jogos e torçam por nossa seleção.

Se dentro do campo as conquistas vão aparecendo, na bancada também temos avanços, como por exemplo o aumento do público feminino que frequenta estádios –  Uma pesquisa do IBOPE sobre a quantidade de torcedores aponta que, em 2003, cerca de 50% da torcida corinthiana, por exemplo, já era composta de mulheres. Por consequência disso, há também o surgimento de torcidas e movimentos organizados só por mulheres. 

Tais alianças femininas tem o intuito de ocupar o espaço que é majoritariamente masculino, lutar por igualdade, aumentar a produção e venda de produto feminino pelas marcas esportivas e também criar uma união entre as meninas que curtem futebol.

Em todo o Brasil já são inúmeros os movimentos, dentre eles estão Coletivo INTERfeminista, do Internacional, Movimento Alvinegras – Corinthians; São Pra Elas – São Paulo FC; Verdonnas – Palmeiras; Bancada das Sereias – Santos FC; Movimento Coralina – Santa Cruz e Mulherada Problema – Atlético PR.

Motivação

As motivações para a criação desses movimentos são variadas, alguns surgiram após episódios de machismo e rivalidade, como é o caso do movimento Verdonnas, por exemplo. Após um episódio no metrô paulista em 2018, em que torcedoras do Palmeiras foram expulsas de um vagão por homens de um time rival, somente por estarem uniformizadas com o time do coração. Se viu então necessário a criação de um movimento que representasse todas as palmeirenses.

Há também a motivação por luta de igualdade, como por exemplo a São Pra Elas, que surgiu após perceberem que não havia grande número de material esportivo feminino, contrastando com os materiais masculinos. Na briga pela equidade, a união das São Paulinas se tornou mais forte e foi criado então o movimento em questão.

Combate ao machismo

Na conversa com representantes dos movimentos, todas citaram episódios de machismo que vivenciaram, como conta o Verdonnas: “A mulher ainda é vista por muitos como acompanhante de namorado, como “maria chuteira” ou como alguém que está no estádio para embelezar o ambiente, e por causa dessa visão já passamos por cantadas desrespeitosas, assédio, e nossa opinião algumas vezes ainda é menosprezada porque, segundo alguns homens, não temos propriedade para falar, não entendemos sobre o assunto. Sendo que a única coisa que buscamos é igualdade, estamos no estádio pra torcer por nosso time do coração como qualquer outra pessoa”.

A opinião é compartilhada pela representante do São Pra Elas “Houve uma evolução mas ainda tem muita coisa pra mudar. Ouvimos incansavelmente que após sofrer um assédio, o principal deles verbal, que se estivéssemos em casa não teríamos passado por isso”. Você pode ler mais sobre a torcida feminina do  estado de São Paulo na matéria “Mulher Organizadas” da Vice.

Quero fazer parte, como faço?

Estar em uma torcida é como encontrar uma extensão da sua família. Vide o primeiro encontro dos grupos, realizado em 2017. E para se juntar a uma delas, basta entrar em contato com os movimentos por meio de suas redes sociais e pedir para fazer parte dos grupos de torcedoras. Não é necessário viver na cidade original do seu clube, mas para o próximo jogo que se planejar, você já tem companhia.

 

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Daniel Zen

As mensagens secretas da Lava-jato: crime e castigo

Tainá de Paula

Execução por no mínimo 15 tiros não pode ser tipificada como crime banal

André Barros

Moro contra Lula

Laio Rocha

Taça das Favelas coloca futebol de várzea no centro

Copa FemiNINJA

Um amor, um coração: Reggae Girlz unidas por um sonho

Colunista NINJA

'A única coisa que salva um país é a cultura', afirma Moacyr Luz

Mônica Horta

Moda autoral brasileira presente!

Daniel Zen

É a economia, estúpido!

André Barros

Marchas da Maconha foram maiores que atos de Bolsonaro

Colunista NINJA

Mosquito e Inácio Rios: “A gente respeita o samba autêntico”

André Barros

Aperta a pauta, Toffoli

Colunista NINJA

“Fazer samba é uma resistência e está totalmente ligado à política”, afirma Júlio Macabu da nova geração

Cleidiana Ramos

#15M: Uma lição para esperança e vigilância

Margarida Salomão

Balas e Chocolates: o ataque de Bolsonaro à Universidade brasileira

Fatine Oliveira

Sinto muito, Damares. Meu lugar é na universidade federal