Por João Victor Almeida e Rodrigo Marques

A Copa do Mundo de 2026 já entrou para a história antes mesmo de a bola rolar. Pela primeira vez, o torneio reúne 48 seleções e terá 104 partidas disputadas nos Estados Unidos, México e Canadá. O novo formato representa uma expansão sem precedentes da principal competição do futebol mundial e cria um cenário ideal para a quebra de recordes que sobreviveram por décadas.

Com mais jogos, mais seleções e uma geração que reúne veteranos históricos e jovens talentos em ascensão, a edição deste ano pode redefinir algumas das marcas mais emblemáticas da história das Copas.

México amplia recorde em jogos de abertura

Nenhuma seleção esteve tantas vezes em partidas inaugurais de Copa do Mundo quanto o México. Os mexicanos participaram do primeiro jogo da história dos Mundiais, em 1930, contra a França, e voltaram a abrir as edições de 1950, 1954, 1958, 1962, 1970, 2010 e agora 2026.

A abertura diante da África do Sul amplia ainda mais um recorde que dificilmente será alcançado por outra seleção nas próximas décadas.

México, 1930. Foto: Argentine Football Association Library

Messi, Cristiano Ronaldo e Ochoa chegam à sexta Copa

Entre os personagens mais observados do torneio estão Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa. Os três disputam sua sexta Copa do Mundo, tornando-se os primeiros jogadores da história a alcançar essa marca.

A presença dos três simboliza uma mudança importante no futebol moderno. Avanços na preparação física, medicina esportiva e recuperação de atletas permitiram carreiras mais longas e competitivas, algo raro em gerações anteriores.

Até então, o recorde pertencia a nomes como Antonio Carbajal, Lothar Matthäus, Rafael Márquez e Andrés Guardado, todos com cinco participações. Dentre todos os nomes, o Matthäus ainda continua sendo o único a jogar 3 finais consecutivas (1982, 1986 e 1990). O alemão foi capitão do tri germânico em 90.

A Copa dos quarentões

A longevidade também ajuda a explicar outro possível recorde. A edição de 2026 reúne um número inédito de jogadores com mais de 40 anos.

Além de Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa, atletas como Luka Modrić, Fernando Muslera, Craig Gordon e Edin Džeko chegaram ao Mundial ainda em atividade no mais alto nível.

O cenário reflete uma transformação do futebol contemporâneo, em que jogadores conseguem prolongar suas carreiras muito além dos limites observados nas décadas passadas.

Klose continua ameaçado

Entre os recordes individuais mais difíceis de serem superados está o de Miroslav Klose. O alemão marcou 16 gols em Copas do Mundo entre 2002 e 2014 e permanece como maior artilheiro da história da competição.

Entre os atletas em atividade, os mais próximos são Lionel Messi, com 13 gols, e Kylian Mbappé, com 12.

A missão não é simples, mas o novo formato oferece mais oportunidades para que os atacantes disputem partidas e ampliem suas estatísticas.

Foto: Marcos Brindicci

Just Fontaine e uma marca quase impossível

Se o recorde de Klose está ameaçado, outro parece resistir ao tempo. Em 1958, o francês Just Fontaine marcou impressionantes 13 gols em apenas uma edição de Copa do Mundo.

A marca permanece intacta há quase sete décadas e continua sendo uma das façanhas mais extraordinárias da história do esporte.

Com mais partidas disponíveis em 2026, cresce a possibilidade de algum atacante se aproximar desse número, embora a competitividade atual torne o desafio extremamente difícil.

A Copa com mais gols da história

O aumento do número de jogos praticamente garante um novo recorde coletivo.

A edição de 2022 terminou com 172 gols marcados, a maior marca da história dos Mundiais. Com 40 partidas a mais em 2026, a expectativa é que o torneio ultrapasse com folga esse número e se aproxime da marca dos 300 gols, caso mantenha médias semelhantes às das últimas edições.

Mbappé pode fazer algo inédito em finais

Aos 27 anos, Kylian Mbappé já ocupa um lugar especial na história das Copas.

O atacante francês marcou um gol na final de 2018 e três na decisão de 2022, tornando-se o maior artilheiro da história das finais de Mundial.

Caso a França volte à decisão e Mbappé marque novamente, ele poderá se tornar o primeiro jogador a balançar as redes em três finais diferentes de Copa do Mundo.

Um feito raro dos técnicos 

As atuais finalistas da Copa do Mundo de 2022, França e Argentina, mantêm a base de seus elencos e de suas comissões técnicas na tentativa de alcançar um feito extremamente raro na história do futebol mundial.

Até hoje, apenas uma seleção conquistou duas Copas do Mundo consecutivas sob o comando do mesmo treinador. O feito pertence à Itália, campeã em 1934 e 1938 com Vittorio Pozzo, que permanece como o único técnico bicampeão mundial e de forma consecutiva. Desde então, nenhum treinador conseguiu repetir a façanha.

Ao longo das décadas, diversos campeões mundiais tentaram defender com sucesso o título conquistado quatro anos antes, mas sem êxito. Entre eles estão Vicente Feola, com o Brasil em 1966; Zagallo, em 1974 e novamente em 1998; Carlos Alberto Parreira, em 2006; Vicente del Bosque, em 2014; Luiz Felipe Scolari, também em 2014; Joachim Löw, em 2018; e Didier Deschamps, em 2022.

Agora, Lionel Scaloni, pela Argentina, e Didier Deschamps, pela França, entram para essa seleta lista de treinadores que buscam quebrar um jejum de quase nove décadas e igualar um recorde que permanece intacto desde a conquista italiana de 1938.

Yamal desafia marcas de precocidade

Se Messi e Cristiano representam a longevidade, Lamine Yamal simboliza a nova geração.

Com apenas 18 anos, o espanhol chega ao Mundial como um dos jogadores mais talentosos do planeta e pode desafiar diversos recordes de juventude.

Entre eles está o de mais jovem vencedor da Chuteira de Ouro, atualmente pertencente ao alemão Thomas Müller, que conquistou o prêmio aos 20 anos durante a Copa de 2010.

Yamal também aparece como um dos candidatos a quebrar outra marca histórica: a de mais jovem vencedor da Bola de Ouro da Copa. O recorde pertence ao brasileiro Ronaldo, eleito o melhor jogador do Mundial de 1998 aos 21 anos.

A Argentina vem forte na busca de algo que não ocorre há 64 anos 

Com o início da copa, crescem as expectativas para as estreias das seleções que sempre vem fortes na busca pelo título, entre elas, a da Argentina, a atual campeã. Porém, toda essa expectativa guarda um desafio raríssimo: a de defender o título com sucesso. 

Nos 96 anos de competição, apenas duas seleções conseguiram ganhar a copa de forma consecutiva: a Itália em 1934 e 1938, e o Brasil em 1958 e 1962. A própria Argentina chegou próximo desse feito em 1990, mas o título daquele mundial ficou com a Alemanha. Será que os hermanos vão conseguir dessa vez igualar essa marca que não ocorre desde o Mundial disputado no Chile?

A França a caminho de igualar Brasil e Alemanha 

Quando se fala em copa do mundo, Brasil e Alemanha dominam boa parte dos recordes da competição, desde a disputa acirrada pelo número de gols marcados até o número de finais disputadas. Com a dominância da França no cenário futebolístico nos últimos anos, há a real possibilidade de que a seleção treinada por Didier Deschamps dispute uma terceira final consecutiva, o que não seria inédito, mas que aconteceu apenas duas vezes: em 1982, 1986 e 1990 com a seleção alemã; e em 1994, 1998 e 2002 com a seleção brasileira

O recorde de Pelé também está em jogo

Outro feito histórico que pode ser ameaçado pertence ao maior nome da história do futebol.

Na Copa de 1958, Pelé tornou-se o jogador mais jovem a marcar um gol em Mundiais, aos 17 anos e 239 dias.

Entre os atletas que disputam a Copa de 2026, o mexicano Gilberto Mora surge como principal candidato a superar a marca. Convocado com apenas 17 anos, ele terá várias oportunidades ao longo do torneio para tentar escrever seu nome ao lado dos grandes personagens da história do futebol.

Mais do que uma disputa pelo título, a Copa do Mundo de 2026 pode ser lembrada como o torneio que redefiniu os limites estatísticos do futebol. Entre lendas em suas despedidas e jovens talentos iniciando suas trajetórias, o Mundial da América do Norte oferece uma rara oportunidade de assistir à história sendo escrita em tempo real.