O adversário da França que desafiou Infantino e foi exposto durante revista nos Estados Unidos
Senegal desagradou o presidente da FIFA e foi coincidentemente revistado de forma minuciosa em solo estadunidense
Por Paulo César Guimarães – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
A seleção da França estreia na Copa do Mundo de 2026 contra Senegal na terça-feira (16) no MetLife Stadium, nos Estados Unidos. O adversário é um velho conhecido de estreia em Mundial e já incomodou os franceses em outra Copa, como também incomodou o presidente da FIFA, Gianni Infantino, no início deste ano.
Os senegaleses já criaram problemas para os franceses na abertura da Copa de 2002, quando a equipe africana surpreendeu os, então, atuais campeões mundiais com uma vitória por 1 a 0. Esta derrota da França na estreia foi apenas o começo de uma campanha desastrosa, que culminou em uma eliminação do time europeu ainda na primeira fase do torneio.
Copa Africana de Nações 2026
O problema com o mandatário da FIFA é mais recente, surgido mais precisamente na data de 18 de janeiro de 2026, ocasião em que Gianni visitou o Marrocos para acompanhar a grande final da Copa Africana de Nações daquele ano. Os marroquinhos eram os anfitriões do torneio e decidiram a competição contra Senegal, em uma partida que até hoje não terminou.

Em campo, vitória senegalesa por 1 a 0 e título garantido, no entanto, uma sequência de lances já nos acréscimos do tempo regulamentar poderia ter mudado tudo. Um gol de Senegal anulado e uma penalidade duvidosa assinalada a favor de Marrocos, quando o placar ainda estava zerado, resultaram na retirada dos Leões de Teranga do campo e paralisou a partida por cerca de 10 minutos.
O jogo retornou com o atacante marroquino Brahim Díaz cobrando a penalidade assinalada, mas o goleiro senegalês Mendy defendeu e levou o jogo para a prorrogação. O gol do título de Senegal veio com Pape Gueye aos 4 minutos do tempo extra, no entanto, a frustração dos dirigentes do anfitrião Marrocos e a postura senegalesa, levaram o caso aos tribunais.
Insatisfação de Infantino e posicionamento da Confederação Africana
Ainda no campo de jogo em Rabat, no dia 18 de janeiro, Gianni Infantino entregou a taça de campeão africano de 2026 aos senegaleses. Em imagens do jogo, o mandatário da FIFA aparecia visivelmente incomodado e viria no dia seguinte a dar declarações fortes, em sua rede social, relacionadas a aquilo que viu durante a final.
“Também fomos testemunhas de cenas inaceitáveis no campo e nas arquibancadas, condenamos veementemente o comportamento de alguns ‘torcedores’, assim como o de alguns jogadores e membros da comissão técnica de Senegal.”
A FIFA reagiu com uma medida drástica e excluiu o árbitro congolês Jean-Jacques Ngambo Ndala, que apitou a final da Copa Africana entre Senegal e Marrocos, da lista de árbitros participantes da Copa do Mundo de 2026, deixando clara a insatisfação com a forma em que a arbitragem conduziu os momentos chaves do jogo.
Em março, a Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou que acatou o recurso da Federação Marroquina de Futebol e retirou o título de Senegal, declarando a seleção marroquina como a campeã continental.
O Comitê de Apelações da Confederação Africana de Futebol (CAF) decidiu, acatar o recurso apresentado e aplicou os artigos 82 e 84 do Regulamento, declarando assim a seleção senegalesa derrotada por W.O, ratificando um placar de 3 a 0 a favor de Marrocos.
Entre as coincidências do tema, tivemos a CAF anunciando recentemente através de comunicado oficial que a Confederação apoia “por unanimidade” a reeleição de Gianni Infantino como Presidente da FIFA, cujo mandato se encerra em 2027.
“A Confederação Africana de Futebol (CAF) realizou uma reunião hoje (…) em Vancouver, no Canadá, às vésperas do 76º Congresso da Fifa. Nesta ocasião, as associações-membro da CAF decidiram, por unanimidade, apoiar a reeleição de Gianni Infantino como Presidente da Fifa para o mandato de 2027-2031”, afirmou a CAF em seu comunicado em 30 de abril de 2026.

Com a palavra, Senegal
Senegal não abriu mão do título e considerou a decisão “arbitrária e inaceitável, apresentando uma reclamação formal contra a decisão da Comissão e levou o caso ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), que deverá decidir em breve sobre a situação de forma definitiva.
A primeira semana de Copa do Mundo chegou com notícias de todos os tipos de excessos dominando o noticiário, com casos de repressão e impedimentos de acesso aos Estados Unidos amplamente observados e divulgados. Por coincidência, ou não, Senegal aparece entre os afetados pelas ações de controle estadunidenses.

Este é o contexto em que as imagens de uma revista minuciosa na pista do aeroporto Raleigh, na Carolina do Norte, expondo toda a delegação senegalesa chamou a atenção da comunidade mundial. As cenas foram registradas antes do embarque da delegação em um voo privado para San Antonio, cidade escolhida por Senegal como base durante o Mundial.
Em um pronunciamento apaziguador, a federação de Senegal confirmou que houve a revista e que ela foi feita em conformidade com as regras aeroportuárias vigentes nos EUA. Segundo o comunicado, isso ocorreu em razão do ônibus da delegação partir do hotel direto para a porta do avião, com a finalidade de agilizar os procedimentos.
Em entrevista coletiva, Gianni Infantino lamentou a atenção dado aos jornalistas a três temas “Irã, ingressos e vistos. Nada a ver com futebol” e pareceu ignorar outros temas importantes, incluindo a exposição de alguns países como Uzbequistão e Senegal.

A Fifa em seu comunicado oficial acabou por avalizar a postura estadunidense em relação a este e outros tratamentos. Em alguns casos, nem aparenta ser somente isso, e desperta a atenção quando um desafeto como Senegal é submetido a uma exposição desnecessária.



