Nos vemos em 2030? Quais são os países que podem não jogar mais uma Copa do Mundo
Em meio a tantas “Last Dance” de craques, a edição de 2026 pode também ser a última aparição de dois países emergentes
Por Samuel Fernandes – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Toda Copa do Mundo se encerra com uma mesma promessa. Das seleções favoritas às zebras, todo time tem a expectativa de estar novamente neste palco em quatro anos. E os muitos critérios para isso acontecer, em geral, dependem do desempenho do time nas Eliminatórias. De gol em gol, desenhando o caminho para o maior pódio do futebol.
Mas, para alguns países, a possibilidade de participar da Copa do Mundo 2030 pode não depender apenas do time, mas da situação climática e/ou política de seus países.
O futebol ameaçado pelas águas de Curaçao
Jogando sua primeira Copa em 2026, a classificação de Curaçao é uma conquista histórica. Estamos falando de um país que é um território do Caribe e que tem apenas 158 mil habitantes. Mas ao mesmo tempo em que a torcida curaçauense vive o orgulho da Copa, vive também o temor de ser um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas no mundo.
Por ser uma ilha baixa, o país já está sofrendo as consequências da erosão gradual de suas praias por conta da elevação do mar, que vem causando inundações e a degradação do ecossistema costeiro. Fontes da ONU apontam a combinação de aumento do nível do mar, aquecimento da água, ressacas e perda de mais de 75% da cobertura de corais, que atuam como proteção para áreas costeiras. Todos esses fatores estão tornando a ilha um lugar de vulnerabilidade extrema.
Não são só praias sumindo, toda a segurança, o patrimônio e a cultura do país estão em risco, com um impacto que é cumulativo e traz efeitos que, a cada dia mais, tornam o cenário próximo de ser irreversível.

Um fato curioso e infeliz para esta história é que um outro participante da Copa poderia ajudar a salvar o país, mas não parece ter isso em suas prioridades: a Holanda. O Rei Willem-Alexander, Chefe de Estado da Holanda, é também monarca de Curaçao, já que a ilha pertence ao Reino dos Países Baixos, e mesmo a Holanda sendo referência mundial em engenharia hídrica, com sua experiência em adaptação a enchentes e em elevação do mar exportada para os Estados Unidos, o reino não parece ter em seus planos a intenção de tratar a ilha com o mesmo nível de urgência, proteção e financiamento que trata seus parceiros econômicos.
Mesmo com tudo isso, a Copa do Mundo está sendo a oportunidade dos curaçauenses de viverem o inédito espírito da Copa torcendo por sua nação. E nem mesmo a estréia com derrota por 7 a 1 sobre a Alemanha foi capaz de estragar a festa da torcida, que se emocionou durante o hino nacional, comemorou seu único gol com muito orgulho, mostrou toda a alegria da “Onda Azul” da torcida, e permaneceu em festa no estádio até mesmo após o apito final.

O calor dos países-sede preocupa o Haiti
Se você está assistindo aos jogos da Copa, percebeu que todas as partidas têm momentos de pausas para hidratação devido ao calor extremo nos países-sede. Este cenário não é novidade para o Haiti, que está entre os países mais afetados por eventos climáticos extremos no mundo, com, segundo dados da PNUD, 96% de sua população estando exposta a perigos ligados ao clima.
No Haiti, a crise climática aparece em secas, chuvas irregulares, furacões, erosão costeira, perda de colheitas e destruição de infraestruturas. A ONU relata que os padrões intensos de temperatura têm causado perdas agrícolas e agravado muito a fome no país.
Para além disso, a situação dos haitianos não se resume ao clima, fatores como a violência, o colapso institucional e a pobreza extrema aumentam o problema. Muito ainda pode ser feito para reduzir as mortes, as perdas de lavouras e os danos costeiros, com financiamento contínuo a fim de impedir que mais danos tornem-se irreversíveis.

A relação do Haiti com o futebol é especial e não é de hoje. No “Jogo da Paz”, em 2004, a Seleção Brasileira foi ao Haiti em meio a um levante armado para jogar um amistoso contra a seleção haitiana com o fim de promover uma campanha de desarmamento no país. Com craques como Ronaldinho Gaúcho (que fez três gols) e Roberto Carlos, a Seleção Brasileira se tornou um símbolo nacional, criando gerações apaixonadas pelo futebol, que, em meio ao caos que o país vive, surge como uma forma de fuga, orgulho e identidade nacional.
Fazendo sua segunda participação em Copas, a última foi em 1974, a torcida haitiana está feliz de finalmente poder torcer por seu país. Em entrevista ao GOAL, Numa St. Louis, haitiano e torcedor do Brasil contou: “A maioria dos haitianos torce pelo Brasil: o estilo, a música. Culturalmente e historicamente há uma conexão entre o Haiti e o Brasil que a maioria das pessoas não percebe”, além disso, o fator racial é predominante no apelo popular já que: “Fora da África, o Haiti e o Brasil são os países com maior presença da cultura negra”, conclui.

Como ajudar Curaçao e Haiti
A Branch Coral Foundation é uma ONG de Curaçao dedicada à restauração de recifes do coral e à mitigação dos danos climáticos. No site deles, você pode ajudá-los comprando materiais ou adotando um coral na ilha.
O Programa Mundial de Alimentos (WFP) atua no Haiti e é uma das principais agências no combate à fome no país. Você pode ajudá-los a garantir merendas escolares, fortalecimento da agricultura local e mais no site.
Você pode escolher quanto e para quem doar em seus sites.



