Por Mauro Utida

Nesta terça-feira (11), pescadoras da comunidade Pedra do Sal, a 15 km do centro de Parnaíba, no Piauí, encontraram manchas de petróleo na praia que possui 8 km de extensão, localizada na Ilha Grande de Santa Isabel. Até agora essas novas manchas ainda não tinham sido notificadas no estado.

As pescadoras notificaram os órgãos ambientais e começaram a recolher o material por conta própria. O coletivo de pescadoras artesanais, ativistas e pesquisadores dos nove estados do nordeste do país informa que as manchas de óleo continuam aparecendo, principalmente, em Alagoas e Pernambuco.

O Governo do Piauí foi comunicado através de sua assessoria de imprensa, mas até o momento não houve retorno.

3 anos sem respostas

No dia 28 de agosto, vestígios de óleo voltaram a aparecer em praias de nove cidades de Pernambuco, além de fragmentos que também apareceram no litoral da Paraíba e Bahia.

O reaparecimento de manchas de petróleo no mar do Nordeste se junta aos crimes do derramamento do petróleo ocorrido no litoral brasileiro em 2019, que continuam sem respostas.

O crime do derramamento do petróleo em 2019 atingiu mais de 1 mil praias do litoral brasileiro até o final daquele ano, entre toda a região nordeste e em parte da região sudeste. As primeiras manchas foram encontradas em 30 de agosto de 2019, no litoral sul da Paraíba.

Segundo o coletivo de pescadores, o reaparecimento das manchas em diferentes localidades de maneira pontual voltaram a aparecer no litoral da Bahia em julho de 2021, novamente no estado de Pernambuco em agosto e agora no Piauí.

Análise das amostras coletadas

Materiais apresentam aspectos físico-químicos diferentes. Foto: Fernando Azevedo/Ascom UFRPE

Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) identificaram que o óleo encontrado em praias dos dois estados nordestinos desde agosto está relacionado ao derramamento de material de depósitos de parafina de tanques de armazenamento de óleo bruto.

Os resultados preliminares da análise química que detectou o produto derivado de petróleo foram divulgados no dia 19 de setembro, pelo Grupo de Petróleo e Energia da Biomassa da UFS, em parceria com o Grupo de Petróleo, Energia e Espectrometria de Massas da UFRPE.

O professor do Departamento de Química da UFS, Alberto Wisniewski Júnior, que é um dos líderes da pesquisa, explica que há diferenças no aspecto físico entre as manchas de 2019 e de 2022. “Enquanto o material encontrado há três anos aparentava ser processado, os novos resíduos têm características de óleo cru, sendo um derivado do petróleo conhecido como tar balls, por apresentar um formato de “pequenas bolotas”, informou em reportagem do setor de comunicação da UFS.

“Em geral, já sabemos que o novo material é originado de um derrame de óleo que já tenha uma propriedade específica que passa muito tempo no ambiente sofrendo alterações pelas intempéries, levando a formação deste produto,” acrescenta o professor.

Apesar das diferenças físicas entre as substâncias de 2019 e 2022, o foco dos pesquisadores é descobrir se há semelhanças na composição química dos dois materiais para ajudar a descobrir a origem do novo derramamento. Por enquanto, Wisniewski afirma não descartar nenhuma hipótese de relação química entre os óleos.

As conclusões iniciais da avaliação de geoquímica orgânica da UFS e UFRPE foram enviadas na semana passada para publicação na revista científica Chemosphere. O periódico de abrangência internacional aborda questões relacionadas a produtos químicos no meio ambiente.

Leia mais:

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