Por Lucas Farias – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Impossibilitada de ir à Copa do Mundo por ter a credencial negada, a fotógrafa Florence Pernet encontrou uma maneira de participar do evento mesmo sem conseguir estar presente nos estádios: através da revolução estética.

Em vez de desistir da cobertura do evento esportivo, ela passou a contar as histórias do torneio fotografando os jogos pela televisão. Deste modo, a profissional criou um novo movimento estético e dominou as redes sociais.

O resultado das fotografias tiradas de maneira remota foi muito elogiado por internautas, que valorizaram as pequenas imperfeições da tela, os reflexos, distorções e as limitações da imagem televisiva. Esses elementos, que normalmente seriam vistos como problemas técnicos, passaram a criar um visual experimental e retrô, que se destacou em meio às tradicionais fotografias feitas in loco.

O novo estilo, que dribla as burocracias do Mundial, atraiu o interesse de Federações, como a Portuguesa, que compartilharam registros produzidos pela fotógrafa.

As fotografias também chegaram ao jogador Michael Olise, da seleção da França, que apagou suas publicações anteriores à Copa do Mundo e passou a dedicar sua conta no Instagram aos momentos no torneio registrados pelo fotógrafo Lukas Korschan, que também aderiu à estética.

A estética virou uma tendência entre profissionais que também não conseguiram visto para realizar a cobertura presencial da Copa do Mundo de 2026. A criatividade da francesa se transformou em um método reproduzido por fotógrafos de diferentes países.

Seguindo o exemplo de Florence, o senegalês Sidy Talla, que teve seu visto negado para entrar no Canadá como fotógrafo oficial da seleção de Senegal, aderiu ao movimento e passou a registrar os jogos da equipe pela televisão.

Foto: Reprodução/Instagram/Sidy Talla e Football Senegal

Em uma Copa do Mundo marcada por dificuldades de acesso para torcedores e profissionais de diversas áreas, uma das grandes surpresas positivas do torneio surgiu justamente da criatividade diante da impossibilidade de estar dentro dos estádios. Uma solução encontrada por profissionais que, apesar das limitações impostas por fatores externos e restrições migratórias dos países-sede, reforçou críticas e virou uma revolução.