Por: João Victor Almeida e Rodrigo Marques

A Copa do Mundo de 2026 começa cercada de expectativas, debates e transformações. Pela primeira vez, o torneio será disputado em três países (México, Estados Unidos e Canadá), e contará com 48 seleções. Mas, em meio às novidades, a partida de abertura reserva um reencontro com um dos palcos mais emblemáticos da história do futebol mundial: o Estádio Azteca.

Localizado na Cidade do México, o gigante inaugurado em 1966 receberá o duelo entre México e África do Sul no dia 11 de junho, tornando-se o primeiro estádio da história a sediar três jogos de abertura de Copas do Mundo. Nenhuma outra arena acumulou tamanho protagonismo no principal evento esportivo do planeta.

Mais do que um estádio, o Azteca é um monumento da memória coletiva do futebol. Casa tradicional da seleção mexicana e do Club América, o local atravessou gerações e testemunhou alguns dos momentos mais marcantes do esporte. Sua atmosfera, impulsionada pela paixão dos torcedores mexicanos e pela altitude da capital do país, ajudou a transformar partidas em acontecimentos históricos.

O palco do Brasil tricampeão

O primeiro capítulo de sua lenda foi escrito na Copa de 1970, considerada por muitos a edição que popularizou definitivamente o futebol como espetáculo global transmitido para o mundo pela televisão em cores.

Foi no Azteca que a seleção brasileira de Pelé conquistou o tricampeonato mundial ao derrotar a Itália por 4 a 1. Aquele time, formado por nomes como Jairzinho, Rivellino, Tostão, Gérson e Carlos Alberto Torres, entrou para a história como uma das maiores equipes já vistas em um campo de futebol.

O estádio também recebeu duas semifinais memoráveis. De um lado, Brasil e Uruguai reeditaram a rivalidade que marcou a final de 1950. Do outro, Alemanha Ocidental e Itália protagonizaram uma partida eternizada como o “Jogo do Século”, vencida pelos italianos por 4 a 3 na prorrogação após uma sequência dramática de gols.

O templo de Maradona

Se em 1970 o Azteca foi o palco da consagração coletiva do futebol brasileiro, em 1986 tornou-se o cenário da maior exibição individual já vista em uma Copa do Mundo.

Foi ali que Diego Armando Maradona transformou-se definitivamente em lenda. Nas quartas de final contra a Inglaterra, poucos anos após a Guerra das Malvinas, o craque argentino marcou dois dos gols mais famosos da história do esporte: a controversa “Mano de Dios” e o antológico “Gol do Século”, quando atravessou metade do campo driblando adversários antes de balançar as redes.

Naquele Mundial, Maradona conduziu a Argentina ao bicampeonato e consolidou uma relação quase religiosa com o povo argentino. O Azteca tornou-se, assim, o único estádio a receber os momentos mais emblemáticos das carreiras de Pelé e Maradona, os dois nomes mais influentes da história do futebol.

Foto: Divulgação/FIFA

Um estádio para a eternidade

60 a anos após sua inauguração, o Azteca continua ocupando um lugar singular na história do esporte. Com os jogos da Copa de 2026, chegará à marca de 24 partidas de Mundial sediadas, ampliando o recorde como o estádio que mais recebeu confrontos da competição.

Em uma Copa marcada pela expansão do torneio e pelas novas dinâmicas do futebol global, o Azteca surge como uma ponte entre passado e futuro. Enquanto novas arenas simbolizam a modernização do esporte, o velho gigante mexicano segue lembrando que algumas histórias não podem ser separadas dos lugares onde aconteceram.

Quando a bola rolar para México e África do Sul, não será apenas mais uma abertura de Copa do Mundo. Será o retorno de um dos maiores templos do futebol ao centro do palco mundial.