Entre a saudade e a arquibancada: como imigrantes brasileiros vão viver a Copa nos países-sede?
Entre a torcida pela Seleção e a vida construída no exterior, a comunidade brasileira vive um Mundial único
Por: Analice Ruas
Quando a Seleção Brasileira entra em campo em uma Copa do Mundo, o país parece parar por algumas horas. Ruas se enchem de bandeiras, grupos de amigos se reúnem em frente à televisão, famílias inteiras se encontram para assistir aos jogos e, por noventa minutos, milhões de pessoas compartilham a mesma expectativa. Mas nem todos vivem esse momento no Brasil.
Milhares de brasileiros que moram nos Estados Unidos, Canadá e México acompanharão a Copa de 2026 a milhares de quilômetros de familiares, amigos e das tradições que costumam marcar o torneio. Muitos deixaram o país em busca de oportunidades de trabalho, estudo ou melhores condições de vida. Outros já vivem há tanto tempo fora que construíram família, carreira e uma rotina completamente diferente daquela que tinham no Brasil. Ainda assim, a Copa continua sendo um dos momentos em que a distância parece mais evidente.
Afinal, como é torcer pelo Brasil quando você está longe dele?
A edição de 2026 traz um elemento curioso para essa discussão. Pela primeira vez, o Mundial será disputado justamente nos países que hoje abrigam milhares de brasileiros. Ao mesmo tempo em que a competição se aproxima fisicamente dessas comunidades, ela também pode reforçar sentimentos de saudade, identidade e pertencimento.
Nos Estados Unidos, a Copa acontece em meio a debates cada vez mais intensos sobre imigração e políticas de fronteira. Em um país onde a presença de imigrantes frequentemente ocupa o centro das discussões políticas, o futebol pode se transformar em um espaço de encontro para pessoas que vivem entre diferentes culturas e nacionalidades.
Já no Canadá e no México, a relação com a imigração e com a diversidade cultural segue caminhos distintos, mas igualmente importantes para compreender como grandes eventos globais impactam comunidades formadas por pessoas vindas de diferentes partes do mundo.
A Copa costuma ser contada pelos gols, pelas eliminações e pelos campeões, mas existe uma outra história acontecendo longe dos gramados. Ela está nos brasileiros que organizam encontros para assistir aos jogos, nos grupos que se reúnem para cantar o hino, nas famílias divididas entre diferentes países e nos torcedores que carregam o Brasil consigo mesmo quando estão longe dele.
Enquanto o mundo acompanha o espetáculo dentro dos estádios, a Copa também será vivida por quem tenta equilibrar duas realidades: a vida construída em outro país e os laços que continuam ligados ao lugar que um dia chamou de casa.



