Por William Santos Pessoa

Um dos países-sede da atual edição da Copa do Mundo, o México vive dias de tensão interna. Há mais de um mês, uma série de protestos reivindicando direitos para professores dominou as principais ruas do país.

Enquanto as seleções se preparam para a disputa em campo, fora dos gramados a luta é dos educadores. Uma das principais exigências por parte da CNTE (Coordenadoria Nacional dos Trabalhadores) é o aumento de 100% dos salários dos professores. Além disso, políticas educacionais do governo e regras previdenciárias também estão na lista de reivindicações.

Desde o início das manifestações, professores e funcionários públicos, com o apoio dos sindicatos da categoria, bloquearam ruas, ocuparam pedágios e promoveram protestos em frente a prédios públicos.

As ações aproveitam a visibilidade internacional do evento esportivo para pressionar o governo mexicano. Nas manifestações, os educadores deixaram mensagens como “sem solução, a bola não rola”, em referência direta à competição.

Em meio aos protestos, foram registrados episódios de tensão e violência. Segundo a imprensa local, houveram confrontos entre manifestantes e as forças de segurança pública, além do uso de gás lacrimogêneo pela polícia.

O governo classificou a onda de protestos como provocação. “Existem grupos que querem nos provocar, não necessariamente professores. O que eles buscam é repressão”, afirmou Claudia Sheinbaum Pardo, presidente do México.

Diante desse cenário, a mobilização dos educadores mexicanos mostra que o verdadeiro espetáculo do país, neste momento, vai além das quatro linhas dos gramados. Ao utilizar os holofotes da Copa do Mundo como vitrine para suas reivindicações, a categoria transforma a visibilidade internacional em uma ferramenta legítima de pressão política e debate social.