Das costuras à inteligência artificial: como as bolas da Copa do Mundo evoluíram ao longo das décadas
Das bolas de couro aos sensores eletrônicos, entenda como a tecnologia transformou um dos principais símbolos das Copas
Por Thays Silva – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
A cada edição da Copa do Mundo, um novo modelo de bola entra em campo carregando a responsabilidade de fazer parte da história do futebol e mudando até a forma como a arbitragem atua nas partidas.
Se nas primeiras décadas as bolas eram feitas de couro e costuradas manualmente, hoje elas contam com materiais sintéticos de alta precisão e sensores capazes de enviar informações em tempo real. A transformação reflete décadas de pesquisas voltadas para melhorar a estabilidade, a durabilidade e a precisão do jogo.

Das bolas de couro à Telstar
Nas primeiras edições da Copa do Mundo, disputadas entre 1930 e 1966, as bolas eram produzidas em couro natural, com costuras aparentes e fechamento por cadarço. Em dias de chuva, o material absorvia água, tornando a bola mais pesada durante a partida, o que alterava sua velocidade e dificultava o controle dos jogadores.

A primeira grande revolução aconteceu na Copa de 1970, no México, com a chegada da Telstar, desenvolvida pela Adidas. O modelo ficou conhecido pelos 32 gomos, sendo 12 pentágonos pretos e 20 hexágonos brancos, que facilitavam a visualização nas transmissões de televisão em preto e branco. O desenho se tornou um dos maiores símbolos da história do futebol.
A evolução ganhou velocidade
Nas décadas seguintes, as mudanças passaram a ocorrer em ritmo acelerado. Em 1986, a Azteca tornou-se a primeira bola de Copa produzida inteiramente com materiais sintéticos, substituindo definitivamente o couro natural e aumentando a resistência à umidade.

Em 2006, a Teamgeist reduziu o número de gomos de 32 para 14, criando uma superfície mais uniforme e melhorando a esfericidade da bola.
Quatro anos depois, na África do Sul, a Jabulani ganhou destaque por outro motivo. Apesar de representar um avanço tecnológico, o modelo recebeu críticas de goleiros e jogadores, que relataram dificuldades para prever sua trajetória, especialmente em chutes de longa distância.
Já em 2014, no Brasil, a Brazuca foi desenvolvida após um longo período de testes com atletas profissionais e amadores. Com seis gomos simétricos, o modelo foi amplamente elogiado pela estabilidade durante as partidas.

Quando a bola passou a conversar com a arbitragem
A Copa do Mundo de 2022, no Catar, marcou uma nova etapa na evolução tecnológica. A Al Rihla foi equipada com um sensor instalado em seu interior, capaz de transmitir dados sobre a movimentação da bola centenas de vezes por segundo.

A tecnologia passou a trabalhar em conjunto com o sistema de impedimento semiautomático utilizado pela FIFA. As informações captadas auxiliam a equipe de arbitragem na análise de lances, especialmente em jogadas de impedimento, tornando as decisões mais rápidas e precisas.
Segundo a FIFA, o sensor não toma decisões automaticamente, mas fornece dados que complementam as imagens das câmeras posicionadas ao redor do campo.
Mais do que um objeto de jogo
A evolução das bolas da Copa do Mundo acompanha o próprio desenvolvimento do futebol. Materiais leves, maior impermeabilidade, melhor controle aerodinâmico e tecnologias embarcadas transformaram um equipamento que, há quase um século, era apenas uma esfera de couro costurada à mão.
Mesmo com todas as inovações, uma característica permanece inalterada: a bola continua sendo a protagonista de cada lance, carregando a responsabilidade de participar de alguns dos momentos mais marcantes da história do esporte.

Bola original de 1970, usada em uma partida entre amigos, com o autógrafo de Pelé.



