‘Curaçao’ holandês: 25 dos 26 atletas convocados pela seleção de Curaçao não nasceram no país
Estreante em Copas do Mundo, a seleção da ilha caribenha conta com quase toda sua delegação nascida na Holanda
Por João Felipe Fernandes – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Disputando a primeira edição de Copa do Mundo de sua história, a seleção de Curaçao, ilha de pouco mais de 150 mil habitantes, é marcada pela presença de diversos atletas nascidos em território holandês na sua composição. Para além do treinador, Dick Advocaat, a equipe curaçauense conta com 25 jogadores vindos do país europeu para o torneio. Esse número, mais do que uma curiosidade estatística, ajuda a compor o cenário de movimentos migratórios que influenciam o futebol atual, e levanta debates sobre cidadania e identificação.
Localizado no Caribe, Curaçao é um dos integrantes do Reino dos Países Baixos, e conquistou sua autonomia apenas em 2010, após a dissolução das Antilhas Neerlandesas. Devido a essa ligação, milhares de curaçauenses migraram para a Holanda nas últimas décadas em busca de melhor qualidade de vida e oportunidades de trabalho. Como consequência dessa migração, uma grande comunidade com origem na ilha foi formada em solo europeu, gerando descendentes que cresceram e se desenvolveram no futebol holandês.
Foi através desse processo que surgiram grande parte dos atletas que chegam ao Mundial deste ano representando a seleção caribenha. Nos últimos anos, a Federação de Futebol de Curaçao buscou jogadores nascidos na Holanda, com ascendência curaçauense, que fossem elegíveis para representar o país no torneio. Muitos desses nomes passaram pelas categorias de base de times holandeses e, em alguns casos, chegaram a defender outras seleções de base dos Países Baixos antes de seguirem o caminho da seleção azul e amarela.
Com a aproximação desses novos atletas, filhos da diáspora, a equipe de Curaçao se tornou mais competitiva no cenário de futebol da CONCACAF, e conquistou sua vaga para a Copa do Mundo, se tornando o país com menor população da história a participar da competição.

A exceção: Tahith Chong. Nascido em Willemstad, capital da ilha, Chong tem 26 anos e se mudou ainda criança para a Holanda, onde se formou esportivamente. O meia atacante chegou à equipe do Feyenoord aos dez anos de idade, onde ficou até 2016, antes de se transferir e estrear profissionalmente pelo Manchester United. Até os 20 anos, Chong defendeu as seleções de base holandesas, mas após não ser aproveitado no nível profissional, decidiu se juntar à seleção de seu país de origem em 2025. Tahith Chong é o único convocado da delegação de Curaçao a ter nascido na ilha, e atualmente defende o Sheffield United, da segunda divisão inglesa.
Casos como o da seleção de Curaçao também abrem espaço para discussões em torno do significado de nacionalidade. O que define quem pode representar um país? Apenas o local de nascimento? A herança familiar? A sensação de pertencimento? De acordo com a FIFA, jogadores podem representar uma nação onde possuem vínculos familiares, o que torna cada vez mais comuns histórias como as dos jogadores curaçauenses, em um mundo marcado por um fluxo migratório forte e constante.
Curaçao estreia na Copa do Mundo amanhã, às 14h no horário de Brasília, contra a seleção alemã, em partida válida pelo grupo E.



