Copa do Mundo une identidades culturais
Mundial reúne culturas, fortalece identidades e transforma o futebol em uma celebração global
Por Marília Monteiro – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
A Copa do Mundo ultrapassa a dimensão esportiva para se consolidar como um dos maiores espaços de encontro entre culturas, identidades e modos de vida. A cada edição, milhões de pessoas cruzam fronteiras para acompanhar suas seleções, transformando cidades-sede em ambientes de convivência multicultural, onde diferentes idiomas, costumes e tradições coexistem em um mesmo cenário.
Nesse contexto, o futebol assume o papel de uma linguagem universal, capaz de conectar pessoas e culturas por meio de uma experiência compartilhada. Para além dos estádios e das cidades-sede, a Copa do Mundo mobiliza celebrações em diferentes países. A cada partida, torcedores reúnem-se em praças, bares, residências e outros espaços públicos para acompanhar suas seleções, transformando o torneio em uma experiência coletiva vivida simultaneamente em diversas partes do mundo. Em cada país, as comemorações incorporam manifestações culturais, tradições e formas próprias de torcer, conferindo singularidade às celebrações e reforçando o alcance global da competição.
No Brasil, a preparação para o Mundial contagia o país e produz uma identidade visual marcada pelas cores verde e amarelo. Ruas são decoradas com bandeirinhas, fitas e pinturas no asfalto, enquanto camisas da Seleção Brasileira, adereços, perucas, chapéus e pinturas faciais passam a compor o cotidiano dos torcedores. A celebração também se manifesta nos álbuns de figurinhas, que mobilizam crianças e adultos em torno da expectativa pelo torneio. Nos dias de jogos, famílias e amigos se reúnem em casa, bares, praças e outros espaços, geralmente acompanhados de churrasco, bebidas e bolões informais sobre os resultados das partidas. Em muitas cidades, telões e arenas recebem milhares de torcedores, transformando os jogos em grandes eventos coletivos. Após gols e vitórias, as comemorações ganham uma atmosfera festiva que aproxima a Copa do Mundo de um verdadeiro carnaval fora de época.

Na Argentina, a Copa do Mundo mobiliza intensas manifestações coletivas de celebração, tanto em território nacional quanto nos países que sediam a competição. Na capital Buenos Aires, é comum que milhares de torcedores ocupem ruas, praças e avenidas para celebrar vitórias e acompanhar a trajetória da seleção argentina. Nos países-sede, a expressiva presença da diáspora argentina e de torcedores que viajam para acompanhar o torneio também se traduz em grandes concentrações populares, conhecidas como “banderazos”, marcadas pelo uso de bandeiras, cantos, símbolos nacionais e manifestações de apoio à equipe.

Após 16 anos de ausência, desde sua última participação na Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, o Paraguai voltou ao torneio em 2026 e protagonizou uma classificação histórica ao eliminar a Alemanha. O feito desencadeou comemorações em todo o país e também na região da Tríplice Fronteira, onde torcedores paraguaios, brasileiros e argentinos ocuparam as ruas em um ambiente de celebração coletiva. Em cidades como Ciudad del Este e Assunção, multidões festejaram a conquista da seleção. A importância simbólica da classificação foi reforçada pelo presidente Santiago Peña, que cumpriu a promessa de decretar feriado nacional após a equipe garantir vaga nas oitavas de final da competição.

A histórica participação da República Democrática do Congo na Copa do Mundo de 2026 mobilizou intensas celebrações em todo o país. A inédita classificação da seleção para a fase eliminatória levou milhares de torcedores às ruas de cidades como Kinshasa e Goma, onde as comemorações se transformaram em um importante momento de união nacional, especialmente em maio aos desafios enfrentados pela população em decorrência dos conflitos no país. Nos estádios, a torcida congolesa também chamou a atenção pelo forte simbolismo de suas manifestações.
Um dos principais símbolos dessa mobilização é Michel Kuka Mboladinga, conhecido como Lumumba Vea. Vestido com as cores da bandeira nacional, imóvel durante as partidas e com o braço erguido, o torcedor homenageia Patrice Emery Lumumba, líder da independência da República Democrática do Congo e primeiro-ministro do país em 1960. A homenagem resgata a memória de uma das figuras mais importantes da história congolesa e da luta anticolonial africana.

No Japão, as comemorações da Copa do Mundo refletem características marcantes da cultura local. Em Tóquio, milhares de torcedores se unem no famoso cruzamento de Shibuya, um dos mais movimentados do mundo, para celebrar os resultados da seleção japonesa. Durante a atual edição, o local voltou a receber grandes concentrações de público após as partidas da equipe comandada por Hajime Moriyasu. Mesmo diante da multidão, as comemorações ocorreram de forma organizada, com o apoio de agentes de segurança que controlavam a circulação dos torcedores, permitindo a ocupação das faixas de pedestres apenas durante o fechamento do trânsito e delimitando os espaços destinados ao público.

A classificação do Marrocos sobre a Holanda na Copa do Mundo 2026 provocou celebrações intensas dentro e fora do país. Em Haia, na Holanda, onde reside uma expressiva comunidade de imigrantes e descendentes marroquinos, ruas e cruzamentos foram ocupados por milhares de torcedores com bandeiras, camisas da seleção e fogos de artifício após a vitória nos pênaltis. Em Marrocos, apesar de a partida ter sido disputada durante a madrugada, milhões de pessoas acompanharam o jogo e celebraram o feito histórico, evidenciando o orgulho nacional e a forte mobilização popular em torno da campanha dos Leões do Atlas.

Os torcedores cabo-verdianos comemoraram após o apito final, o empate com a Espanha como uma verdadeira vitória, por garantir a continuidade da seleção no torneio. em Boston, cidade que abriga uma das maiores comunidades cabo-verdianas nos Estados Unidos, centenas de pessoas acompanharam a partida em uma fan zone e celebraram o resultado diante da atual campeã da Europa. Em Cabo Verde, as comemorações também tomaram as ruas de cidades como Praia, capital do país, e São Vicente, onde torcedores agitaram bandeiras, dançaram e buzinaram em clima de grande orgulho nacional.

Na Inglaterra, o Mundial mobiliza milhares de torcedores em pubs, áreas de fãs e espaços públicos de Londres e de outras cidades do Reino Unido. As comemorações são marcadas por cantos tradicionais, especialmente o refrão It’s Coming Home, além de músicas como Sweet Caroline, Hey Jude e Wonderwall, escolhida pela seleção inglesa como uma das trilhas oficiais para as celebrações do torneio. A canção, consagrada pela banda Oasis, rapidamente foi incorporada pelos torcedores e passou a embalar as comemorações após as partidas, reforçando o clima de união e identidade nacional que caracteriza a torcida inglesa durante a Copa do Mundo.

As diferentes formas de celebração observadas ao longo da Copa do Mundo evidenciam que o torneio transcende a dimensão esportiva e se constitui como um importante fenômeno social e cultural. Em diferentes contextos sociais nacionais, as comemorações expressam identidades, tradições, memórias coletivas e sentimentos de pertencimento, revelando como o futebol é apropriado por distintas sociedades. Embora cada país possua rituais próprios para vivenciar a competição, todos compartilham a experiência coletiva de celebrar, reafirmando a Copa do Mundo como um espaço privilegiado de encontro entre culturas, fortalecimento dos vínculos comunitários e comunhão entre os povos.



