Como a imigração transformou a seleção francesa
Jogadores com ascendência imigrante fazem e fizeram parte de grandes conquistas da equipe francesa
Por William Pessoa – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Nos últimos anos, a seleção da França tem sido um dos principais destaques da Copa do Mundo. Campeã na Rússia em 2018 e finalista no Catar em 2022, a equipe chega como uma das favoritas nesta edição de 2026. Parte dessa ascensão se deve à imigração, que ocorre no país há gerações. No elenco atual, cerca de 22 jogadores possuem ascendência de imigrantes, sendo a maioria de origem africana.
Bairros periféricos concentram um grande número de imigrantes. Em cidades como Bondy, muitas crianças frequentam campos municipais, e grande parte delas pertence a famílias de imigrantes. Essa forte presença se deve à cultura esportiva nas periferias e a um sistema nacional eficiente de identificação de talentos. Jovens que se destacam em campos amadores são rapidamente levados para centros de formação como o de Clairefontaine, referência mundial na revelação de atletas.
A influência migratória gera uma grande diversidade demográfica na equipe. Países como Senegal, Mali, Argélia, Marrocos, Camarões, Congo e Costa do Marfim ajudaram a construir as campanhas vitoriosas dos “Bleus”. Apesar do sucesso, esses jogadores frequentemente sofrem ataques de grupos ligados à extrema-direita, que defendem leis de deportação e alegam uma suposta falta de representatividade na seleção.

Esse fluxo migratório e a amplitude da diáspora têm sido tão intensos que muitos atletas nascidos em solo francês optam por defender outros países. Nesta edição, por exemplo, 99 jogadores nascidos na França estão atuando por outras seleções. É o caso do goleiro destaque de Senegal, Édouard Mendy, e de seu companheiro de equipe, Kalidou Koulibaly, que chegaram a atuar pelas categorias de base da seleção francesa.
O passado reflete o agora
A seleção que conquistou o mundo em 1998 também possuía uma forte representatividade de imigrantes, celebrada pelo slogan nacional “black, blanc, beur” (negro, branco e árabe, em gíria), em alusão ao “bleu, blanc, rouge” (azul, branco e vermelho) da bandeira do país. Seu principal jogador, Zinedine Zidane, que possui raízes argelinas, teve seu rosto projetado no Arco do Triunfo durante as comemorações, um feito inédito até então.



