Brasileiros pintam as ruas na esperança de conquistar o hexa
Brasileiros retomam o movimento de pintar as ruas durante o período de Copa do Mundo como forma de celebração e nostalgia
Sofia Ricardo e Danielly Amaro – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Nesta edição da Copa do Mundo FIFA 2026, realizada pela primeira vez em três países — México, Estados Unidos e Canadá —, os brasileiros retomaram o clima de comemoração de um período especial do ano. Diversas ruas por todo o país foram pintadas e decoradas, criando um ambiente de união entre as comunidades.
As imagens pintadas variam entre o mascote do Brasil em 2026, o Canarinho, e referências a edições anteriores. Frases como “hexa”, “Brasil” e “2026”, entre outras, aparecem espalhadas pelas ruas. Ilustrações de bolas de futebol, estrelas, a bandeira do país, o escudo da CBF e outros desenhos autênticos, todos nas cores que representam o Brasil, são elementos comuns nesse cenário. Fitas e bandeiras também compõem a decoração.

Esse típico “clima de Copa” é marcado pela nostalgia dos anos 2000, época em que essas pinturas ganhavam destaque e se consolidavam como tradição durante os campeonatos, quando moradores se reuniam para colorir as ruas como forma de torcer pelo Brasil. Ao longo dos anos, esse movimento foi diminuindo, mas agora voltou a tomar as ruas do país, funcionando também como uma forma de exercer e resgatar a memória afetiva.

Conforme análise do TikTok Ads Brasil, a Geração Z, entre 18 e 24 anos, consome conteúdos relacionados à nostalgia 64% acima da média da plataforma. Além disso, no Google Brasil, as buscas por “anos 2000” cresceram 1.861% desde 2004. Esses dados reforçam que as pessoas vêm sendo constantemente atravessadas por um sentimento de saudade de uma época, buscando reviver sensações e experiências que marcaram suas vidas. Esse movimento funciona, inclusive, como uma forma de regulação emocional.
O ano de 2026 também já chegou sob influência da trend “2026 é o novo 2016”, que se espalhou pelas redes sociais com grande engajamento. A trend viralizou ao resgatar estilos de roupa, costumes, aplicativos e filtros de foto característicos daquele período, evidenciando os efeitos da nostalgia sobre as pessoas.
A falta de esperança pelo hexa foi se intensificando ao longo dos anos e, em 2018 — período marcado por grandes mudanças políticas e tensões —, o ritmo festivo permaneceu baixo. Na Copa do Mundo FIFA 2018, os torcedores não demonstraram a mesma energia nas decorações quando comparada à mobilização vista na Copa de 2026.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, em 2018, com 2.984 pessoas de 185 cidades brasileiras, distribuídas pelos 26 estados e pelo Distrito Federal, revelou que 65% dos brasileiros se mostravam pouco ou nada interessados na Copa do Mundo da Rússia. Além disso, 14,5% dos entrevistados afirmaram não saber onde o torneio seria realizado. O desinteresse se prolongou em 2022, quando a Seleção Brasileira foi eliminada nas quartas de final.
Porém, agora, em 2026, seja pela onda de nostalgia, seja pela esperança renovada no hexa, os brasileiros decidiram ir na contramão desse desânimo e retomar com energia o costume de pintar e decorar as ruas do país. Como também são manifestações artísticas, essas pinturas têm a capacidade de impactar quem passa pelos locais decorados e observa as ilustrações. Mais do que símbolos de torcida, elas contribuem para reforçar e renovar a alegria coletiva dos torcedores brasileiros.

Além da nostalgia, prefeituras e empresas também criaram concursos de incentivo. A Prefeitura do Rio, com a iniciativa “Acreditar é uma arte: o Rio nas cores do hexa”, vai premiar as melhores ruas pintadas. Em Niterói, foi criado o concurso “Minha rua é hexa”, que também irá selecionar e premiar as melhores intervenções artísticas.
As pinturas da Copa do Mundo, vistas em diferentes regiões do Brasil, refletem uma cultura e uma identidade coletiva. Para além da união entre a comunidade, essas artes colaboram para fortalecer o senso de pertencimento entre as pessoas. Além disso, ajudam a proporcionar essa experiência para uma geração que ainda não havia vivenciado esse costume, mantendo viva a tradição dos torcedores. Mais do que isso, servem para relembrar um tempo marcante na memória afetiva da população brasileira.



