Além da tática: Seleção aposta em apoio psicológico pelo hexa
Pela primeira vez desde 2014, o Brasil terá uma psicóloga na delegação durante a Copa do Mundo
Por Ysadora Borges – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
A Seleção Brasileira contará com um reforço fora das quatro linhas durante a Copa do Mundo. Pela primeira vez desde 2014, uma psicóloga acompanhará oficialmente a delegação durante a competição. A responsável pela função será Marisa Santiago, especialista em psicologia do esporte e integrante da comissão técnica da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Embora seu nome não figure nas listas de convocados ou nas discussões táticas, seu trabalho é decisivo para o desempenho em campo. Em um ambiente de cobranças constantes, pressão midiática e expectativas de milhões, o equilíbrio emocional dos atletas torna-se um pilar fundamental.
Segundo a CBF, a atuação da especialista vai além do acompanhamento individual. O trabalho envolve a preparação mental dos jogadores, auxílio na gestão da ansiedade, mediação de conflitos internos e suporte emocional em situações de alta pressão, como decisões por pênaltis, lesões inesperadas ou momentos de instabilidade dentro da competição.
A presença de Marisa Santiago ganha destaque por um motivo histórico: o Brasil disputou as Copas de 2018 e 2022 sem uma psicóloga oficial na delegação. A última vez que a equipe contou com uma profissional da área na comissão foi no Mundial de 2014, marcado pela histórica derrota para a Alemanha
Nos últimos anos, a discussão sobre saúde mental no esporte superou a barreira do tabu. Atletas de diversas modalidades passaram a relatar abertamente desafios como ansiedade, depressão e estresse, consolidando a ideia de que o alto rendimento vai muito além dos aspectos físicos e técnicos.
O técnico Carlo Ancelotti já destacou que o controle emocional é um dos pilares de uma Copa do Mundo. Afinal, o desafio exige mais que técnica: trata-se de administrar expectativas, filtrar críticas e manter a sobriedade sob condições extremas.
A cada ciclo, o grupo convocado carrega os sonhos de mais de 200 milhões de brasileiros. Nesse cenário, um erro isolado pode virar piada por anos, uma eliminação tornar-se um trauma nacional e uma derrota marcar permanentemente a biografia de um atleta. O peso dessa responsabilidade, sem dúvida, ultrapassa as quatro linhas.
Mais do que uma decisão estratégica, a presença de Marisa Santiago representa uma mudança de mentalidade no futebol brasileiro. Ao reconhecer a importância da saúde mental na preparação esportiva, a Seleção sinaliza que a busca pelo hexacampeonato também passa pelo equilíbrio emocional de seus jogadores.
Em um esporte onde cada detalhe define o resultado, cuidar da mente é tão vital quanto aperfeiçoar a técnica ou ajustar a tática. Afinal, antes de serem ídolos, os atletas são pessoas e nenhuma conquista nasce apenas da força.



