Em oito dos 48 países da Copa do Mundo, as mulheres são as protagonistas no futebol
Na conexão com a Copa de 2027, de anfitriões à estreantes onde o futebol feminino é mais tradicional ou mais vitorioso
Por Vitor Hugo – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Canadá, Estados Unidos e México sediam a Copa do Mundo de 2026 e tem torcidas apaixonadas por futebol. A seleção mexicana é historicamente mais competitiva, tendo disputado 18 edições do mundial. Mas se olharmos para o futebol de mulheres, os Estados Unidos são a maior potência da modalidade com 4 copas do mundo e 5 ouros olímpicos. A seleção canadense feminina também tem ouro olímpico e conta com a maior artilheira da história das seleções, recordista entre homens e mulheres. Em alguns países que disputam a Copa do Mundo neste ano, o futebol é mais tradicional ou mais vitorioso entre as mulheres.
O mundial feminino, por exemplo, tem mais seleções asiáticas e da América Central e do Norte, do que federações da Conmebol. Em 2027, o Brasil já está confirmado como país-sede, Colômbia e Argentina garantiram vaga após a Liga de Naciones e Equador e Venezuela se classificaram para a repescagem. Enquanto algumas seleções vencedoras do futebol masculino não vingaram como as equipes tradicionais do feminino, outros países investiram em projetos de base para as mulheres e elas arrastaram os torcedores para os estádios.

O melhor desempenho da seleção masculina dos Estados Unidos na Copa do Mundo foi em 1930. De lá pra cá, chegaram apenas uma vez às quartas de final em 2002. As mulheres norte-americanas, por outro lado, são as maiores campeãs do esporte. Conquistaram quatro das nove Copa do Mundo disputadas oficialmente, além de cinco medalhas de ouro em Jogos Olímpicos. Em três dessas finais, venceu a seleção brasileira com um histórico repleto de complicações com a arbitragem em uma época pré-VAR. Entre as principais atletas dos Estados Unidos estão: a artilheira da primeira Copa do Mundo, Michelle Akers; Megan Rapinoe, artilheira e melhor jogadora no último título em 1999; e uma das melhores goleiras de todos os tempos, Hope Solo.

Em 2026, a Noruega disputa apenas a sua 4ª Copa do Mundo masculina. As mulheres norueguesas participaram de todos os nove mundiais e disputaram as duas primeiras finais, conquistando o título em 1995. A melhor jogadora da competição foi a Hege Riise e a artilharia ficou com Ann Kristin Aarønes. A tradição de grandes atacantes da Noruega perdurou com a lenda Ada Hegerberg, maior artilheira e hexacampeã da Liga dos Campeões da Europa. As atletas norueguesas também conquistaram um ouro e um bronze olímpicos e chegaram em seis finais da Eurocopa, conquistando o título em duas oportunidades.

O Haiti disputou apenas um mundial em 1974. Emmanuel Sanon fez os dois gols do país naquele ano e teve seu auge no futebol dos Estados Unidos. O líder da atual geração Duckens Nazon joga no futebol iraniano. Se as perspectivas não são otimistas entre os homens, a seleção feminina é liderada pela craque Melchie Dumornay. Com apenas 19 anos, ela marcou os dois gols da vitória contra o Chile na repescagem e classificou a equipe feminina para a sua primeira Copa do Mundo em 2023. Atualmente com 22 anos, é um dos maiores fenômenos do futebol mundial, bicampeã francesa com o Olympique Lyonnais.

Até o mundial de 2006, a Austrália tinha participado apenas da edição de 1974. Nos últimos 20 anos, os homens chegaram apenas duas vezes às oitavas de final, enquanto as mulheres chegaram às quartas de final de todos os mundiais no mesmo período. As Matildas não disputaram apenas a primeira Copa feminina e tem no elenco diversas jogadoras que brilham nas principais ligas do futebol mundial. A maior artilheira da seleção australiana é a atacante Sam Kerr, artilheira da liga australiana e dos campeonatos nacionais nos Estados Unidos e na Inglaterra.

A seleção masculina da Suécia é historicamente a mais forte dessa lista com 12 participações em copas e um título olímpico em 1948. Porém, o último grande resultado é um 3º lugar em 1994. A seleção feminina também tem um título importante no passado, a primeira Eurocopa em 1984. Mas também chegaram a três semifinais olímpicas, oito semifinais na Eurocopa e cinco semifinais de Copa do Mundo. A Suécia sediou o segundo mundial em 1995 e disputou todas as suas edições. A primeira prata olímpica veio na Rio 2016, após vitória nos pênaltis contra a seleção brasileira.

Desde a ida do craque Zico para o Japão, a torcida brasileira tem uma relação próxima com a seleção asiática. Desde 1998, o país participou de todos os mundiais, mas nunca passou das oitavas de final. As japonesas disputam a Copa do Mundo Feminina desde a primeira edição em 1991 e viveram o auge do futebol asiático em 2011. Lideradas pela artilheira e melhor jogadora do mundial, Homare Sawa, o Japão superou a seleção dos Estados Unidos nos pênaltis e conquistou a primeira Copa do Mundo para a Ásia.

A Jordânia estreia em copas e coloca a Ásia Ocidental no mapa do futebol. O maior destaque do futebol jordaniano é a atacante Maysa Jbarah. Campeã nacional na Jordânia, no Líbano e na Arábia Saudita, liderou a seleção à conquista da Copa Árabe em 2010 e em seis títulos do Campeonato da Ásia Ocidental. A jogadora é a quarta maior artilheira da história do futebol de seleções, superando nomes como Marta, Birgit Prinz, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

O Canadá também é uma das sedes que tem uma história mais vitoriosa entre as mulheres. Os homens chegam para seu segundo mundial, enquanto as mulheres já disputaram oito. O ouro olímpico conquistado em Tóquio 2020 coroou uma geração competitiva, liderada pela atacante Christine Sinclair. A craque se aposentou como a maior artilheira da história das seleções, com 190 gols marcados.



