Copa do Mundo mais imperialista da história: FIFA limpa a imagem dos EUA em plena guerra genocida
Donald Trump sustenta uma guerra com o Irã, comete genocídio na Palestina e ameaça a soberania latino-americana. A FIFA diz “segue o jogo, tudo bola”
Por Camila Egaña Lucero – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube
Enquanto a atenção global se concentra nos estádios, o início da Copa do Mundo funciona como tela para limpar a imagem dos Estados Unidos. Em um contexto de máxima tensão global, maquiam a violência estatal, as invasões e a vulnerabilidade sistemática de direitos fundamentais que o governo norte-americano exerce tanto dentro quanto fora de suas fronteiras.
O Mundial começou em meio a uma escalada militar sem precedentes. A Casa Branca participa ativamente no genocídio israelense contra o povo palestino, financiando e fornecendo o armamento utilizado para massacrar a população civil em Gaza. Além disso, Donald Trump expandiu sua ofensiva rumo ao Oriente Médio e se encontra formalmente em guerra com o Irã.
Somado a isso, nos últimos meses, o imperialismo estadunidense realizou intervenções militares e bombardeio de navios na América Latina e no Caribe. Em uma clara violação à soberania territorial, forças estadunidenses bombardearam a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro. Isso aprofunda o intervencionismo e o assédio histórico sobre a região.
A essa ação se somam as ameaças de Donald Trump de intervir militarmente contra o México, a Colômbia e o aprofundamento do bloqueio sobre Cuba. O injuncionismo estadunidense cresce sob uma renovada Doutrina Monroe (agora Donroe). O ataque não é ingênuo, mas busca o controle territorial de nossos recursos estratégicos.
Neste marco de violência, o cinismo institucional da FIFA alcançou níveis históricos quando Gianni Infantino outorgou a Donald Trump um insólito e inventado “Prêmio da Paz”. Esta distinção não apenas ignora os bombardeios e a participação no genocídio palestino, mas também busca limpar uma imagem manchada de pedofilia, abusos sexuais e mais. Tudo isso no marco das manifestações por No Kings diante do autoritarismo.
O país anfitrião viola sistematicamente os direitos humanos de sua própria população mediante a violência racista, o encarceramento em massa e a perseguição às comunidades migrantes. A polícia imigratória (ICE) assassina cidadãos estadunidenses e encarcera crianças. No país da liberdade, perseguem e reprimem quem protesta, censuram livros e limitam a liberdade de expressão. A FIFA finge que não vê nada e deixa a bola girar.



