Arte: Mídia NINJA

As Jornadas de Junho de 2013 já anunciavam um cenário de muita instabilidade, pois evidenciou o descompasso entre as demandas do povo e a forma como a casta política governa o país, configurando assim uma crise de representatividade cada vez mais notável e que, atualmente, agrava-se pela intensa crise econômica. Os escândalos de corrupção serviram como combustível para o aprofundamento da crise de representatividade no Brasil. O rechaço a este sistema político carcomido é tanto que, de acordo com o DataFolha, o índice de confiança do governo Temer é nada menos que 3%.

Todavia, o governo Temer não mede esforços para garantir que seu programa de retirada de direitos seja devidamente votado na Câmara e no Senado.

Nas últimas semanas, o Congresso Nacional está discutindo sobre a Reforma Política proposta pelo Governo Federal, mas não uma reforma que dê ao povo mais participação sobre os rumos do país, e sim uma contrarreforma com o intuito de perpetuar as velhas oligarquias no poder.

Em 2015, tornou-se ilegal o financiamento empresarial de campanha, assim as eleições devem ser bancadas apenas pelo cofres públicos. Tendo isto em vista, a reforma política em tramitação prevê a criação de um fundo público de campanha de R$ 3,6 bilhões. O “Fundo de Financiamento da Democracia” será dividido entre os partidos de acordo com o número de parlamentares. Evidentemente que o que está por trás dessa proposta de fundo é a garantia de continuidade dos mesmos partidos no poder. Afinal, PMDB, PT e PSDB juntos somariam cerca de R$1,15 bilhões dos recursos. Enquanto, PSOL, PCB e PSTU não chegariam aos R$50 milhões. Não obstante tratarem de tais cifras quando o país carrega mais de 14 milhões de desempregados, também reforçam a manutenção de um sistema eleitoral ainda mais injusto e excludente.

O medo da não reeleição paira sobre a ampla maioria dos parlamentares, em virtude disso, também se apresenta a proposta do “Distritão” (uma das principais bandeiras de Eduardo Cunha!), outro ataque direto aos partidos ideológicos, como é o caso do PSOL. Se tal proposta torna-se realidade, a ideia de partido, projeto e propostas nas campanhas deixará de existir, visto que serão eleitos os mais votados, assim, o espaço das eleições será ainda mais individualizado e personalista, baseado em “quem aparece mais”. Em suma, favorece aqueles que já são amplamente conhecidos, que têm mandato, e restringindo a possibilidade de novas alternativas políticas. Decerto culminará no agravamento da crise de representatividade.

Apenas estes dois elementos tornam a (Contra)Reforma Política uma verdadeira piada de mal gosto. A somatória Distritão e Fundo Bilionário não deixam dúvidas de que a maioria dos políticos receiam o processo eleitoral do próximo ano, visto que ao se colocarem a favor de Temer e suas reformas, esquecem do povo que sente na pele a violência da crise.

Neste cenário, é preciso reforçar a necessidade de uma reforma política de verdade, feita com uma constituinte soberana e verdadeiramente democrática, que fortaleça a democracia direta e participativa por meio de plebiscitos, conselhos deliberativos e mecanismos de iniciativa popular, e não se atenha apenas ao sistema eleitoral.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Copa FemiNINJA

Histórias de quem trabalha nos bastidores do futebol

Daniel Zen

As mensagens secretas da Lava-jato: crime e castigo

Tainá de Paula

Execução por no mínimo 15 tiros não pode ser tipificada como crime banal

André Barros

Moro contra Lula

Laio Rocha

Taça das Favelas coloca futebol de várzea no centro

Colunista NINJA

'A única coisa que salva um país é a cultura', afirma Moacyr Luz

Mônica Horta

Moda autoral brasileira presente!

Daniel Zen

É a economia, estúpido!

André Barros

Marchas da Maconha foram maiores que atos de Bolsonaro

Colunista NINJA

Mosquito e Inácio Rios: “A gente respeita o samba autêntico”

André Barros

Aperta a pauta, Toffoli

Colunista NINJA

“Fazer samba é uma resistência e está totalmente ligado à política”, afirma Júlio Macabu da nova geração

Cleidiana Ramos

#15M: Uma lição para esperança e vigilância

Margarida Salomão

Balas e Chocolates: o ataque de Bolsonaro à Universidade brasileira

Fatine Oliveira

Sinto muito, Damares. Meu lugar é na universidade federal