Pelo Estudante NINJA Artur Nicocelli

Foto: Reprodução UNEAfro

O Brasil vêm sofrendo de forma violenta e incisiva o corte na educação pública, afetando de uma forma ou outra os estudantes desde o ensino fundamental até as universidades e pós-graduações. O ensino é colocado na pasta de gastos anualmente e sempre que o governo necessita aplicar um contingenciamento, optam por fazer na educação. No entanto, de forma disruptiva e com a perspectiva de quebrar barreiras, universitários tem a proposta de melhorar a educação e de alguma forma criar espaços de ensino e aprendizagem conhecidos como cursinhos populares.

O Cursinho Popular Laudelina de Campos é um desses ambientes que tem a perspectiva de auxiliar as pessoas das regiões do Cambuci ao ABC pela proximidade com o Metrô Sacomã. O coordenador do cursinho e professor de história, Victor Pastore, explica que ao mesmo tempo ele insere as pessoas em um espaço educacional e tem uma experiência pedagógica que não aparece em muitos estágios.

“Em primeiro lugar, a maioria dos professores chega nos cursinhos populares sem ter muito a dimensão do que realmente é […] Só com a vontade de ajudar, de uma forma voluntária, assistencialista. E porque está em busca de alguma oportunidade pra começar a dar aula ou conseguir mais experiência. No meu caso foi assim também, os cursinhos populares acabam tendo esse caráter de formação de educadores na prática, sabe? Porque dá uma oportunidade que muitas vezes não acontece nos estágios de licenciatura e nem no mercado de trabalho, que exige alguém já com experiência”.

No entanto, de acordo com o Victor, há uma dificuldade no ambiente do cursinho popular, especialmente no cotidiano, já que existe uma problemática dos alunos pagarem o transporte e a alimentação fora de casa, por isso o cursinho é além de um espaço de educação, também um espaço de luta. “por isso existe uma luta pelo passe livre para estudante de cursinho popular, inclusive com PL tramitando na câmara”.

Em outra experiência falamos sobre financiamento, como conta o professor de história Pedro Augusto de Oliveira Assunção: “O nosso cursinho possui incentivo de projetos para se sustentar, já que somos uma associação sem fins lucrativos voltada para a área de educação. Dessa forma conseguimos ter professores remunerados, materiais didáticos e uma estrutura. E assim conseguimos manter um grande número de alunos no projeto. Por ano, nós conseguimos em média ter aproximadamente 600 alunos”. Ao fim , ambos os professores afirmam que o contingenciamento do Bolsonaro causa um impacto estrutural nos cursinhos, bloqueando a expansão do sistema universitário. Além disso, intensifica a precarização da educação.

Levando a resistência pra sala de aula, também existem iniciativas como o Cursinho Popular Transformação, localizado na Santa Cecília/SP, que tem a proposta de inserir a população TTT (Travestis, transgêneres, não-bináries) por considerar urgente ações que colocassem essa comunidade na centralidade, principalmente quando sabemos que o Brasil é país que mais mata pessoas transexuais.

O coordenador pedagógico e oficineiro de criação, João Innecco, afirma que resistir em tempos de violência contra a educação é necessário. “Frente aos desmandos do governo Bolsonaro, a perspectiva é de que teremos de nos desdobrar mais pra garantir nossa segurança de grupo, contar com a nossa própria força de comunicação e fortalecimento, buscar a manutenção da nossa saúde mental, ralar pra compensar o buraco que o Estado deliberadamente abre – e que está cada vez mais profundo”

Assim sendo, é nítido que a educação é mais do que apenas colocar pessoas aptas para exercer qualquer função em específico no mercado de trabalho, mas construir um pensamento crítico em quem senta nas carteiras. E os cursinhos populares estão repletos disso.

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