Por Laiz Marques | Copa FemiNINJA

Foto: reprodução twitter

Para as fissuradas e apaixonadas por futebol, ir ao estádio é um prazer difícil de explicar. A emoção já começa na ida ao estádio, a espera do lado de fora, até a alegria de ver uma vitória do seu time de coração, ou mesmo presenciar uma derrota.

O futebol é aquele esporte que esta diretamente ligado a paixão, emoção. Esse amor pelo esporte e as emoções que ele inspira, explica a origem do verbo torcer. A ação que melhor define o espírito do futebol tem sua origem exatamente nas mulheres.

No inicio do século 20, as moças que ficavam nas arquibancadas assistindo aos jogos de futebol, “torciam” seus lenços de nervoso. Essa passagem deixa claro como o esporte era elitizado na época, mas ressalta acima de tudo a maneira como as mulheres sempre se entregavam ao esporte. Sem esquecer logicamente que enfrentavam desde então a resistência de muitos para se fazerem presentes nas arquibancadas.

Um importante passo, para nós torcedoras, começou a tomar mais força no ano passado. Alguns clubes começaram a aderir a campanhas de combate à violência contra a mulher e contra o machismo. Com a intenção de enfatizar a importância das mulheres dentro e fora de campo, além de frisar seu valor como torcida e assim promover o aumento da presença feminina nos estádios. Essas campanhas tem sido presentes em clubes de diferentes estados do país.

Em 2018 as torcedoras do Grêmio e do Inter, levantaram a bandeira de que o “lugar de mulher é no campo, na arquibancada e onde mais ela quiser estar”; por meio da hashtag #deixaelatorcer pediam respeito às mulheres nos estádios.

Na cidade de São Paulo, o Corinthians, e sua campanha #RespeitaAsMinas também lançada em 2018 rendeu um programa que é exibido no canal da Corinthians TV toda sexta-feira, às 17h00.

Já nesse ano de 2019, no dia Internacional da Mulher, uma série de ações foram realizadas no mercado esportivo no Brasil e no mundo.

Em Minas Gerais, a equipe do Atlético Mineiro realizou no Mineirão uma campanha #repense. Encabeçado pelas funcionárias do Mineirão, a campanha tem o objetivo incentivar a luta das mulheres pelo combate ao preconceito, tornando o estádio um ambiente mais agradável e seguro para nós.

Números levantados em 2018 mostram a presença das torcedoras nos programas de fidelidade dos times. Comprovando que as mulheres se fazem presentes nos estádios, mas ainda há um bom caminho a ser percorrido na busca pela igualdade. Os resultados apresentados são os seguintes :

Atlético-MG: 9%
Botafogo: 10%
Corinthians: 20%
Cruzeiro: 10%
Flamengo: 8%
Fluminense 15%
Palmeiras: 12%
Santos: 17,5%
São Paulo: 10%
Vasco: 7%

Ainda hoje, no cenário mundial, há países onde as mulheres não tem o direito de frequentarem os estádios. No Irã, por exemplo, as mulheres foram vetadas desde 1981 de frequentarem os estádios, a interdição é um reflexo pós a revolução de 1979, que instituiu uma legislação islâmica ultraconservadora no país.

Um grande feito para as iranianas ocorreu ano passado, quando as autoridades locais liberaram as mulheres para assistirem a partida entre Irã e Espanha, pelo grupo B da Copa do Mundo, em um telão transmitido no Azadí, em Teerã.

Seguimos resistindo e lutando pela quebra de antigos preconceitos, para que nós torcedoras, que amamos nosso time, sejamos respeitadas, e possamos viver livremente a paixão pelo futebol.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Araquém Alcântara

Araquém Alcântara: 'A Ferro e Fogo'

Tainá de Paula

Tainá de Paula: Wilson Witzel e o chicote da barbárie

André Barros

É o coco do Figueiredo ou o cocô do Bolsonaro?!

Dríade Aguiar

Uma sessão solene para minha tia, uma marcha para minha vó

NINJA

General defende legalização da maconha medicinal?

NINJA

Feminismo nas igrejas: "não queremos tomar o poder dos homens, mas destituí-lo"

Liana Cirne Lins

Brasil abaixo de fezes, cocô por cima de todos

Tainá de Paula

Tainá de Paula: A (não) política habitacional de Witzel e Crivella

André Barros

Bolsonaro é pior que Creonte

Pedro Henrique França

Djanira: clipe de Illy aborda a descriminalização da maconha e empreendedorismo da cannabis

NINJA

“Não colem em mim esse discurso da meritocracia”, diz Conceição Evaristo

Preta Rara

A senzala moderna é o quartinho da empregada

NINJA

A criminalização do aborto e o feminicídio de Estado

NINJA

“O samba é a coisa mais importante na cultura brasileira”, ressalta Zé Luiz do Império

Mônica Horta




Criadores autorais do Brasil... cadê vocês?