Eu me lembro que nesse dia eu tinha trepado com planeta terra, deitei na areia quente e de repente eu trepei com o planeta. O planeta dava voltas assim, e eu gozei…com o planeta, com a terra.

Enfim, isso é uma historinha da minha vida.

Que porra é essa?

O que eu to querendo aqui com a minha coluna na Midia NINJA é começar a falar desse territórios delirantes que a gente abandonou por conta da gente ter que sair correndo atrás de consertar as merdas que esse povo todo tá fazendo pelo Brasil afora em 1965 eu tinha 22 anos logo depois desse golpe aqui no Brasil, olhando aqui em SP olhando pro mundo eu era um cara perdidão e resolvi sair fora como muita gente tava fazendo e fui estudar na Europa e fui parar na Suíça, em Genebra, e fui estudar com Piaget que, era uma estrela. Me decepcionei com a história e resolvi ir pra Londres.

Aí eu caio em Londres e descubro o LSD e de repente eu passei na porta de um cinema e entrei pra ver o filme e o filme era o Easy Rider…

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O Easy Rider era um filme sobre a cultura hippie, o cara toma um ácido e tem uma bad trip e mergulha na realidade do mundo da contracultura e daí pra frente eu comecei a descobrir os porões de Londres.

O rock como trilha sonora de um novo mundo possível.

É engraçado, e naquela época existia e eu descobri logo, e muito cedo, o pessoal que fazia ácido e que vendia ácido pra mudar o mundo.

“O ácido como possibilidade política”

Descobri logo o Timothy Leary, Turn on turn in drop out

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Toma o ácido — turn in, se liga, se toca. e Drop out — pule fora do sistema. Isso era o lado político do movimento psicodélico. o LSD seria o treinamento do cérebro pra lidar com o caos. Ele previu a era, essa nossa era de tudo junto ao mesmo tempo aqui e agora que a internet se tornou.

Ele escreveu esse livro aqui sobre a Experiência Psicodélica e A Política do Êxtase que eu não achei aqui no meio dessa maluquice de livros.

E esse livro A Política do Êxtase foi um livro que eu e o Gil roubávamos para distribuir. Isso é o Google antevisto. Vinte, trinta, quarenta, cinquenta anos antes do google. Olha esse livro que maluquice que é “Como os hippies salvaram a física”.

A cultura hippie nasce como reação à cultura do consumo propondo a paz em reação a Guerra do Vietnã. Ela nasce propondo vida comunitária, princípios coletivos, consciência ecológica, direitos humanos, liberdades sexuais, felicidade como caminho para sustentabilidade do processo civilizatório.

Esse é o movimento hippie, esse é o verdadeiro sentido do uso da droga como elemento revolucionário de mudança do planeta. Quando eu conheci o Gil e o Caetano eu comecei a ser o organizador das nossas idas ao festivais. Os festivais tinham um sentido muito importante: o sentido político de território liberado. Quando Gil e Caetano chegam lá eu já tava lá há muito tempo e eu era uma espécie de guia aos caminhos que eu já sabia me dirigir.

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Nesse momento nós resolvemos ir em bando pro Festival da Ilha de Wight em 1970. Era um território liberado mesmo, não tinha polícia andando lá dentro, era uma conquista política incrível. Quando tava tudo organizado eu fui lá pra cima do morro e tomei o meu ácido e lembro que era um Orange Sunshine, ele era laranja, da cor dessa camisa aqui, forte. E eu estava lá do alto do morro olhando aquele mar de gente, aquela porrada de gente e, de repente, no meio da viagem de ácido me bateu que eu tinha que levar a turma toda pro palco do festival.

Eu tava de cueca, uma cueca vermelha. Essa história é uma história que eu contei pra algumas pessoas durante minha vida toda e ela soa como uma história de mentiroso. Chegar num festival daquele tamanho e botar pessoas desconhecidas no palco. Isso aconteceu, isso foi pra mim, digamos assim, o primeiro delírio utópico realizado.

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Eu virei produtor nesse momento, que acabou só se interessando em produzir coisas impossíveis, o caminho do impossível que se delineou naquele momento pra mim era fazer festival de graça, free.

Esse festival reuniu a fina flor da doidice e da loucura do momento e no meio desse delírio tinha o exército inglês. A ideia que eles tinham era um treinamento deles, do exército, de como abrigar vinte mil pessoas que estivessem fugindo de alguma, digamos assim, cataclisma, inundação ou alguma coisa assim. Quando a gente construiu o palco, a pirâmide, os malucos iam lá porque ali era um poço energético que eles queriam viajar, e ficar fazendo as suas viagens malucas e meditações. Aí eu entrei no circuito e a minha missão era tirar os caras de lá e o meu argumento foi construir o palco B.

Quando a gente começou a fumar pra celebrar o palco B entra um oficial do exército inglês atrás do camarim perguntando “Is this the stage B?”, perguntando se era o palco B, ele que deu o nome!

Esse foi o primeiro palco B de algum festival.

O festival de Glastowbury foi uma experiência que mostrou pra mim, mais uma vez, a minha segunda realização prática de delírios utópicos. Em 1971, logo depois desse festival de Glastonbury eu voltei pro Brasil

Nós estamos vivendo um momento no mundo que deu ruim. Deu ruim tudo que a gente andou fazendo ultimamente, não tá legal o planeta.

O Brasil tá indo numa rota brasileira filhadaputamente babaca, Estados Unidos com Trump está indo numa rota completamente idiota.

Está na hora de restabelecer a possibilidade do horizonte utópico e está lá na frente, lá distante. Está na hora da gente começar a olhar pro delírio que é a mudança do mundo, a mudança de paradigma que o século XXI requer. Se a crise é enorme, a possibilidade de saída da crise tem que ser enorme também. Então eu vou continuar fazendo minhas provocações ninjas septuagenárias tropicalistas com regularidade. Um beijo pra todo mundo, é isso aí.

Está na hora da gente começar a olhar pro delírio que é a mudança do mundo, a mudança de paradigma que o século XXI requer.

Se a crise é enorme, a possibilidade de saída da crise tem que ser enorme também. Então eu vou continuar fazendo minhas provocações ninjas septuagenárias tropicalistas com regularidade.

Um beijo pra todo mundo e sigam a minha nova página Delírios Utópicos de Claudio Prado!

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