Por Janaina Coutinho – Cobertura Colaborativa Ninja Esporte Clube

Em um bar lotado, torcedores vestem a camisa do Brasil, disputam espaço diante da televisão e transformam o estabelecimento em uma arquibancada improvisada. Embora a Copa do Mundo aconteça dentro dos estádios, é longe deles que milhões de pessoas vivem o torneio. 

A maior parte da torcida ocupa praças, bares, centros culturais, fan fests e espaços públicos, que se tornam pontos de encontro entre diferentes culturas, gerações e nacionalidades, revelando uma Copa construída pela convivência e relações sociais. A partir dessas conexões, memórias, afetos e a paixão pelo futebol são reforçadas. 

O alto preço das entradas dos estádios justifica a adesão dos fanáticos a áreas de transmissão coletiva  para assistir aos jogos da Copa. Além disso, a distância geográfica das cidades-sede e a dificuldade de deslocamento influenciam a transformação de espaços públicos em verdadeiros lugares de pertencimento.

Como a Copa de 2026 está sendo disputada em três países, Estados Unidos, México e Canadá, essa distância torna ainda mais crucial o papel desses espaços de convivência.

Impulso na economia local 

Além de ser uma oportunidade de vivência coletiva para os torcedores, esses pontos de convivência ajudam a movimentar a economia.

Um levantamento da Abrasel, realizado no início de junho, revela que bares, pubs e choperias lideram o ranking de preferência dos apreciadores de futebol, com cerca de 85% destes estabelecimentos transmitindo os jogos para grupos de amigos. 

Em bares, mesas ficam esgotadas com as reservas, os comerciantes reforçam os estoques, as cozinhas ficam sobrecarregadas de pedidos e os funcionários correm para dar conta do movimento. Essa é a realidade dos locais que abrigam torcedores durante os jogos. 

Além dos bares, os vendedores ambulantes também aproveitam o aumento da circulação de pessoas nas ruas, comercializando comidas, bebidas e itens relacionados à festa, como vuvuzelas, bandeiras e pôsteres. 

Douglas, de 34 anos, trabalha há mais de 15 anos como vendedor ambulante em grandes eventos. Para aproveitar o clima da Copa do Mundo, ele viajou de Porto Alegre para Florianópolis em busca de melhores oportunidades na Fan Fest Floripa. 

“A gente vem atrás da sorte, atrás do trabalho. Floripa sempre reúne bastante gente, tem muitos shows e atrações grandes. A gente vai e volta, não ficamos fixos na cidade”, disse em entrevista à ND Mais. 

A experiência de torcer 

A paixão pelo futebol e o amor pela Seleção Brasileira são fatores que contribuem para que os espaços coletivos estejam lotados de pessoas distintas. A emoção compartilhada faz com que desconhecidos interajam, conversem e comemorem juntos. O esporte ocupa, temporariamente, o espaço urbano baseado na convivência e no sentimento de pertencimento. 

As reações são mais espontâneas em espaços públicos. Gritos, abraços, cantos, choros e comemorações surgem de forma natural. Levando em conta que os estádios oficiais são cercados de câmeras, nas ruas, os torcedores se expressam sem as mesmas regras e protocolos presentes nas arenas esportivas.

Assistir aos jogos em locais de convivência cria uma memória coletiva e afetiva. Momentos marcantes de uma Copa são lembrados não apenas pelas partidas, mas pelas emoções compartilhadas, companhias e espaços.