Ele se apresenta como “El Tigre”, publica vídeos de treinos nas redes sociais e promete “destruir a esquerda”. Aos 47 anos, o advogado criminalista Abelardo de la Espriella chegou ao segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia com um discurso centrado na segurança, nos valores conservadores e em uma imagem de masculinidade que tem provocado intensos debates no país.

Respaldado por setores da direita internacional, incluindo o ex-presidente norte-americano Donald Trump, De la Espriella afirma respeitar a Constituição colombiana, mas se declara contrário ao aborto e à adoção por casais do mesmo sexo. Também defende que a educação sexual seja responsabilidade exclusiva das famílias e promete fechar o Ministério da Igualdade caso seja eleito.

Para Catalina Calderón, diretora para a América Latina do Women’s Equality Center, o avanço de lideranças conservadoras na região segue um padrão semelhante. Em vez de atacar diretamente os direitos das mulheres, elas costumam combater o que chamam de “ideologia de gênero” e reduzir políticas públicas voltadas para mulheres e meninas.

A candidatura também tem sido alvo de críticas por declarações consideradas machistas. Em junho, uma juíza determinou que De la Espriella se retratasse com as mulheres colombianas após concluir que ele havia cometido violência política de gênero. O episódio se somou a comentários dirigidos à jornalista Laura Rodríguez, que afirmou ter se sentido assediada após uma entrevista com o candidato.

Entre as vozes mais críticas está a intelectual feminista Florence Thomas, referência histórica na luta pela descriminalização do aborto na Colômbia. “Tenho muito medo de Abelardo”, afirmou. Já Susana Mejía González, coordenadora da Rede Nacional de Mulheres da Colômbia, alertou que a pauta dos direitos das mulheres tem perdido espaço no debate eleitoral.

Por outro lado, o candidato mantém forte apoio entre setores que priorizam temas como segurança pública e combate ao narcotráfico. Para o ex-policial Carlos Alberto García Palau, De la Espriella representa “segurança, família e respeito”. Já a motorista Katherine González avalia que sua postura transmite uma imagem claramente machista.

A jornalista María Jimena Duzán também vê com preocupação o crescimento do candidato. Segundo ela, De la Espriella reproduz estratégias de lideranças da extrema direita e seus apoiadores têm contribuído para um ambiente de hostilidade contra jornalistas e defensores de direitos humanos.

Com a votação marcada para 21 de junho, a eleição colombiana também se tornou uma disputa sobre os direitos das mulheres e os avanços conquistados nas últimas décadas em matéria de igualdade de gênero.

Com informações de Annie Correal / The New York Times.