As acusações de envolvimento, financiamento ou colaboração com uma rede de pedofilia acompanham Donald Trump há mais de duas décadas. Nos últimos meses, novos documentos revelados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos voltaram a relacioná-lo com o pedófilo Jeffrey Epstein e com o caso da rede de exploração sexual que comocionou o país. Ontem, durante uma visita às instalações da Ford, um funcionário da fábrica o chamou de “protetor de pedófilos”, repetindo o insulto em voz alta. Visivelmente nervoso, Trump xingou o cidadão e se retirou imediatamente do local.

Durante sua última campanha presidencial, Donald Trump prometeu acabar com o sigilo e publicar todos os arquivos do caso Epstein, para que os estadunidenses pudessem finalmente saber quem esteve, de fato, envolvido nas atividades criminosas e hediondas desde o início. No entanto, uma vez eleito presidente, Trump passou a minimizar o caso, afirmando que a mídia exagerava ao tentar manter vivo um assunto que “não era de interesse de ninguém”. Evitou responder perguntas e demonstrou incômodo sempre que questionado sobre sua relação com Epstein.

O caso Katie Johnson (1994)

Em 2016, uma mulher identificada como Katie Johnson acusou Donald Trump de tê-la estuprado junto com Jeffrey Epstein em 1994, quando ela tinha apenas 13 anos. Segundo seu relato, Trump sabia da idade da menina e teria exigido que ela performasse atos sexuais na casa de Epstein. Johnson afirmou ainda que Trump a manipulou psicologicamente, dizendo que ela lhe lembrava sua própria filha. Ainda em 2016, a denunciante retirou a acusação. Há quem alegue que isso tenha ocorrido em decorrência de ameaças ou de um possível acordo financeiro para silenciar o caso.

Concurso de beleza “Miss Teen USA”

O Miss Teen USA é um concurso de beleza voltado para adolescentes entre 14 e 18 anos, criado em 1983 como uma versão juvenil do Miss USA. Em entrevista ao The Guardian, uma ex-participante relatou que Donald Trump entrou deliberadamente em um vestiário enquanto ela e outra candidata estavam nuas, trocando de roupa para um ensaio. Segundo o relato, Trump — então proprietário do concurso — entrou sem avisar, não disse uma palavra e permaneceu observando as jovens.

Em entrevistas ao radialista Howard Stern, o próprio Trump admitiu que costumava entrar nos vestiários enquanto as modelos se trocavam, afirmando que, como dono, tinha o direito de realizar uma “inspeção”.

Ex-candidatas, incluindo participantes do concurso de 1997, relataram que ele entrava sem aviso prévio enquanto menores de idade estavam nuas ou seminuas. Algumas descreveram a experiência como um abuso de poder, no qual Trump tratava as mulheres como propriedade.

Vínculos com Epstein, pedofilia, adultério e racismo

Um documento divulgado recentemente pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos revela a existência de uma convivência social e amizade comprovada entre Trump e Epstein nos anos 1990 e início dos anos 2000, registrada em fotos e reportagens. Epstein afirmou, em diversas gravações, ter sido o amigo “mais próximo” de Donald Trump, alegando que Trump lhe dava conselhos sobre como seduzir mulheres e descrevendo com detalhes festas e interações sociais em Nova York e Atlantic City durante os anos 1990 — período em que foi comprovada a existência da rede de pedofilia liderada por Epstein.

O financista também alegou que Trump era um “traidor em série” em seus casamentos e que sentia prazer em seduzir esposas de amigos próximos. Em trechos das gravações, Epstein afirma que Trump se gabava de manter relações com mulheres negras, utilizando, em alguns momentos, insultos de cunho racista.

Não é possível reunir, em um único artigo de opinião, a quantidade massiva de acusações, declarações, documentos e entrevistas nas quais Donald Trump aparece adotando comportamentos sexuais erráticos ou potencialmente criminosos. Hoje alçado à condição de líder mundial de uma direita que diz defender valores cristãos e conservadores, Trump parece muito mais um pervertido sexual, sádico e narcisista — ainda que, até o momento, não exista uma condenação criminal específica por esses fatos (embora, na esfera civil, já tenha sido processado e condenado por abuso sexual).

Os rumores que crescem a cada dia apontam para bastidores nos quais o poder financeiro e, agora, também o poder político o blindam de tal forma que o resto do mundo — ou seja, todos nós — somos obrigados a assistir ao espetáculo absurdo de ver esse sujeito liderar o discurso da moral, da família e dos “bons costumes”.