“Nada Fica Fora do Lugar”: o álbum de estreia de Caio Nunez
Construído ao longo de cinco anos, o álbum reúne participações de Rashid, Luellem de Castro e Luana Karoo e chega pela Dutra Records em parceria com a Sony Music

Tem artista que estreia tentando mostrar tudo ao mesmo tempo. Caio Nunez faz o contrário. Em “Nada Fica Fora do Lugar”, seu primeiro álbum, ele escolhe segurar a ansiedade, confiar no tempo e construir um trabalho ao longo de quase cinco anos. O disco amadurece junto das experiências e referências que moldam sua identidade, transitando por uma sonoridade brasileira popular e contemporânea.
Com direção musical de Gabo Marinho e capa assinada por Nomoa, o álbum percorre espiritualidade, memória e afeto, transformando essas dimensões em uma linguagem musical própria. As faixas se encadeiam com naturalidade, criando um fluxo contínuo. Há um cuidado evidente na forma como os instrumentos aparecem: violões e guitarras bem posicionados, baixos firmes e uma percussão que colore sem pesar.
“Dia de Oxalá”, com participação de Luellem de Castro, abre o disco como um portal. A faixa conduz o início do álbum com calma e intenção, guiada pelo violão de Caio e por uma base que cresce discretamente na produção de Léo Israel. Em seguida, “Ginga” muda a pulsação sem romper o clima estabelecido. Já “Lótus”, construída a partir de influências latinas, aprofunda o lado mais contemplativo do trabalho, com interpretações precisas e pausas que dizem tanto quanto as notas.
No centro do disco, “Reticências”, com participação de Rashid, soa como uma conversa íntima. A flauta, somada ao violão e às linhas de guitarra e baixo, amplia essa sensação de troca e suspensão. Tanto “Reticências” quanto “Moçambique” já haviam sido lançadas como singles e, dentro do álbum, ganham outra dimensão, fortalecidas pela relação com o restante das faixas.
“Cavalo de Aço” traz uma das construções mais ricas do disco, articulando percussões de matriz afro-brasileira, elementos eletrônicos e a base da canção em um movimento contínuo. “Estrela Cadente” amplia o campo melódico com a leveza característica da bossa nova, sustentando uma composição romântica apoiada nos detalhes. Em “Moçambique”, o saxofone conduz a faixa com naturalidade, enquanto “Valongo”, ao lado de Luana Karoo, encerra o álbum em um encontro de vozes e percussões que permanece até o último instante.
A progressão das faixas também reserva momentos de respiro, como em “Mil Motivos”, revelando um dos traços mais fortes do trabalho: a capacidade de sugerir sentimentos sem precisar explicá-los. É também dessa ideia que nasce o título do álbum. “Nada Fica Fora do Lugar” surge de um trecho da letra de “Valongo” e sintetiza a proposta do disco. “A minha ideia foi revisitar minhas referências do passado e todos os símbolos que elas evocam, como ‘bate-bola’ e ‘jongo’, ambos elementos da cultura afro-brasileira”, comenta Caio.
O disco também carrega atravessamentos familiares de forma orgânica. Em “Cavalo de Aço”, Rui Nunes, pai do artista, assina a composição ao lado do filho.
Antes do primeiro álbum, Caio já vinha construindo caminho como compositor em trabalhos ao lado de nomes como Rashid e Liniker. Também colaborou com GABZ, sua irmã, em “Noites de Verão”, além de lançar um feat com Tassia Reis que ampliou sua presença na cena.
“Nada Fica Fora do Lugar” apresenta uma visão musical clara. Caio não parece interessado em ocupar espaço rapidamente. O disco revela um artista maduro, com potência e um lugar muito próprio dentro da nova geração da música brasileira, sobretudo por olhar para dentro antes de externalizar a obra. “É uma forma de encontrar o equilíbrio entre quem eu fui e quem me tornei, como visitar o passado para deixar o presente em ordem. Como se nada da minha trajetória tivesse sido em vão. Como se eu montasse um quebra-cabeça onde nenhuma peça tivesse ficado fora do lugar”, afirma.
“Nada Fica Fora do Lugar” chega às plataformas no dia 21 de maio, às 21h, pela Dutra Records em parceria com a Sony Music Brasil.



