A misoginia nas redes sociais nem sempre aparece de forma explícita. Muitas vezes, ela chega aos adolescentes disfarçada de conteúdos sobre motivação, autoestima ou desenvolvimento pessoal. Diante desse cenário, a ONU Mulheres e o Unicef lançaram “Guia de Conversa para Pais e Responsáveis: A machosfera” voltado às famílias para ajudar a identificar os riscos da chamada machosfera, comunidades digitais que promovem uma visão extremista da masculinidade e incentivam o ódio, a discriminação e a violência contra mulheres e meninas.

Segundo um levantamento da Revista AzMina e do Núcleo Jornalismo, citado pelas Nações Unidas, esse tipo de conteúdo costuma alcançar os jovens de forma gradual, impulsionado pelos algoritmos das plataformas.

Para Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil, o enfrentamento à machosfera começa dentro de casa. “Quando adultos criam espaço para conversas abertas e sem julgamentos, mostram aos meninos que respeito e igualdade também fazem parte da construção da masculinidade”, afirma.

O guia explica como funcionam os principais grupos e expressões ligados à machosfera, mostra como os algoritmos ampliam esse tipo de conteúdo, apresenta sinais de alerta para mudanças de comportamento e linguagem e oferece perguntas para estimular o pensamento crítico de crianças e adolescentes, adaptadas por faixa etária. O material também traz orientações para apoiar meninas expostas à violência misógina online e sugestões para abordar a igualdade de gênero no cotidiano.

Para o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, famílias, escolas e comunidades têm um papel fundamental na construção de referências positivas de masculinidade e na prevenção da disseminação de discursos de ódio entre adolescentes.