#EstudeOFunk mobiliza campanha para garantir continuidade do hub criativo de funk carioca
Projeto não abrirá novas vagas para artistas enquanto busca empresas e marcas interessadas em investir na continuidade da iniciativa
Um dos principais programas de formação e aceleração artística voltados ao funk carioca está com sua continuidade comprometida. O #estudeofunk interrompe o trabalho realizado desde 2022 e não abrirá uma nova chamada pública para seleção de artistas devido à ausência de patrocínio para viabilizar o quinto ciclo do projeto.
A interrupção impede que cerca de 50 novos artistas tenham acesso gratuito à formação, residências artísticas, produção musical, desenvolvimento de carreira, lançamentos audiovisuais, bailes, shows e ações de circulação cultural. Também afeta o acompanhamento dos mais de 200 artistas já formados pelo hub criativo, reconhecido por conectar talentos periféricos ao mercado da economia criativa.


Idealizado pela Fundição Progresso em parceria com a Viva Brasil, o #estudeofunk é uma plataforma de desenvolvimento cultural e artístico dedicada ao desenvolvimento e à valorização do funk. O projeto reúne educação, cultura, arte e mercado em um mesmo ambiente, oferecendo estrutura, formação, produção e aceleração de carreiras para MCs, beatmakers, DJs e dançarinos.
Desde sua criação, o programa lançou cinco álbuns, dois EPs e diversos singles e videoclipes, que somam aproximadamente 500 mil visualizações no YouTube. Os trabalhos desenvolvidos pelo hub já circularam por casas de espetáculo, festivais, emissoras de televisão, veículos de comunicação e plataformas digitais, contribuindo para a construção da história contemporânea do funk carioca e para a projeção de novos artistas.
Ao longo de sua atuação, o projeto atendeu artistas de 118 bairros fluminenses, abrangendo 16 municípios do estado. Desse total, 52% dos participantes residem em favelas e territórios periféricos. A maioria do público atendido é composta por pessoas negras, que representam 85% dos participantes, além de 10% de pessoas pardas, 2% indígenas e 3% brancas. Em relação ao gênero, o projeto conta com 54% de homens cis, 30% de mulheres cis, 6% de mulheres trans e 10% de pessoas não binárias. No que se refere à orientação sexual, observa-se uma composição plural, com participantes que se identificam como heterossexuais (51%), homossexuais (10%), bissexuais (18%) e pansexuais (16%), além de 5% que não responderam. O projeto também contempla a participação de pessoas com deficiência, reforçando seu compromisso com a inclusão.


Mesmo sem abrir novas turmas, o projeto continua recebendo, diariamente, pedidos de inscrição de artistas de diferentes regiões do Rio de Janeiro, principalmente de áreas periféricas, além de interessados de diversos estados brasileiros e até de outros países, evidenciando a demanda por espaços estruturados de formação e desenvolvimento dentro do gênero musical.
“O funk é uma das maiores potências culturais e econômicas do Brasil, mas ainda são poucos os espaços dedicados à formação e ao desenvolvimento profissional de seus artistas. O #estudeofunk construiu uma metodologia própria, criou oportunidades concretas para centenas de jovens e ajudou a registrar uma parte importante da história recente do funk. Hoje, interromper um ciclo por falta de patrocínio significa deixar de atender dezenas de artistas que buscam essa oportunidade”, afirma Vanessa Damasco, diretora-geral do projeto.

O #estudeofunk está habilitado para captação por meio das Leis de Incentivo à Cultura (Rouanet, ICMS e ISS) e inicia uma campanha de apadrinhamento voltada a empresas, marcas e pessoas físicas interessadas em apoiar a continuidade da iniciativa. Os interessados em contribuir podem entrar em contato pelo site e pelas redes sociais do projeto.
“A expectativa é conseguir parceiros que queiram construir essa história junto com a gente e garantir recursos para a realização do quinto ciclo, mantendo ativo um legado construído ao longo dos últimos anos, fortalecendo a memória e a produção do funk contemporâneo, ampliando a circulação de artistas e transformando talentos em carreiras”, finaliza Vanessa.



